Cesar Ribeiro tem estilo. Simples
assim.
Seus espetáculos têm marca própria na beleza da cenografia (sempre assinada por J.C. Serroni), na potência dos figurinos (Telumi Helen), no forte visagismo (Louise Helène), na iluminação (Rodrigo Palmieri, na atual montagem), na sempre surpreendente trilha sonora escolhida por ele mesmo, na escolha do elenco que pode contar, sempre que possível, com a presença iluminada de Clara Carvalho e na escolha de temas fortes que reproduzam o caos e a violência da contemporaneidade.
CENOGRAFIA X FIGURINO X VISAGISMO X
TRILHA X ELENCO X TEMA
Não que outros encenadores não estejam
atentos a esses pontos; mas o que distingue Ribeiro é o fato que ele enfatiza
cada um deles com profissionais altamente qualificados, para depois
equilibrá-los dando uma uniformidade que resulta no espetáculo final.
Essa forte atenção aos seis
componentes e o equilíbrio deles forma a cartilha desse encenador que nos
surpreende a cada novo espetáculo.
Uma vez cumpridos cenografia,
figurino, visagismo, trilha e elenco, resta o tema – via dramaturgia - para
completar o espetáculo.
No meu modo de ver os espetáculos melhor
sucedidos de Ribeiro foram aqueles que tinham dramaturgias consistentes [“Esperando
Godot” (2017), “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” (2021), “Dias Felizes”
(2023) e “Trilogia Kafka” (2025)].
Dramaturgias frágeis a partir de
textos não teatrais resultaram em espetáculos menos felizes [“Dias de Amor e de
Guerra” (2024), “Projeto Clarice” (2025) e o atual “Projeto Wislawa” (2026)].
Uma grande exceção foi “Prontuário 12.528” (2024) onde a dramaturgia de Cesar Ribeiro costurou de forma brilhante textos de sua autoria com textos que vão desde Pero Vaz de Caminha até Luis Fernando Veríssimo. O resultado foi uma dramaturgia consistente e poderosa.
Para ilustrar a obra da escritora
polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), Ribeiro se vale do artifício de
colocar em cena uma mulher condenada à morte por assassinar Wislawa. Essa
mulher (papel de Clara Carvalho) serve como narradora e condutora da ação que
conta com intervenções da poetisa interpretada por Vera Zimmermann. A sequência
dos textos pareceu confusa para este espectador que desconhece a obra de
Wislawa tornando o espetáculo um pouco cansativo apesar da curta duração.
Clara Carvalho sempre surpreende a
cada novo trabalho e acrescenta mais um ponto em sua carreira. A voz estridente
e expressões corporais marcantes são as novidades desta atuação.
Vera Zimmermann também tem uma rica
atuação formando uma dupla coesa com Clara.
Projeto Wislawa é um espetáculo sério, digno e muito belo que merece ser visto e prestigiado.
Em cartaz no Teatro Paulo Eiró até
01/03.
Quinta a sábado, 20h e domingo, 19h
13/02/2026
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