Felipe Hirsch já provoca e
irrita de início com o programa da peça impresso em papel vegetal com os textos
sobrepostos só legíveis com uma folha em branco atrás da página, além disso a
virada da página é bem dificultosa pela fragilidade do papel.
A provocação e a irritação continuam
ao longo do espetáculo apesar de excelentes momentos onde se mostra a perfeita
sintonia do elenco na emissão de sons e vozes e a força e a beleza de alguns
textos. A irritação provém da repetição de cada cena até a exaustão e não resta
dúvida que essa é outra provocação do encenador.
Em certas cenas a sensação é a mesma
daquela quando se ouve certas composições radicais de compositores
contemporâneos (Stockhausen, John Cage e mais atualmente Tan Dun):
estranhamento inicial>>reconhecimento dos signos>>fruição (ou não).
O elenco está perfeitamente afinado
com a proposta de Hirsch e cada um tem momentos importantes: Milla Fernandez
que vem de uma temporada de sucesso de “Tip”
encarrega-se da locutora do rádio e da DJ; Roberta Estrela d’Alva, entre outras
coisas, “fiscaliza a meditação” do
público; Gabriela Geluda empresta sua voz lírica para várias cenas; Pascoal da
Conceição faz uma previsão da ocorrência da morte e até canta em francês;
Renato Virela tem bons momentos ao dublar o som das estações de rádio e Thalin
faz um belo solo de contorcionista/dançarino.
Não há como não destacar o brilho de
Georgette Fadel tanto como o bebê da
cena inicial como em todos os diversos solos que ela apresenta. Depois de sua
excelente composição de Joana em “Gota d’Água”, Georgette volta a demonstrar
sua versatilidade e talento neste espetáculo.
Em pouco mais de três horas Felipe
Hirsch mostra sua Orkhestra Phantasma que, a meu modo de ver, renderia muito
mais se durasse uma hora a menos, mesmo mantendo todas as cenas presentes.
O negócio é seguir o conselho de Hirsch: “Esqueça tudo. A cabeça é sua.”
ORKHESTRA PHANTASMA está em cartaz no SESC Vila Mariana até 02/08 de quinta a sábado às 20h e domingo às 18h.
22/08/2026









