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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REMIX – Companhia de Dança Deborah Colker


Noite mágica no Teatro Sérgio Cardoso com a Mariana e a Laura

1 – Contracenando com o Sérgio Cardoso

 

2 – Aguardando o início de REMIX

 

3 – REMIX

Espetáculo impactante formado por cenas de seis coreografias de Deborah Colker costuradas de forma harmoniosa por João Elias.

Cenas de “Vulcão” (1994), “Belle” (2014), “4x4: As Meninas - Vasos” (2002), “Rota: Gravidade - Roda” (1997) desfilam diante dos privilegiados olhos do público.

Como não se encantar com a coreografia e a cenografia de “Delírios/Belle” e com os diversos “pas-de deux” de “Paixão/Vulcão”? Duas dançarinas e uma pianista (Deborah Colker!!) realizam a delicada “As Meninas/4x4” e o primeiro ato termina de forma apoteótica com o icônico “Vasos/4x4”

Destaque para a direção de arte de Gringo Cardia.

Duas cenas de “Rota” surgem no segundo ato: em “Gravidade” o elenco parece flutuar, desafiando a gravidade em um ambiente etéreo, já em “Roda” dançarinas e dançarinos atuam de forma frenética fazendo malabarismos em cena.

Aplausos calorosíssimos do público encerram a noite mágica.

E a genial Deborah Colker compareceu para os agradecimentos!

 

Espetáculo imperdível!!!  

14/08/2026

 

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MIRADA 2026 – APRESENTAÇÃO

 

Ano par é ano de festa do teatro, porque ano par é ano de MIRADA!

De maneira efusiva e festiva o Grupo Pano deu as boas-vindas para o público que compareceu ao Teatro Anchieta na noite de 12 de agosto para a apresentação do MIRADA 2026, oitava edição do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas que acontece de 3 a 13 de setembro com sede no SESC Santos.

Naruna Costa abriu a sessão entoando uma canção e a seguir introduziu a Superintendente Técnico-Social do Sesc São Paulo, Rosana Paulo da Cunha que, junto com outras pessoas do SESC, falou sobre as características do evento.

A seguir os curadores da mostra comentaram sobre os quatro eixos do MIRADA 2026:

- Mostra Equatoriana (sete espetáculos do Equador, país homenageado do ano)

-  Mostra internacional (17 espetáculos) 

-  Mostra nacional (17 espetáculos)

- Ações formativas.

Após algumas perguntas por parte do público, um bate papo com Georgette Fadel e Marcos Coletta encerrou a apresentação, seguida de um coquetel. 

41 espetáculos e muitas atividades normativas que vão surpreender e encantar os 85.000 espectadores que a organização do MIRADA espera receber em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente durante o evento.

O QG do MIRADA é o aconchegante SESC Santos.

O MIRADA é um festival muito especial, com curadoria impecável e um clima de camaradagem e de muitas trocas artísticas e afetivas. Quem já foi sabe como é. 

Os ingressos estarão à venda a partir de 14 de agosto às 15h.

Programação e informações: sescsp.org.br/mirada e aplicativo MIRADA Festival Sesc SP 

13/08/226

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O DILEMA DE SIDGWICK


Peças de teatro versando sobre cientistas e filósofos podem se tornar muito didáticas e até enfadonhas e este, absolutamente, não é o caso de ‘O Dilema de Sidgwick” e isto se deve em primeiro lugar à criativa estrutura do texto teatral de Paulo Gustavo Guedes Fontes adaptado do seu livro homônimo que foge do didatismo e procura mostrar facetas da vida e obra do filósofo utilitarista inglês Henry Sidgwick (1838-1900) a partir do momento em que  ele teve conhecimento das escritas de Nietzsche e, principalmente, da teoria da evolução de Charles Darwin publicada em 1859 quando passou a duvidar da existência de Deus.

A criativa dramaturgia cênica de Bruno Perillo embelezada pelas luzes de Aline Santini que passeiam suavemente pelo palco delimitando o espaço de cada ação e pela excelência do elenco completa o prazer de se assistir a esse espetáculo e de conhecer um pouco sobre esse importante filósofo.

