1 – A primeira montagem
Em 2009, apesar da excelência do autor (Newton Moreno), do diretor (Aderbal Freire Filho) e das atrizes (Andrea Beltrão e Marieta Severo) para mim algo não funcionou e sai do espetáculo frustrado quando vi a expectativa de ver esse quarteto de ouro não ser correspondida. O espetáculo fez muito sucesso e agradou a maioria das pessoas e, talvez, eu não estivesse em um bom dia para usufruir do mesmo.
2 – Pura delícia
Quase dezessete anos depois Juliana
Linhares teve a ideia de fazer um musical com a peça e o resultado é essa
delícia ora em cartaz no SESC Bom Retiro.
Chico Cesar musicou letras escritas
por Moreno, escreveu algumas letras e aproveitou “incelenças” que já constavam
do original e o resultado é uma bela partitura muito bem dirigida e arranjada
por Elisio Freitas. Um quarteto de músicos acompanha toda a encenação.
O texto de Moreno parece ter ganho um
frescor com o reforço na gaiatice das personagens, algo muito valorizado por Laila
Garin (Socorro), Juliana Linhares (Zaninha) e o músico Leandro Castilho em
diversos papeis. Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto são referências
muito bem-vindas nesta obra do dramaturgo e não há como não lembrar de João
Grilo e Chicó na relação e nas atitudes das duas carpideiras, assim como na
aparição de Nossa Senhora em “O Auto da Compadecida” na hilária cena em que
Socorro se veste de Deus para salvar Zaninha da morte. Longe de imitação,
trata-se de inspiração que valoriza ainda mais a obra desse grande autor.
Luiz Carlos Vasconcelos, diretor do
memorável “Vau de Sarapalha”, mais uma vez acerta acentuando o humor do texto e
valorizando o trabalho do elenco, auxiliado pela parte musical já citada acima,
pela movimentação das atrizes orquestrada por Vanessa Garcia, pela cenografia discreta,
mas eficiente de Aurora dos Campos, iluminada por Elisa Tandeta e os figurinos
(Kika Lopes e Heloisa Stockler), incluindo os crochets de Juliana Martins.
Se há um senão, e sempre há um senão,
fica por conta das mudanças de figurino das atrizes de uma cena para outra,
sempre realizadas da mesma forma com elas na penumbra, enquanto o conjunto toca
uma música até elas estarem prontas e entrarem em cena novamente. Essas
interrupções quebram momentaneamente o encanto do espetáculo e talvez pudessem
ser realizadas de forma mais criativa.
O teatro brasileiro fica em festa com
um espetáculo como esse, sentindo-se forte e valorizado.
Viva o teatro brasileiro!
AS CENTENÁRIAS está em cartaz no SESC
Bom Retiro até 14 de junho de quinta a sábado às 20h e domingos às 18h.
O teatro é pequeno para comportar
espetáculo tão bom e de forte apelo popular, por isso CORRA para adquirir o seu
ingresso.
15/05/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário