sexta-feira, 23 de outubro de 2026

SOPRO

 

            Recorrendo ao “Dicionário de Teatro” de Patrice Pavis: “O ponto ajuda os atores em dificuldade, falando em voz baixa, soprando, articulando bem, mas sem gritar, escondido na coxia ou em uma concha colocada no meio e na frente do palco... Ao observar os atores, o bom ponto deve saber antecipar o erro ou a dificuldade e interferir no momento exato”.

        Essa definição deveria estar no tempo passado pois essa função criada no século XVIII, hoje está extinta.

        Pode-se dizer que o ponto seria o bastidor dos bastidores do teatro.

        Pois é essa figura sempre invisível para o público que o dramaturgo português Tiago Rodrigues (1977) coloca em cena como protagonista da peça “Sopro”: Cristina Vidal, uma profissional de teatro que exerceu a função de ponto de 1978 até a sua extinção (a cena portuguesa foi uma das últimas a fazê-lo no mundo todo).

Na montagem dirigida pelo autor, “quase” assistida presencialmente em São Paulo em 2020 na MITsp (os teatros fecharam devido à pandemia da Covid dois dias antes da apresentação) era a própria Cristina que fazia o papel. A peça ficou disponível de maneira virtual durante algum tempo.

        Seis anos depois Marco Antonio Rodrigues traz à cena paulistana uma nova montagem com Noemi Marinho (sempre ótima) representando Cristina Vidal, a “ponto”. A novidade aqui é que apresentação é pontuada por canções compostas por Zeca Baleiro, na maioria das vezes vindas da bela voz de Amanda Acosta.

        Nesse belo exercício de meta teatro a “ponto” dialoga com o diretor (Dagoberto Feliz) que teve a ideia de montar uma peça com ela no papel principal. Surgem em cena a diretora de outras montagens (Amanda) e atrizes (Biah Ramos e Nada Rocco) e ator (Nicolas Trevijano) que apresentam cenas de montagens onde a “ponto” participou, entre elas “As Três Irmãs” de Tchekhov, “Antígona” de Sófocles e “Berenice” de Racine.

        O texto utilizado foi o original escrito em português lusitano e Marco Antonio optou para que o elenco falasse com esse sotaque, algo que nem sempre acontece com alguns dos intérpretes. Noemi, que tem grande parte das falas da peça, mantém o sotaque de ponta a ponta e marca mais um ponto em sua brilhante trajetória.

        O cenário da peça de autoria de Ulisses Cohn representa os bastidores de um teatro e é iluminado sempre com o toque poético de Aline Santini. Os figurinos levam a assinatura de Cassio Brasil.

O sopro da “ponto” Noemi, dirigido por  Marco Antonio é uma festa repleta de guloseimas teatrais para quem faz e para quem ama teatro, podendo também agradar bastante ao público em geral.

SOPRO está em cartaz no SESC 14 Bis de 22 de outubro a 15 de novembro. Quinta a sábado, 20h/Domingo,18h.

NÃO DEIXE DE VER! 

23/10/2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

FILUMENA MARTURANO

 

 

 1 -Um pouco de história

        O dramaturgo napolitano Eduardo De Filippo escreveu “Filumena Marturano” em 1946 no imediato pós segunda guerra numa Itália, em especial do Sul, devastada pela pobreza e pela fome. A peça foi escrita para sua irmã Titina. Em 1951 Eduardo dirigiu o filme sobre a peça com Titina como Filumena e ele como o seu companheiro Domenico.

        Em 1964 Vittorio De Sica dirige sua versão (“Matrimônio à Italiana”) tendo Sophia Loren e Marcello Mastroianni nos papeis principais.

        Em 1979 Laurence Oliver filma a peça com Joan Plowright e Frank Finlay.

        No Brasil a peça foi montada em 1988 no Rio de Janeiro com direção de Paulo Mamede tendo os saudosos Yara Amaral e José Wilker como protagonistas. Yara foi substituída por Nathália Timberg após sua trágica morte no réveillon de 1988/1989 com o naufrágio do Bateau Mouche na Baía de Guanabara.

                2 -A Filumena do TAPA

Esta Filumena só podia dar certo! 

Como que o ótimo texto de Eduardo De Filippo sob a direção sempre precisa de Eduardo Tolentino, interpretado por um elenco de ouro e com a produção sempre cuidadosa de Mauricio Inafre poderia dar errado?

NUNCA!

O comerciante Domenico conheceu Filumena em um bordel e eles vivem juntos há 25 anos. Ao saber que ele pretende se casar com uma jovem, ela finge estar à beira da morte pedindo como último desejo que ele se case com ela.

A peça inicia quando Domenico descobre as artimanhas que Filumena armou para que ele se casasse com ela e dá margem aos primeiros momentos hilários da peça quando os criados da casa Alfredo (Walter Breda) e Rosália (Maria do Carmo Soares) quase roubam a cena com suas reações mudas às imprecações de Domenico (André Garolli) e as reações não menos intempestivas de Filumena (Sandra Corveloni).

O elenco formado pelo imenso talento desse quarteto muito bem acompanhado pela criada Lucia (Mari Teixeira), pelos três filhos de Filumena (Ivan Nóbrega, Felipe Souza e Ruiz Angellus), pelo advogado (Daniel Volpi) da amante Diana (Luisa Ferrari) de Domenico garante o humor reinante durante toda a duração da peça dirigida com o habitual esmero de Eduardo Tolentino de Araujo. Poucas vezes se vê elenco tão uniforme na qualidade do desempenho.

Não há como não destacar mais uma vez o brilhantismo de André e Sandra e a garra com que defendem suas personagens.

Momentos como aquele em que Domenico bate a cabeça de Lucia na cristaleira e outro em que ele escorrega no tapetinho da sala enriquecem ainda mais essa gostosa comédia napolitana.

Sandra tem outros momentos memoráveis como Filumena, ora cantando “canzonetas” napolitanas, ora relembrando a sua origem pobre e difícil e ainda quando enfrenta com energia o machismo de Domenico.

Como toda produção com a marca TAPA há muito cuidado com a cenografia (Flavio Tolezani), com a iluminação (Wagner Pinto) e com os figurinos (Mariana Baffa).

O bem-vindo programa impresso contém textos e belas fotografias de Ronaldo Gutierrez.

Trata-se de uma comédia popular muito engraçada e bem realizada que agradará em cheio o público frequentador do Teatro do SESI. Excelente como formador de público, porque quem vai ao teatro perla primeira vez e assiste a espetáculo tão delicioso como esse vai querer voltar.

Com todo esse humor a peça não deixa de fazer uma crítica severa ao patriarcado e revelar a capacidade da mulher de reagir e enfrentar o ambiente machista.

FILUMENA MARTURANO está em cartaz no Teatro do SESI até 20 de dezembro de quinta a sábado, 20h e domingo, 19h. Ingressos gratuitos.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL! 

18/10;2026

 

 

 

sábado, 17 de outubro de 2026

FRANCISCO DE ASSIS - 800 ANOS – O MUSICAL


Baseada em fatos históricos Alcione Alves descreve o jovem Francisco como um rapaz alegre que ajuda seu pai comerciante, mas que gasta tudo o que ganha com os amigos em festas e encontros. Ao perceber a miséria em que viviam os pobres de sua terra, inicia uma conscientização que o leva a distribuir seus bens aos menos favorecidos no que é seguido por alguns amigos e pela jovem Clara criando a ordem franciscana.

Alcione narra a curta vida de Francisco (ele morreu com 44 anos) com muita suavidade e muito amor no texto e na tradução cênica feita por ela mesma; Abigail Wimer compôs o belo comentário musical que acompanha o espetáculo e participa da banda ao piano.

Tudo é muito delicado na montagem, sem nenhum ranço de pregação religiosa. Trata-se “apenas” de mostrar um homem que com sua bondade e seu amor fez muito bem à humanidade.

O cenário da peça assinado por Otávio Donasci é dividido em dois níveis: o inferior é o terrestre repleto de cubos removíveis onde predomina a cor preta e o superior é o celeste onde predomina a cor azul. Tudo isso  belamente iluminado pelo desenho de luz criado por Vini Hideki e Silen de Castro.

Um elenco de 16 intérpretes, uma banda de 6 músicos e um grupo de oito euritmistas “celestes” compõem o grupo formado para contar a história de Francisco e Clara.

Do elenco bastante harmonioso cabe destacar as presenças de Maria Bia (bonita e ótima em vários papeis), Eduardo Leoni (perfil perfeito para interpretar Jesus Cristo em algum espetáculo), Carlos Meceni (surpreendente em cena), Silen Castro (a Diretora), Flavio Baiocchi (Ângelo, um dos seguidores de Francisco), Vini Hideki (bela presença em cena demonstrando seus dotes circenses), Tânia Paes (bela e suave como Clara) e Glau Gurgel (excelente composição da figura de Francisco). Todo o elenco interpreta e canta muito bem e as cenas corais são ótimas.


“Francisco” é um espetáculo digno e bem realizado que merece ser visto como antídoto para esses tempos de ódio e guerras onde parece que a humanidade rasteja para trás.

Em cartaz no icônico Teatro Maria Della Costa (que está a merecer uma boa reforma) até 29/10 com sessões às quartas e quintas às 20h30. 

16/10/2026

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

TEATRO FAAP 50

 

O Teatro FAAP é um aconchegante espaço situado dentro da Fundação Armando Álvares Penteado no Pacaembu. Dispõe de 477 poltronas e um espaçoso palco sustentado por duas enormes colunas que são um verdadeiro desafio à criatividade dos cenógrafos que ali têm que criar o cenário de um espetáculo.

Ao lado da bilheteria tem uma cafeteria e a sala de espera pode se estender para um amplo jardim situado defronte à entrada para a sala de espetáculos.

Há exatos 50 anos os spots do teatro se acenderam para iluminar o espetáculo de estreia da casa: “A Moratória” de Jorge Andrade com direção de Emílio Di Biasi tendo no elenco Mariam Mehler, Carlos Augusto Strazzer e Riva Nimitz entre outros.

A partir daí aquele palco recebeu cerca de 70 importantes espetáculos que fazem parte da história do teatro brasileiro realizados pelos nossos encenadores mais importantes ( José Possi Neto, Celso Nunes, Bibi Ferreira, Paulo Autran, Cacá Rosset, Aderbal Freire Filho, Jorge Takla, Jo Soares, Enrique Diaz, Felipe Hirsch, Elias Andreato, Charles Möeller, Duda Maia, Fernando Philbert, Rodrigo Portella, Gerald Thomas, só para citar alguns) e interpretados por Lilian Lemmertz, Paulo Betti, Antônio Fagundes, Paulo Autran, Irene Ravache, Juca de Oliveira, Gloria Menezes, Tarcísio Meira, Laura Cardoso, Rodrigo Santiago, Giulia Gam, pessoal do Ornitorrinco, os Parlapatões, Christiane Torloni, Beatriz Segall, Diogo Vilela, Debora Bloch, Raul Cortez, Marília Pêra, Debora Falabella, Maria Manoella, Marco Ricca, Denise Fraga, Yara de Novaes, Emílio de Mello, Fernando Eiras, Marco Nanini, Mariana Lima, Marcelo Medici, Lilia Cabral, Dan Stulbach, Marieta Severo, Marilia Gabriela, a Barca dos Corações Partidos, Mel Lisboa, Cacá Carvalho, Marcos Caruso, Totia Meirelles, Marisa Orth, Vera Holtz, Luciana Braga, Cassio Scapin, Amanda Acosta, Norival Rizzo, Marcos Vera e Edwin Luisi que são apenas  alguns dos nomes dos elencos de ouro que pisaram em um palco que se tornou sagrado, um verdadeiro “solo da fama”.

Como não lembrar de “O Homem Elefante” (1981), “De Braços Abertos” (1984), “Divinas Palavras” (1986), “A Comédia dos Erros” (1994), “Tio Vânia” (2003), “Mademoiselle Chanel” (2004), “Hamlet” (2008), “In On It” (2010), “Pterodátilos” (2011), “Incêndios” (2013), “Auê” (2016), “O Escândalo Philippe Dussaert” (2018), “By Heart”  (último espetáculo de 2020 dentro da MITsp seguido da pandemia que fechou os teatros por bom tempo), “F(r)icções” (2023), “Eu Sou Minha Propria Mulher” (atualmente em cartaz).