Além de excelente, o elenco é muito homogêneo ficando difícil destacar este ou outro integrante, pois cada um tem seu momento de brilhar, mesmo assim cabe lembrar de cada um deles: de Augusto Zacchi como o protagonista Sidgwick; da nobreza do Bispo Benson vivido por Luiz Amorim; da delicadeza de Amazyles de Almeida como a esposa de Sidgwick e seu emocionante monólogo no final da peça; do porte de Adriana Lessa como a Srta. Jones, discipula de Sidgwick, que é aplaudida em cena após seu discurso; da ambiguidade de Symonds interpretado com muito brilho por Carlos De Niggro; da altivez e seriedade da sempre surpreendente  Tuna Dwek como a vidente Sra. Piper e das certezas e intolerâncias do Padre John interpretado por Silvio Giraldi.

A cenografia de Simone Mina parece ampliar o palco da Sala Paschoal Carlos Magno utilizando de maneira mito criativa cada canto do espaço disponível.

Com todas as qualidades acima apontadas se torna óbvio comentar que este belo espetáculo é altamente recomendável.

O DILEMA DE SIDGWICK está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso/Sala Paschoal Carlos Magno até 30/08 aos sábados e aos domingos às 18h30. Ingressos gratuitos. 

11/08/2026

 


domingo, 9 de agosto de 2026

QUERIDA MAMÃE

 

 

        1Sobre a autora

A escolha de assuntos pertinentes, a clareza e o desenvolvimento das tramas, as personagens verossímeis e bem construídas e os diálogos ágeis e penetrantes são características das escritas de Maria Adelaide Amaral, seja nas peças de teatro, seja nos romances.

Nos romances destaco dois dos seus tesouros: “Aos Meus Amigos”, um retrato emocionado e amargo dos jovens dos anos 1970 a 1990 e “Luísa (Quase Uma História de Amor)”, do qual um dos capítulos deu origem à inesquecível “De Braços Abertos”, obra prima absoluta, encenada em 1985 com Irene Ravache e Juca Oliveira, que pede para ser reencenada.

Nas peças de teatro destaco “Bodas de Papel”, sua primeira peça encenada em 1978, a já citada “De Braços Abertos! (1985), “Querida Mamãe” (1995) e “Intensa Magia” (1996).

URGE que Maria Adelaide volte escrever para teatro, nossa dramaturgia está precisando! 

2 – Querida Mamãe

A primeira encenação apresentada em palcos paulistanos ocorreu em 1995 com Eva Wilma e Eliane Giardini dirigidas por José Wilker. Relações humanas nuca saem de cartaz, por isso trinta e um ano depois, ela volta atualíssima.

Dirigida com muita sensibilidade por Pedro Neschling a peça mostra o encontro quase sempre conflituoso entre Helô, uma jovem médica de pensamento liberal e sua mãe conservadora.

São cenas ocorridas ao longo de vários dias que na encenação são pontuadas por ligeiros escurecimentos de luz e delicados movimentos de tecidos suspensos efetuados pelas atrizes.

Espetáculos desse tipo só se realizam a contento quando dispõem de bom elenco e aqui não há do que se queixar.

Regiane Alves, que já havia atuado em outra peça de Maria Adelaide (“Para Tão Longo Amor” em 2016) interpreta a tempestuosa Helô com muita energia e muita emoção, deslocando-se com flexibilidade por todo o palco.

Em bem-vindo retorno aos nossos palcos, Nívea Maria apresenta a mãe com muita dignidade. Em virtude de sua longa jornada na televisão, Nívea concentra sua atuação nas expressões faciais e na perfeita dicção, movimentando pouco o corpo, mas isso nada compromete seu belo desempenho que culmina com uma explosão emocional nas últimas cenas.

A sessão do último sábado contou com a presença sempre simpática da querida  Maria Adelaide Amaral.

