Existem espetáculos com temas
bastantes importantes, excelentes encenações e trabalhos preciosos de atrizes e
atores que passam quase desapercebidos em suas temporadas curtas, muitas vezes
realizadas em teatros distantes e sem a devida divulgação por parte da mídia.
Isso acontece com a maioria dos trabalhos realizados na periferia da cidade por
grupos alternativos e acontece também com “Elogio da Loucura”, que se baseia em
obra de um importante pensador e que tem no elenco uma atriz do porte de Leona
Cavalli.
Ao que me consta em São Paulo a peça
passou por rápidas temporadas pelo SESC Belenzinho (2022) e pelo Teatro J.
Safra (2024) e se apresenta agora por apenas duas semanas na Caixa Cultural,
sempre com pouca divulgação e repercussão.
É obra do filósofo e humanista
holandês Erasmo de Rotterdam (1466-1536) onde a Loucura, filha de Plutão e da
ninfa da Alegria surge em pessoa para conclamar os benefícios daqueles que dela
se beneficiam.
Leona Cavalli e Eduardo Figueiredo
elaboraram saborosa dramaturgia a partir do livro de Erasmo. A encenação de
Eduardo Figueiredo privilegia-se do cenário e incríveis adereços de Paula Mares
e Kelly Siqueira, dos exuberantes figurinos criados por Kelly Siqueira e
Mariana Baffa, da música executada ao vivo por Matheus Vieira (cello) e Cika
(percussão) e, é claro, da presença magnética de Leona Cavalli.
Leona, mais bela do que nunca, é um
furacão em cena. Sua energia transbordante é própria, mas também é herança dos
tempos em que trabalhou com Zé Celso no Oficina. Às suas inesquecíveis Blanche
e Geni (em ambas dirigida por Cibele Forjaz) e Dona Eduarda, Leona vem somar
essa impressionante personagem chamada Loucura.
Em pouco mais de uma hora Leona advoga sobre as vantagens da loucura para o bem da humanidade. A atualidade do texto de Erasmo evidencia-se em momentos que parece que ele foi escrito para criticar os políticos e o clero de hoje
Aproveite estes dois últimos dias em
cartaz na Caixa Cultural na Praça da Sé. É IMPERDÍVEL!
08/08/2026











