Existem assuntos tabus que precisam
vir à baila para serem discutidos e dentro do possível serem prevenidos. A
saúde mental, a depressão que vem ocorrendo entre jovens, levando muitos deles
a atitudes extremas são alguns desses assuntos que em bom momento nosso teatro
vem discutindo.
Depois de “O Filho” e “Etiqueta do
Luto”, “Aqui, Agora, Todo Mundo” trata também desse assunto espinhoso. Enquanto
nas duas primeiras o depressivo é apresentado por meio de seus familiares, na
última é ele próprio que fala de seus problemas.
O texto da peça de Felipe Barros é
inspirado no livro homônimo de Alexandre Mortagua, mas parece conter também
elementos de sua própria vida e o resultado é um retrato corajoso de jovens com
a saúde mental comprometida. A dramaturgia é assinada por ele e pelo diretor
Heitor Garcia.
Sozinho em cena o autor vai narrando a
sua trajetória guiado pelas fichas previamente distribuídas para o público que
são levantadas aleatoriamente. Felipe é um bom ator e tem boa comunicação com o
público.
Valendo-se de um belo e preciso
desenho de luz de Rodrigo Pivetti e um potente desenho de som de DJ Agatha que
inclui músicas de Jaloo, Heitor Garcia dirige o espetáculo com segurança
incomum para um estreante na função, não desviando a sua atenção no ator em
nenhum momento.
Ao final do espetáculo a dramaturga
Nanna de Castro fez um comovente e corajoso relato sobre os problemas relativos
à saúde mental de sua filha de 16 anos que culminaram com o seu suicídio.
Que um espetáculo como esse sirva de alerta para os familiares de jovens e para todos que convivem com pessoas depressivas.
AQUI, AGORA, TODO MUNDO está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso aos sábados, domingos e segundas às19h até 1º de março.
05/02/2026