 

QUERIDA MAMÃE está em cartaz no Teatro Renaissance. Sexta, 21h30/Sábado, 19h/Domingo, 17h 

09/08/2026

 

sábado, 8 de agosto de 2026

ELOGIO DA LOUCURA

 

Existem espetáculos com temas bastantes importantes, excelentes encenações e trabalhos preciosos de atrizes e atores que passam quase desapercebidos em suas temporadas curtas, muitas vezes realizadas em teatros distantes e sem a devida divulgação por parte da mídia. Isso acontece com a maioria dos trabalhos realizados na periferia da cidade por grupos alternativos e acontece também com “Elogio da Loucura”, que se baseia em obra de um importante pensador e que tem no elenco uma atriz do porte de Leona Cavalli.

Ao que me consta em São Paulo a peça passou por rápidas temporadas pelo SESC Belenzinho (2022) e pelo Teatro J. Safra (2024) e se apresenta agora por apenas duas semanas na Caixa Cultural, sempre com pouca divulgação e repercussão.

É obra do filósofo e humanista holandês Erasmo de Rotterdam (1466-1536) onde a Loucura, filha de Plutão e da ninfa da Alegria surge em pessoa para conclamar os benefícios daqueles que dela se beneficiam.

Leona Cavalli e Eduardo Figueiredo elaboraram saborosa dramaturgia a partir do livro de Erasmo. A encenação de Eduardo Figueiredo privilegia-se do cenário e incríveis adereços de Paula Mares e Kelly Siqueira, dos exuberantes figurinos criados por Kelly Siqueira e Mariana Baffa, da música executada ao vivo por Matheus Vieira (cello) e Cika (percussão) e, é claro, da presença magnética de Leona Cavalli.

Leona, mais bela do que nunca, é um furacão em cena. Sua energia transbordante é própria, mas também é herança dos tempos em que trabalhou com Zé Celso no Oficina. Às suas inesquecíveis Blanche e Geni (em ambas dirigida por Cibele Forjaz) e Dona Eduarda, Leona vem somar essa impressionante personagem chamada Loucura.

Em pouco mais de uma hora Leona advoga sobre as vantagens da loucura para o bem da humanidade. A atualidade do texto de Erasmo evidencia-se em momentos que parece que ele foi escrito para criticar os políticos e o clero de hoje

Aproveite estes dois últimos dias em cartaz na Caixa Cultural na Praça da Sé. É IMPERDÍVEL!


08/08/2026

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MAZAL TOV – QUANDO A VIDA SORRI

 

Fotos de Mare Martin 

Colocar em um mesmo ambiente judeus ortodoxos, uma ariana europeia e um muçulmano poderia render embate ideológico e religioso bastante intenso e até trágico, mas como o sub título indica, a opção foi realizar uma comédia leve, praticamente sem conflitos e com um final feliz.

Desconheço o romance autobiográfico da autora belga J.S. Margot que deu origem à saborosa adaptação teatral realizada por Fernando Dourado Filho e Dan Rosseto cuja encenação é dirigida por este último.

Dinah Feldman, feliz da vida, brilha como Margot, a jovem ariana de belos olhos verdes que irá trabalhar para a família judaica liderada pelo patriarca Schneider interpretado, também de maneira brilhante, por Otávio Martins. João Baldasserini tem boa participação como Nima, o namorado iraniano de Margot. Completam o elenco os demais membros da família Schneider: Giovana Yedid (esposa), Gabriel Brener e Thay Bergamim (filhos).

Mazal Tov é um espetáculo despretensioso a que se assiste com prazer e deverá ser ainda mais prazeroso para aqueles que conhecem a cultura judaica.

“Mazel Tov” significa “Boa Sorte” em hebraico.

Destaque para a bela trilha sonora assinada por Dan Maia.

Em cartaz no Teatro Moise Safra até 30/09 de terça a quinta às 20h.

 

05/08/2026

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

INTER ALIA

 

        Jessica Parks é uma mulher bem estruturada. Tem uma relação aparentemente estável com o marido e com o filho adolescente e profissionalmente é uma juíza bem sucedida e conceituada que prima pela ética e pela defesa de um sistema judiciário mais humano.

Acontecimentos no âmbito familiar fazem com que, em grande conflito, ela reveja seus valores éticos, a maneira como a mulher é vista na sociedade patriarcal, a educação do filho e os modos de lidar com a justiça.

Com seus conhecimentos da área jurídica (ela é advogada) e dotada de imenso talento dramatúrgico a escritora australiana Suzie Miller (1965) criou essa personagem complexa que é ao mesmo tempo um presente e um desafio para uma grande atriz. Na Inglaterra Rosamund Pike ganhou os principais prêmios de 2025 por sua interpretação na montagem londrina estreada há pouco mais de um ano e o mesmo deve acontecer por aqui com a arrebatadora interpretação de Drica Moraes.

Afastada dos palcos paulistanos há algum tempo, Drica ressurge com uma incrível energia dominando a primeira meia hora da peça com um longo e poderoso monólogo. Caco Ciocler e Caio Cesar Passos que até então fazem só figuração, surgem como o marido (Caco) e o filho (Caio) que serão figuras importantes no desenvolvimento da trama, mas o protagonismo continuará com Drica até o final das quase duas horas que dura a peça, onde o público quase não respira para acompanhar as reviravoltas da trama tão bem urdida pela dramaturga.

A maneira como a família trata o filho adolescente e o fato do maior inimigo do garoto estar em seu quarto é bastante semelhante àquela da série “Adolescência” exibida na Netflix, mas a semelhança para por aí.

Inter Alia é uma expressão latina que significa “entre outras coisas” e é usado em termos jurídicos para mostrar que provas apresentadas e fundamentação legal são apenas um dos lados da questão em julgamento. E é bem assim, entre outras coisas, que se debate a personagem de Drica.

Um palco nu com um imenso pano branco ao fundo é o cenário inicial da peça que aos poucos vai sendo preenchido com móveis que revelam os diversos ambientes onde se desenvolve a ação. Cenário assinado por Rodrigo Portella e Mina Quental e iluminado por Ana Luzia Di Simoni.

A direção do sempre surpreendente Rodrigo Portella é bastante discreta focando toda a atenção na personagem que merece: Jessica! E Drica Moraes responda a isso com seu imenso talento onde a fragilidade de sua delicada e bela figura é inversamente proporcional à energia e garra mostradas em cena.

Pelos temas tratados - violências contra a mulher, falhas na educação de adolescentes, fragilidade dos meios jurídicos no tratamento de estupros – Inter Alia é um soco no estômago, do qual os espectadores saem com um gosto amargo na boca, misto de indignação e revolta.

INTER ALIA está em cartaz no Teatro Vivo até 20/09 com sessões às sextas e aos sábados às 20h e aos domingos às 18h.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL! 

05/08/2026

 

 

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

RITA LEE: BALADA DA LOUCA

 


        Nos dois anos que se passaram desde que tomou conhecimento de sua doença grave (câncer no pulmão) em 2021 até sua morte em 2023 Rita Lee (1947-2023) escreveu sua “Outra Autobiografia” onde relata o dia a dia do convívio com a doença e a presença da morte. Mantendo a sua tão gostosa irreverência o livro de Rita tem certa leveza e humor, apesar do tema tratado.

        Guilherme Samora realizou fiel e digna adaptação teatral do livro e a mesma foi encenada com direção de Beatriz Barros tudo sob a benção e aprovação do companheiro Roberto Carvalho e dos filhos da cantora. A trilha sonora é de Roberto, assim como a interpretação ao piano que se ouve durante o espetáculo.

O resultado é o belíssimo e comovente espetáculo em cartaz no Teatro FAAP onde Lilia Cabral brilha numa composição que reflete sua visão da biografada, sem querer imitar a inimitável Rita. Com muita humanidade e sensibilidade Lilia transmite ao público o drama de Rita e também sua irreverência. Em um dos melhores momentos da peça ela conta que apelidou o seu tumor de Jair e as metástases de 01, 02 e 03! Cena aplaudida vigorosamente pelo público.  

Lilia transmite os sentimentos de Rita tanto na tristeza, como na alegria, emocionando o público durante os setenta minutos que dura o espetáculo. Testemunhei muita gente, inclusive eu, com lágrimas nos olhos ao final.

A interpretação de alto nível de Lilia transcende aquelas de biografadas que comumente se vê em nossos palcos e, curiosamente, seu belo trabalho não recebeu sequer uma indicação de melhor atriz no primeiro semestre por parte dos jurados dos principais prêmios de São Paulo.