O Teatro FAAP tem um currículo notável não só na quantidade, mas principalmente na qualidade, garantida pelas curadorias que já passaram por ele, hoje nas mãos do Luque Daltrozo.

VIVA O TEATRO FAAP NO SEU MEIO SÉCULO!! 

12/10/2026

sábado, 10 de outubro de 2026

QUANDO DESPERTARMOS DE ENTRE OS MORTOS

 

O dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) escreveu esta sua última peça em 1899 aos setenta e um anos de idade e o escultor Rubek, protagonista da trama, poderia ser seu alter ego, pois tem idade próxima à sua e sofre de angústias pessoais e profissionais, algo que também podia estar acontecendo com ele na época da escrita.

Ao que se sabe essa peça nunca foi montada em São Paulo e teve apenas três apresentações no Theatro Municipal em 1991 dentro da “Mostra de Teatro da 21ª Bienal Internacional”, numa montagem assinada por Bob Wilson com Joel Grey (o mestre de cerimônias do filme “Cabaret”) no papel de Rubek.

Revendo um velho caderno meu da época escrevi que o espetáculo era visualmente muito bonito, mas pouco entendível porque não havia legendas.

Sendo assim, é muito bem vinda esta montagem produzida pelo “Ágora Teatro” para conhecimento desta importante obra de Ibsen, do qual conhecemos tantas outras.

A produção é muito bem cuidada a começar pela excelente cenografia assinada por Sylvia Moreira que contempla com muita beleza os três espaços exigidos pela peça, dando-se ao luxo de reproduzir parte de um quadro de Monet para compor o jardim da casa. Os figurinos (sóbrios para os homens e muito sugestivos e belos para as mulheres) também são de Sylvia. A cena é iluminada por Wagner Freire e Dan Maia percorre novos caminhos com uma belíssima e envolvente trilha sonora que remete àquelas  para cinema de John Barry.

Contando com essa incrível equipe criativa e um ótimo elenco Elias Andreato dirigiu o espetáculo obtendo um resultado harmonioso e belo.

Angelo Brandini tem uma rápida aparição no início como o inspetor, que na verdade não se sabe a quantas vem.

Fernando Nitsch é vigoroso na composição de Ulfheim, o caçador de ursos, exagerando às vezes nos gritos.

Maria Fernanda Candido representa a etérea Irene de maneira muito solene, algo que prejudica a personagem.

Maria Manoella como Maja, a esposa de Rubek, é uma grande figura em cena com sua beleza e sua classe. A cena entre ela e Frateschi no segundo ato é um grande, talvez o melhor, momento da peça.

Com todo seu talento, Celso Frateschi não faz esforço para brilhar como Rubek e acrescenta mais um tento em sua carreira.

Teatrão clássico muito bom que não deve agradar aqueles acostumados ao vapt vupt dos chamados “tempos modernos”.

O programa impresso contém uma importante matéria de Wellington Andrade para ser lida antes do início da peça para melhor fruição da mesma.

QUANDO DESPERTARMOS DE ENTRE OS MORTOS está em cartaz no SESC Pinheiros – Teatro Paulo Autran até 08 de novembro. De quinta a sábado, 20h e domingo, 18h 

Minha observação como espectador e não como o autor desta matéria: Seria mais elegante e mais justo que nos aplausos finais Celso trouxesse para a frente da cena não só ele e Maria Fernanda, mas também Maria Manoella que tem uma importante participação no espetáculo. 

09/10/2026

 

 

 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O NOME DO TANGO

 

Surgindo esporadicamente nos palcos paulistanos nos últimos anos, José Rubens Chachá tem bem-vinda volta à cena ao protagonizar este solo de sua autoria com direção afetuosa de sua filha Maíra Chasseraux.

