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segunda-feira, 29 de junho de 2026

ANYWHERE

 

Ricardo Corrêa fez uma longa pesquisa por meio de entrevistas com refugiados e imigrantes LGBTQIAPN+ originários de várias partes do mundo e o resultado de seu importante trabalho consta do livro “Anywhere” publicado por ele de forma independente.

Corrêa elegeu um dos relatos para compor a dramaturgia de sua peça de mesmo nome, ora encenada pela Cia Artera de Teatro.

Samir é um jovem gay iraniano que tinha um companheiro de nome Zyan que foi assassinado pelas forças repressoras do governo. Temendo por sua vida Samir resolve imigrar passando por todos os conhecidos perigos de um processo clandestino como pressão de coiotes por dinheiro, barcos super lotados e perigosos e a chegada clandestina a um país onde é retido em aeroporto onde aguarda visto legal de entrada no mesmo.

A dramaturgia de Corrêa inicia na sala de espera do aeroporto onde Samir aguarda impaciente há meses a permissão de entrada e ali ele recorda seu passado no Irã, o assassinato de Zyan e a sua fuga.

Após uma breve introdução, Ricardo Corrêa parte para a interpretação de Samir com muita garra e indignação mantendo esse ritmo durante os 80 minutos que dura o espetáculo. A meu modo de ver o resultado seria mais impactante se ele começasse em ritmo mais suave para ter espaço de ir crescendo durante a ação, mas isso absolutamente não invalida nem desmerece sua brilhante interpretação.

A direção de Davi Reis é focada no trabalho do ator e se vale da cenografia de Carlos Tibúrcio, que reproduz a frieza e a impessoalidade de uma sala de espera de um aeroporto, e das excelentes imagens reproduzidas em vídeos criados por Renato Grieco e Ricardo Corrêa.

Corrêa dá um desfecho catártico ao seu personagem, fazendo com que ele receba o visto e possa entrar no novo país para finalmente ver o sol e respirar em liberdade.

Tudo está bem quando bem acaba, já dizia Shakespeare, mas infelizmente na maioria das vezes o desfecho do destino de seres refugiados é bem mais triste.

“Anywhere” trata de temas contemporâneos muito importantes como o desumano tratamento recebido por refugiados e o preconceito com seres LGBTQIAPN+, onde quer (anywhere) que eles estejam

 Merece ser visto e discutido.

Em cartaz na Cia. da Revista até 12/07. Sábado 20h e domingo 19h.

29/06/2026

 

 

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