VIVA RITA LEE!

VIVA A MÚSICA BRASILEIRA!

VIVA LILIA CABRAL!

VIVA O TEATRO BRASILEIRO!

VIVA A NOSSA ARTE!! 

RITA LEE: BALADA DA LOUCA está em cartaz no Teatro FAAP até 09/08 às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 17h.

NÃO PERCA!! 

P.S. Infelizmente assisti ao espetáculo perto do fim da temporada. Gostaria muito de recomenda-lo para “muita muita muita” gente!! 

03/08/2026

domingo, 2 de agosto de 2026

LINHA DO TEMPO DO TEATRO NO BRASIL – DANIEL MARANO

 


Um tesouro!

Em novembro de 2017 escrevi o seguinte; “Conheci Daniel Marano em junho de 2017 quando ele estava no elenco da peça “A Tropa” no Teatro Sérgio Cardoso. Conversamos um pouco ao final do espetáculo e fiquei impressionado como aquele jovem com 27 anos se interessava apaixonadamente pela história do teatro brasileiro e pelo imenso acervo de fotos, vídeos e textos que ele disse possuir em seu acervo iniciado quando era ainda um garoto. Marcamos um bate papo para o dia seguinte e fiquei muito feliz com o fato de meu livro passar a fazer parte desse rico memorial do nosso teatro.

 Daniel me mostrou fotos raríssimas que iriam compor o livro que estava escrevendo o qual ainda não foi publicado, mas brevemente o será para a alegria dos que, como ele, são apaixonados pelas artes cênicas do nosso país. (*)

O meu acervo contempla em sua maioria o teatro que acontece nos palcos paulistanos e, ao que entendi, aquele de Marano é mais abrangente e deve ter um maior número de espetáculos da cena carioca. Somamos assim considerável material que um dia poderá ser extremamente útil na preservação da tão desprezada memória de nosso teatro.”

        Depois disso acompanhei o curso “A Aventura do Teatro Brasileiro” que ele ministrou virtualmente, fui entrevistado por ele para uma série sobre teatro e nossa tornamos bons amigos juntando forças para a preservação da memória do nosso teatro. Para sorte do teatro paulistano Daniel mudou para cá e hoje é curador do Teatro Estúdio.

        O livro citado no texto acima (*) foi publicado, segundo Daniel com algumas imperfeições, mas para mim uma fonte rara de fotos e informações e no dia de ontem (01/08/2026) ganhei esse tesouro e de lambuja com uma carinhosa dedicatória do autor.

        Vai ocupar lugar de honra na minha biblioteca.

        Obrigado, Daniel.

 

        02/08/2026

 

sábado, 1 de agosto de 2026

LIA LIA

 

Fotos de Ricardo Cefalli

Eulália, Maria, Amélia, Joana, Dalia, José, Camélia, Pedro, Adélia, João, Lia, Lia...

Fragmentos da vida de um ser humano 

        Em flashes rápidos e não na ordem cronológica vamos tomando conhecimento de fatos da vida de uma mulher chamada Lia, fatos esses que também podiam fazer parte da sua ou da minha vida. O texto teatral é uma adaptação feita por Bete Coelho do livro “Lia: Cem Vistas do Monte Fuji” de Caetano W. Galindo.

        Dirigido por Bete e codirigido com toques cinematográficos por Gabriel Fernandes, “Lia Lia” é um espetáculo de rara beleza visual graças ao cenário emaranhado de “fios da vida” concebido por Daniela Thomas e Felipe Tassara, ao incrível desenho de luz de Beto Bruel, ao conjunto de oito mulheres dispostas simetricamente em dois grupos de quatro ao lado do cenário que, qual um coro de tragédias gregas, comenta e narra as ações vividas esplendidamente por Lia (Bete Coelho) e Lia (Camila Pitanga), além da presença de um homem (amante, pai) na vida de Lia interpretado por Roberto Audio. Destaque também para as participações de Laís Lacôrte (mãe e filha de Lia) e Lindsay Castro Lima como uma vizinha bisbilhoteira. Alunas do Núcleo de Artes Cênicas – NAC, do SESI-SP compõem exemplarmente o coro cênico.