Entre os anos 1976 e 1983 a Argentina sofreu tempos negros com uma violenta ditadura militar liderada por Jorge Videla. Nesse período eram comuns os voos da morte onde se despejavam no mar os corpos de presos políticos e a adoção, por famílias de militares, de bebês nascidos na prisão e retirados de suas mães presas políticas.

Quinze anos depois (a peça se passa em 1998), o escritor Lucho Cervan ainda sofre os traumas daqueles anos de chumbo. Sofrendo um processo de demência ele mistura fatos, esquece de outros e questiona sobre seu envolvimento com a ditadura. Sozinho em seu apartamento fala várias vezes com seu editor Gaia, a quem deseja fazer um pedido, e com o filho. Ouve muitos tangos enquanto tenta escrever sem sucesso o texto de um novo livro; quer lembrar de um determinado tango que, segundo ele, será a chave para voltar a escrever com sucesso.

O icônico “Cambalache” de Enrique Santos Discépolo e muitas composições de Piazzolla embalam as ações do velho escritor.

Depois de muito pensar, lembra do pedido que desejava fazer ao editor e telefona para o mesmo que se recusa a atendê-lo.

Quando finalmente lembra qual era o tango corre para a máquina de escrever, mas aí já é um pouco tarde. (assista à peça para saber porquê)

Chachá domina a cena com muito vigor e com as pitadas de humor que lhe são peculiares e é um verdadeiro prazer assistir a interpretação desse grande ator que, ao contrário da sua personagem, está em pleno domínio físico e intelectual.

O cenário de Júlio Dojscar reproduz o quarto de Cervan com as paredes repletas dos livros que ele escreveu e que foram publicados em todo mundo. Iluminação de Ney Bonfante e trilha sonora (muitos tangos maravilhosos!) elaborada por Sérvulo Augusto.

Maíra se vale de todos esses recursos teatrais e do foco no trabalho do pai para criar um espetáculo bonito, honesto e muito humano.

O NOME DO TANGO está em cartaz no Teatro Estúdio até 08/11 aos sábados e domingos às19h. 

07/10/2026

 

 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

SIDARTA

 

        O livro “Sidarta” de Herman Hesse foi uma febre entre os estudantes dos anos 1960. Enquanto o herói do livro caia na estrada em busca de iluminação e conhecimento, o jovem brasileiro também procurava seu lugar no mundo,

        A adaptação teatral do livro feita por Angel Ferreira contempla todas as fases da jornada de Sidarta narradas do livro: A vida entre os brâmanes / O ascetismo com os samanas e o convívio com Govinda / O encontro com Buda / O mundo material e o prazer carnal com Kamala / A sabedoria do rio e o encontro com o barqueiro Vasudeva.

Angel também assina a direção com colaboração de Beth Martins e Renato Livera

        Há em cena apenas um grande tapete e a belíssima iluminação assinada por Renato Livera e João Giogia que se responsabiliza por traçar os caminhos da personagem em sua jornada em busca de seu eu.

        Atuando sem roupa boa parte do espetáculo o ator Angel Ferreira usa apenas o seu corpo e sua voz para criar em cena não só Sidarta, mas também seu amigo Govinda, a sensual Kamala e o barqueiro Vasudeva. Sua excelente movimentação em cena tem colaboração de Alexandre Maia.

Angel tem carreira na televisão e participou de vários espetáculos teatrais no Rio de Janeiro, mas ao que se sabe este é seu primeiro trabalho importante em palcos paulistanos. Sua performance contida e cheia de pequenas nuances merece ser lembrada como um dos melhores trabalhos masculinos da atual temporada.

        Trata-se de uma joia rara, verdadeira obra de arte a ser apreciada suavemente no mesmo ritmo em que acontece. São duas horas do mais puro prazer estético.

        Os aplausos ao ator, contidos e respeitosos, ao final do espetáculo acompanham o ambiente criado, mas mereciam uma verdadeira ovação pela sua magnífica performance.

        “Sidarta” não pode ser ignorado pelos amantes do bom teatro e precisa ser prestigiado em sua temporada no Teatro Estúdio durante outubro. Sexta, 20h / Sábado e domingo, 17h.

        06/10/2026