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domingo, 27 de setembro de 2026

MEU FILHO É UM MUSICAL

 

Esse espetáculo foi uma grata surpresa.

Fui assisti-lo pensando em encontrar mais um musical biográfico dos tantos que chegam aos nossos palcos cheios de clichês, tratamento superficial da vida e obra do biografado e recheados de canções que fizeram sucesso em outras situações e soam falso na atual conjuntura, como por exemplo usar a canção “Atrás da Porta” toda a vez que há um rompimento amoroso.

A dramaturgia de “Meu Filho É Um Musical” de Fil Braz com colaboração de Beatriz Coelho não é nada disso; ela faz um recorte mostrando as relações familiares de Paulo Gustavo e também as dificuldades que ele teve para encontrar uma personagem que se adequasse ao seu tipo de comediante, algo que, como se sabe, ele encontrou na própria mãe. A cena da peça em que diante do espelho ele descobre sua personagem é memorável. Nada na dramaturgia resvala para o melodramático, mesmo na cena final que tem forte apelo dramático e emocional.

Outro fator que distingue este espetáculo dos demais musicais biográficos é que as canções de Daniel Salve foram compostas especialmente para ele, encaixando-se nas cenas sem artificialidade.

É um espetáculo de produção cara com cenografia requintada de Nello Marrese e figurinos de Theodoro Cochrane. Aqui fica uma dúvida deste espectador: apesar de belos, qual a razão dos motivos gregos nos cenários, nos figurinos e até na coreografia de Alonso Barros?

Do grande elenco os destaques vão para Valéria Barcellos, hilária e esfuziante em cada aparição; Milena Machado como Juju, a irmã masculinizada de Paulo Gustavo; Marcelo Varzea, ótimo como o pai; Talita Castro como a madrasta e Stella Rodrigues encarnando a mãe Dona Déa com muita garra (apesar de gritar um pouco demais nas primeiras cenas).

Por último, mas muito importante: Pierre Baitelli que interpretou Paulo Gustavo na sessão em que estive presente. Dotado de grande talento e de um tempo de comédia bom e equilibrado, Baitelli brilha tanto como o jovem à procura do seu caminho, como quando veste a personagem da mãe.

João Fonseca e Ju Amaral (irmã de Paulo Gustavo) harmonizam todos esses componentes com uma direção também digna de elogios.

Solar na sua maior parte, o espetáculo torna-se sombrio ao mencionar a pandemia do Covid 19 e o desaparecimento de cerca de 700 mil pessoas, cuja morte de parte delas poderia ter sido evitada caso houvesse tido uma política em prol das vacinas.

A peça não explicita, mas fica claro que houve negligência do malfadado governo da época com o assunto. Se isso serviu de  alerta para que o público presente NÃO VOTE no filho daquele ser ignóbil, que tivemos o horror e a vergonha de ter como presidente do nosso país, a peça já valeu a pena.

Dona Déa participa carinhosamente do início e do fim da peça, recebendo aplausos carinhosos do público e recomendando às mães e aos pais que não discriminem seus filhos devido às suas opções sexuais.

Um grande elogio ao espetáculo é que se sai dele com muita vontade de saber mais sobre a obra de Paulo Gustavo, desaparecido precocemente em 04 de maio de 2021 aos 42 anos de idade.

MEU FILHO É UM MUSICAL está em cartaz no Teatro Renault. Quinta e sexta, 20h / Sábado, 15h e 20h / Domingo, 14h30 e 19h30.

NÃO DEIXE DE VER! 

27/09/2026

 

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