        Outra beleza da montagem é a movimentação milimétricamente precisa do elenco  concebida por Bete Coelho que se assemelha aos passos de uma coreografia.

        Bete e Camila se revezam com muita garra como Lia. Bete, generosamente, cede para Camila cenas excelentes que incluem até uma interação delicada e afetiva com uma pessoa da plateia.


        Os aplausos calorosos do público heterogêneo que frequenta o Teatro do SESI ao final do espetáculo demonstram a compreensão da narrativa fragmentada da peça.

        LIA LIA cumpre curta temporada até 09/08 no Teatro do SESI de quarta a sábado às 20h e aos domingos às 18h.

        NÃO DEIXE DE VER!

 

        01/08/2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO AOS PEIXES

 


- AH! COMO É BONITA A LÍNGUA PORTUGUESA!

Essa foi a minha reação após ouvir o texto do Padre Antônio Vieira (1608-1697) dito por Márcio Vito e Moacir Chaves.

Para ouvidos tão acostumados com a linguagem coloquial do dia a dia comendo erres e esses e cheia de imperfeições, chega a ser surpresa e mesmo uma descoberta ouvir o português castiço do Padre Vieira nas vozes desses dois intérpretes.

Em um palco quase nu Márcio e Moacir se revezam na interpretação desse sermão que denuncia o tratamento dado aos povos indígenas pelos colonizadores portugueses. Apesar de seus quase quatro séculos de existência o tema do sermão, infelizmente, continua atual. As falas são permeadas por música executada ao vivo por Gustavo Corsi.

Moacir Chaves é velho conhecido de nossos palcos como diretor de mais de uma dezena de espetáculos que aqui chegaram (“Sermão da Quarta Feira de Cinzas”, também de Padre Vieira; “Bugiaria”; “Utopia” e “A Lua Vem da Ásia” entre outros), mas é a primeira vez que surge como ator e o faz com muita espontaneidade e talento estabelecendo simpático contato com o público.

Márcio Vito já havia mostrado seu talento no ano passado com o solo “Clautrofobia” e o reforça agora contracenando com Moacir nessa pequena joia em cartaz na cidade.

Atuações e dicções impecáveis fazem realmente o público se surpreender com a beleza da nossa língua. Só por isso já teria valido a pena assistir a esse espetáculo, mas o texto do Padre Vieira completa o prazer. 

SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO AOS PEIXES está em cartaz no SESC Pinheiros até 08/08. Quinta a sábado, 20h30. Na sexta também às 16h. 

31/07/2026

terça-feira, 28 de julho de 2026

NO ESCURINHO DO CINEMA

 

        Indo ao teatro de quatro a cinco vezes por semana tem me sobrado pouco tempo para ir ao cinema, arte que gosto tanto quanto o teatro.

        Aproveitei o início desta semana para pôr alguns filmes em dia.

        Na segunda feira criei coragem para descer a montanha que vai da Avenida Paulista até o CineSesc: a descida íngreme e a calçada irregular são verdadeiros desafios para um portador de bengala.

        A sala de espera do CineSesc está com uma pequena e bela exposição sobre os cinemas de rua de São Paulo e isso me fez lembrar que esse espaço já surgiu como cinema de arte em 1969 com o nome de Cine Orly e exibindo na estreia nada mais, nada menos que “Eu Te Amo, Eu Te Amo” (1968) de Alain Resnais.


Em 1975 mudou o nome para Cinema Um e em 21/09/1979 foi adquirido pelo SESC passando a chamar-se CineSesc.

A exposição mostra um pouco do que foi a nossa Cinelândia onde os cinemas de rua reinavam absolutos com cartazes gigantescos dos filmes em cartaz.

Assisti a dois filmes:

- O CONVITE (2026), direção de Olivia Wilde. Os dois primeiros terços do filme são muito bons levando a crer que teremos uma comédia amarga ao gosto de Edward Albee, mas depois da tentativa de troca de casais o filme começa a explicar tudo bem ao modo do cinema norte americano e tem um final feliz e conservador para não desagradar as “famílias”.

E a Clarice sempre presente! 

        - ECOS DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO (2026), direção de Daniel Solá Santiago. Fui esperando um documentário sobre o lendário TEN criado por Abdias Nascimento, mas como o título “Ecos” anuncia, trata-se mais da influência que os grupos negros contemporâneos tiveram do TEN. É um belo filme e tem depoimentos preciosos de Ruth de Souza, Lea Garcia, Milton Gonçalves e João Acaiabe, entre outros.

        Na terça feira fui ao oftalmologista no Shopping Santa Cruz e depois de comer um delicioso cheeseburger na Achapa e saborear um enorme Chocochapa (sorvete em taça que ressuscita o Chocolamour da saudosa Sorveteria Alaska) resolvi enfrentar uma sessão de cinema.

        - A ODISSEIA (2026), direção de Christopher Nolan.

        Sentei numa poltrona D-BOX que provoca vibrações e trepidações de acordo com o que acontece no filme.

        O filme é bem realizado, tem um bom elenco e procura mostrar os incidentes relatados por Homero na saga de Ulisses na tentativa de volta a Ítaca e à sua amada Penélope. Como todo filme norte americano ele não deixa de sucumbir a muitas cenas de luta e violência e a um final feliz.

 Fazer o quê??

 

28/07/2026

domingo, 26 de julho de 2026

IDIOTA CONVICTO

 

Hugo Possolo é a entidade palhaça do teatro paulistano atual.

Rio “a bandeiras despregadas” com ele desde o início dos anos 1990 quando se formou os Parlapatões. Quem não se lembra de “Sardanapalo” (1994) e “ppp@WLLMSHKSPR.br” (1998)? São também inesquecíveis seus dois solos “Prego na Testa” (2005) e “Eu Cão Eu” (2012).

Ei-lo de volta com um saboroso solo que está sendo apresentado apenas aos sábados às 22h no Espaço Parlapatões.

Dramaturgas (Ana Saggese, Maíra Dvorek e Michelle Ferreira) e dramaturgos (Luís Alberto de Abreu e Sérgio Roveri) escreveram pequenos textos para Hugo que os costurou no roteiro de “Idiota Convicto” e o resultado tem a cara do “costureiro”!

Hugo tem aquela característica dos bons palhaços ao nos fazer rir e depois refletir sobre as misérias humanas.

- Seria cômico, se não fosse trágico, mas já que estamos aqui, vamos rir.

Esse parece ser o pensamento das várias personagens que compõem “Idiota Convicto”.

Aos quase 64 anos de idade e 45 de carreira, Hugo Possolo continua mostrando seu tão bem-vindo humor e talento ao público da cidade.

Longa vida à nossa entidade palhaça!

 

26/07/2026

sábado, 25 de julho de 2026

ENTRE IRMÃOS

 

Dionísio abençoou o aconchegante Espaço Convivência do Teatro Vivo iluminando o curador André Acioli para trazer apenas excelentes espetáculos para o local.

Ali já foi a sala de espera de um consultório médico (“Um Pequeno Incidente”), a sala dos professores de uma escola (“Oleanna”) e agora é o salão de um velório em “Entre Irmãos”. Todas elas com um mínimo ou nenhum cenário fazendo a magia da imaginação do espectador se manifestar de uma maneira que só o teatro permite. As três peças também são apenas com dois intérpretes.

Ao adentrar o velório uma visitante desatenta danificou parte do esquife que foi imediatamente restaurado pela organização da casa. Como se vê, o público participa do velório do pai de dois irmãos que não se encontravam há mais de vinte anos. Enquanto um deles ficou na família, se anulando profissionalmente para ajudar o pai na condução de um restaurante, o outro abandonou a todos após a morte da mãe tornando-se um fotógrafo de certa relevância. O encontro traz de volta muitos rancores e um acerto de contas doloroso para ambas as partes. Certas revelações mudam o caminho da trama em recurso bastante melodramático, no entanto a direção precisa de Marcos Damigo e, principalmente, a excelência dos intérpretes Fernando Pavão e Otávio Martins nunca fazem a ação resvalar para o melodrama, mantendo a dignidade do drama enfrentado pelos dois irmãos.

