Os milénios não foram
suficientes para o homem aprender a ver a morte
(André Malraux)
No seu dia a dia, os médicos
especialistas em cuidados paliativos procuram sempre desmentir essa frase do
escritor francês.
Ana Claudia Quintana de Moraes
(-1970), é uma dessas profissionais, além de ter vários livros sobre como
enfrentar a morte, afinal a morte faz parte das nossas vidas desde o dia em que
nascemos.
Claudia Barral e Marcos Barbosa
coletaram vários casos que aparecem nos livros de Ana Claudia e criaram uma
dramaturgia onde uma atriz incorpora a médica e conta esses casos na forma de
uma palestra para os espectadores.
Tema árido e espinhoso que Fernando
Nitsch soube tratar com muita sensibilidade dosando a palestra da médica com a
participação de uma graciosa e atenciosa assistente (Tita Couto) e as incríveis
imagens criadas por André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo).
Todos os spots vão para a excelente composição de Letícia Cannevale como a médica palestrante que se dirige diretamente ao público de maneira envolvente e simpática. As tristezas e as alegrias desse trabalho tão delicado que lida com a finitude são compartilhadas com os espectadores de forma direta e com muita emoção.
A peça absolutamente não é depressiva,
pois ao tratar de como lidar com a morte, faz uma celebração da vida.
O tema dialoga com o livro “O Último
Suspiro – Acompanhar o fim da vida” (Le Dernier Souffle – Accompagner la fin de
vie) de Claude Grange (médico) e Régis Debray, que resultou em um belo filme dirigido
pelo realizador greco-francês Costa Gavras exibido em nossos cinemas em 2025.
Tema muito importante e necessário
para melhor compreensão da vida e de sua finitude precisa ser visto e refletido
por todos.
A estreia emocionada da peça contou
com a presença iluminada da Dra. Ana Claudia.
A peça está em cartaz no Teatro Vivo às
quartas e quintas às 20h.
NÃO DEIXE DE VER!
04/07/2026



















