sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REMIX – Companhia de Dança Deborah Colker


Noite mágica no Teatro Sérgio Cardoso com a Mariana e a Laura

1 – Contracenando com o Sérgio Cardoso

 

2 – Aguardando o início de REMIX

 

3 – REMIX

Espetáculo impactante formado por cenas de seis coreografias de Deborah Colker costuradas de forma harmoniosa por João Elias.

Cenas de “Vulcão” (1994), “Belle” (2014), “4x4: As Meninas - Vasos” (2002), “Rota: Gravidade - Roda” (1997) desfilam diante dos privilegiados olhos do público.

Como não se encantar com a coreografia e a cenografia de “Delírios/Belle” e com os diversos “pas-de deux” de “Paixão/Vulcão”? Duas dançarinas e uma pianista (Deborah Colker!!) realizam a delicada “As Meninas/4x4” e o primeiro ato termina de forma apoteótica com o icônico “Vasos/4x4”

Destaque para a direção de arte de Gringo Cardia.

Duas cenas de “Rota” surgem no segundo ato: em “Gravidade” o elenco parece flutuar, desafiando a gravidade em um ambiente etéreo, já em “Roda” dançarinas e dançarinos atuam de forma frenética fazendo malabarismos em cena.

Aplausos calorosíssimos do público encerram a noite mágica.

E a genial Deborah Colker compareceu para os agradecimentos!

 

Espetáculo imperdível!!!  

14/08/2026

 

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MIRADA 2026 – APRESENTAÇÃO

 

Ano par é ano de festa do teatro, porque ano par é ano de MIRADA!

De maneira efusiva e festiva o Grupo Pano deu as boas-vindas para o público que compareceu ao Teatro Anchieta na noite de 12 de agosto para a apresentação do MIRADA 2026, oitava edição do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas que acontece de 3 a 13 de setembro com sede no SESC Santos.

Naruna Costa abriu a sessão entoando uma canção e a seguir introduziu a Superintendente Técnico-Social do Sesc São Paulo, Rosana Paulo da Cunha que, junto com outras pessoas do SESC, falou sobre as características do evento.

A seguir os curadores da mostra comentaram sobre os quatro eixos do MIRADA 2026:

- Mostra Equatoriana (sete espetáculos do Equador, país homenageado do ano)

-  Mostra internacional (17 espetáculos) 

-  Mostra nacional (17 espetáculos)

- Ações formativas.

Após algumas perguntas por parte do público, um bate papo com Georgette Fadel e Marcos Coletta encerrou a apresentação, seguida de um coquetel. 

41 espetáculos e muitas atividades normativas que vão surpreender e encantar os 85.000 espectadores que a organização do MIRADA espera receber em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente durante o evento.

O QG do MIRADA é o aconchegante SESC Santos.

O MIRADA é um festival muito especial, com curadoria impecável e um clima de camaradagem e de muitas trocas artísticas e afetivas. Quem já foi sabe como é. 

Os ingressos estarão à venda a partir de 14 de agosto às 15h.

Programação e informações: sescsp.org.br/mirada e aplicativo MIRADA Festival Sesc SP 

13/08/226

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O DILEMA DE SIDGWICK


Peças de teatro versando sobre cientistas e filósofos podem se tornar muito didáticas e até enfadonhas e este, absolutamente, não é o caso de ‘O Dilema de Sidgwick” e isto se deve em primeiro lugar à criativa estrutura do texto teatral de Paulo Gustavo Guedes Fontes adaptado do seu livro homônimo que foge do didatismo e procura mostrar facetas da vida e obra do filósofo utilitarista inglês Henry Sidgwick (1838-1900) a partir do momento em que  ele teve conhecimento das escritas de Nietzsche e, principalmente, da teoria da evolução de Charles Darwin publicada em 1859 quando passou a duvidar da existência de Deus.

A criativa dramaturgia cênica de Bruno Perillo embelezada pelas luzes de Aline Santini que passeiam suavemente pelo palco delimitando o espaço de cada ação e pela excelência do elenco completa o prazer de se assistir a esse espetáculo e de conhecer um pouco sobre esse importante filósofo.

Além de excelente, o elenco é muito homogêneo ficando difícil destacar este ou outro integrante, pois cada um tem seu momento de brilhar, mesmo assim cabe lembrar de cada um deles: de Augusto Zacchi como o protagonista Sidgwick; da nobreza do Bispo Benson vivido por Luiz Amorim; da delicadeza de Amazyles de Almeida como a esposa de Sidgwick e seu emocionante monólogo no final da peça; do porte de Adriana Lessa como a Srta. Jones, discipula de Sidgwick, que é aplaudida em cena após seu discurso; da ambiguidade de Symonds interpretado com muito brilho por Carlos De Niggro; da altivez e seriedade da sempre surpreendente  Tuna Dwek como a vidente Sra. Piper e das certezas e intolerâncias do Padre John interpretado por Silvio Giraldi.

A cenografia de Simone Mina parece ampliar o palco da Sala Paschoal Carlos Magno utilizando de maneira mito criativa cada canto do espaço disponível.

Com todas as qualidades acima apontadas se torna óbvio comentar que este belo espetáculo é altamente recomendável.