Qualquer pessoa que já esteve em um velório sabe que seu olhar passeia pelo caixão com o falecido, pelos familiares e pelas outras pessoas ali presentes e é exatamente isso que acontece nesta montagem: olhamos para o caixão com o cadáver (outra vez a magia da imaginação), para o embate entre os dois irmãos e para a reação das outras pessoas presentes na plateia (opa, no velório!) que estão sentadas em nossa frente.

Otávio Martins tem uma brilhante composição como o irmão mais velho que permaneceu com o pai, personagem tensa e estressada que mantém o corpo contraído durante toda a ação e os braços em torno do peito parecendo compensar a carência de toda uma vida. A atuação de Otávio explicita todos esses sentimentos. Já Fernando Pavão tem uma atuação mais interiorizada condizente com a personagem do irmão caçula que teve outro tipo de vida depois que abandonou a família. Duas excelentes interpretações que se complementam e envolvem o público presente.

Não assisti à montagem original concebida para palco italiano, mas acredito que a peça ganhou muito mais nesta versão onde o público participa do velório.

A trilha sonora de Ricardo Severo e o desenho de luz de Beto de Faria comentam e complementam a ação da peça. É muita bela a iluminação da cena em que um início de agressão termina em abraço emocionado dos dois irmãos.

Belo, digno e emocionante ENTRE IRMÃOS é um trabalho que precisa ser visto.

Em cartaz de 24/07 a 13/09. Sexta e sábado, 20h e domingo, 18h no Espaço Convivência do Teatro Vivo.

 

25/07/2026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

MANIFESTO

 

“Por tão poucos terem tanto, é que tantos têm tão pouco”

(Eduardo Marinho) 

        Desconheço como foi que Lee Taylor conheceu Eduardo Marinho, mas vejo como foi importante ele ter trazido a público, por meio deste espetáculo, a vivência e os pensamentos desse homem de aparência simples e com um conteúdo humano imenso e rico.

Lee fez a organização dramatúrgica das falas e escritas de Marinho, mas o mérito do rico conteúdo do texto  é totalmente creditado a Marinho, artista de rua, escritor e ativista social, também chamado de “filósofo de rua” vindo de uma família conservadora de classe média que, como a maioria dos jovens, obedeceu o pai militar na escolha do seu futuro, tentando carreira militar, partindo depois para uma formação universitária cursando Direito e finalmente  rompendo com tudo e com todos de maneira corajosa indo viver na rua em busca de um sentido para sua vida e de uma sinceridade que ele não encontrava no mundo burguês. A saga de Marinho é rica em detalhes e suas observações sobre o mundo e a sociedade são profundas e importantes, haja vista a frase que serve de epígrafe para esta matéria.

Tal qual Charlie Chaplin, Lee Taylor tem total domínio corporal/facial em cena, com a vantagem de que ele fala e tem belíssima e possante voz. É um verdadeiro privilégio ver Lee tão de perto incorporando em cena a figura de Marinho.

Dirigida por Georgette Fadel com codireção do próprio Lee, a encenação tem resoluções cênicas simples, mas muito belas e criativas como o uso da luz e das sombras e aquelas que acontecem na capota de Kombi presente em cena, carinhosamente batizada de Celestina por Marinho.

As palavras e os desenhos de Marinho que complementam o texto dito pela personagem, vão surgindo aos poucos em cartazes que vão sendo pendurados em varais.

Soluções aparentemente óbvias, mas que necessitam de muita criatividade para surgirem e quando aparecem vem a reação “Puxa! Como não pensei nisso antes?”

MANIFESTO é outro monólogo masculino surgido numa temporada repleto deles, mas tem destaque especial pela riqueza do texto e pela belíssima interpretação de Lee Taylor que colhe mais um sucesso em sua sólida carreira teatral.

Na noite de 22/07/2026 Eduardo Marinho estava presente sendo abraçado efusivamente por um emocionado Lee Taylor ao final da apresentação sob os aplausos do público que também não escondia sua emoção após tamanha demonstração de solidariedade e humanidade.

COMO ESTAMOS PRECISANDO DISSO!

O espetáculo é apresentado no pátio da unidade da Funarte de quinta a sábado às 19h30 e domingos às 19h.

E essa preciosidade tem ingressos gratuitos!

23/07/2026