Sim!! Existe autoficção inteligente,
criativa e que transcende o umbigo do autor.
Sergio Blanco é o melhor exemplo disso com
suas peças, muitas delas já encenadas por aqui, sendo que aquela que para mim é
a melhor resolvida (“O Bramido de Düsseldorf”), curiosamente ainda não subiu em
nossos palcos em montagem brasileira.
“Tráfico” teve uma rápida passagem por
São Paulo em 2019, após se apresentar no Festival de Curitiba. Dirigida pelo
autor, tinha o ator colombiano Wilderman García Buitrago como intérprete.
Blanco ao conhecer o ator Robson
Torinni viu nele o tipo físico ideal para interpretar Alex, o personagem de
“Tráfico”. Traduzida por Carolina Virguez, Robson Torinni e Victor Garcia
Peralta e adaptada para a montagem brasileira pelos dois últimos. a peça
estreou no Rio de Janeiro em 2022, tendo cumprido temporadas de sucesso desde
então. Finalmente chega em São Paulo em 2026, estando em cartaz no Teatro
Estúdio.
Alex, um rapagão bonito, de classe
baixa, vive na periferia de uma cidade qualquer e sobrevive como garoto de
programa e depois se aprofunda na marginalidade atuando como matador de
aluguel. Blanco define a personagem assim: “Alex tem trinta e três anos, é
belo e mora na periferia de uma cidade qualquer. Tem uma moto. Uma arma. E um
celular. Só isso”.
Ao mesmo tempo que tem prazer em
contar sobre suas atividades, Alex vai a igreja confessar seus pecados, chora
ao lembrar de sua mãezinha e chega a se apaixonar por um de seus clientes, um
francês chamado...Sergio Blanco, que é dramaturgo e está escrevendo um monólogo
chamado “Tráfico”!! (desta vez a personagem de Blanco não aparece em cena).
Sem qualquer qualquer conotação sexual
é preciso declarar que a presença física de Robson Torinni é um colírio para os
olhos e é com muita simpatia e sorrindo que ele recebe o público.
Além do físico exuberante, Torinni é
um excelente ator e tem uma interpretação visceral como Alex, merecendo todas
as indicações que recebeu aos prêmios cariocas de 2022. O fato deve se repetir
em São Paulo.
A motocicleta presente na montagem de
Blanco é aqui substituída por dois espelhos que a substituem de forma eficaz e
tornam a cena muito bonita. A iluminação de Bernardo Lorga comenta e
complementa toda a ação. O diretor Peralta também se vale da brilhante direção
de movimento assinada por Toni Rodrigues que dá maior colorido à interpretação
de Torinni.
O ano, ao que parece, será pródigo em
memoráveis interpretações masculinas. Robson Torinni junta-se a Rafael Primot
(Habitat), Edu Moscovis (O Motociclista no Globo da Morte), Gabriel Leone
(Hamlet), Marco Antônio Pâmio e Luciano Gatti (Nós, os Justos) nessa lista dos
melhores.
TRÁFICO está em cartaz no Teatro
Estúdio até 03 de maio com sessões sextas e sábados 20h e domingos 18h.
IMPERDÍVEL!
15/03/2026

