O DILEMA DE SIDGWICK está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso/Sala Paschoal Carlos Magno até 30/08 aos sábados e aos domingos às 18h30. Ingressos gratuitos. 

11/08/2026

 


domingo, 9 de agosto de 2026

QUERIDA MAMÃE

 

 

        1Sobre a autora

A escolha de assuntos pertinentes, a clareza e o desenvolvimento das tramas, as personagens verossímeis e bem construídas e os diálogos ágeis e penetrantes são características das escritas de Maria Adelaide Amaral, seja nas peças de teatro, seja nos romances.

Nos romances destaco dois dos seus tesouros: “Aos Meus Amigos”, um retrato emocionado e amargo dos jovens dos anos 1970 a 1990 e “Luísa (Quase Uma História de Amor)”, do qual um dos capítulos deu origem à inesquecível “De Braços Abertos”, obra prima absoluta, encenada em 1985 com Irene Ravache e Juca Oliveira, que pede para ser reencenada.

Nas peças de teatro destaco “Bodas de Papel”, sua primeira peça encenada em 1978, a já citada “De Braços Abertos! (1985), “Querida Mamãe” (1995) e “Intensa Magia” (1996).

URGE que Maria Adelaide volte escrever para teatro, nossa dramaturgia está precisando! 

2 – Querida Mamãe

A primeira encenação apresentada em palcos paulistanos ocorreu em 1995 com Eva Wilma e Eliane Giardini dirigidas por José Wilker. Relações humanas nuca saem de cartaz, por isso trinta e um ano depois, ela volta atualíssima.

Dirigida com muita sensibilidade por Pedro Neschling a peça mostra o encontro quase sempre conflituoso entre Helô, uma jovem médica de pensamento liberal e sua mãe conservadora.

São cenas ocorridas ao longo de vários dias que na encenação são pontuadas por ligeiros escurecimentos de luz e delicados movimentos de tecidos suspensos efetuados pelas atrizes.

Espetáculos desse tipo só se realizam a contento quando dispõem de bom elenco e aqui não há do que se queixar.

Regiane Alves, que já havia atuado em outra peça de Maria Adelaide (“Para Tão Longo Amor” em 2016) interpreta a tempestuosa Helô com muita energia e muita emoção, deslocando-se com flexibilidade por todo o palco.

Em bem-vindo retorno aos nossos palcos, Nívea Maria apresenta a mãe com muita dignidade. Em virtude de sua longa jornada na televisão, Nívea concentra sua atuação nas expressões faciais e na perfeita dicção, movimentando pouco o corpo, mas isso nada compromete seu belo desempenho que culmina com uma explosão emocional nas últimas cenas.

A sessão do último sábado contou com a presença sempre simpática da querida  Maria Adelaide Amaral.

 

QUERIDA MAMÃE está em cartaz no Teatro Renaissance. Sexta, 21h30/Sábado, 19h/Domingo, 17h 

09/08/2026

 

sábado, 8 de agosto de 2026

ELOGIO DA LOUCURA

 

Existem espetáculos com temas bastantes importantes, excelentes encenações e trabalhos preciosos de atrizes e atores que passam quase desapercebidos em suas temporadas curtas, muitas vezes realizadas em teatros distantes e sem a devida divulgação por parte da mídia. Isso acontece com a maioria dos trabalhos realizados na periferia da cidade por grupos alternativos e acontece também com “Elogio da Loucura”, que se baseia em obra de um importante pensador e que tem no elenco uma atriz do porte de Leona Cavalli.

Ao que me consta em São Paulo a peça passou por rápidas temporadas pelo SESC Belenzinho (2022) e pelo Teatro J. Safra (2024) e se apresenta agora por apenas duas semanas na Caixa Cultural, sempre com pouca divulgação e repercussão.

É obra do filósofo e humanista holandês Erasmo de Rotterdam (1466-1536) onde a Loucura, filha de Plutão e da ninfa da Alegria surge em pessoa para conclamar os benefícios daqueles que dela se beneficiam.

Leona Cavalli e Eduardo Figueiredo elaboraram saborosa dramaturgia a partir do livro de Erasmo. A encenação de Eduardo Figueiredo privilegia-se do cenário e incríveis adereços de Paula Mares e Kelly Siqueira, dos exuberantes figurinos criados por Kelly Siqueira e Mariana Baffa, da música executada ao vivo por Matheus Vieira (cello) e Cika (percussão) e, é claro, da presença magnética de Leona Cavalli.

Leona, mais bela do que nunca, é um furacão em cena. Sua energia transbordante é própria, mas também é herança dos tempos em que trabalhou com Zé Celso no Oficina. Às suas inesquecíveis Blanche e Geni (em ambas dirigida por Cibele Forjaz) e Dona Eduarda, Leona vem somar essa impressionante personagem chamada Loucura.

Em pouco mais de uma hora Leona advoga sobre as vantagens da loucura para o bem da humanidade. A atualidade do texto de Erasmo evidencia-se em momentos que parece que ele foi escrito para criticar os políticos e o clero de hoje

Aproveite estes dois últimos dias em cartaz na Caixa Cultural na Praça da Sé. É IMPERDÍVEL!


08/08/2026

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MAZAL TOV – QUANDO A VIDA SORRI

 

Fotos de Mare Martin 

Colocar em um mesmo ambiente judeus ortodoxos, uma ariana europeia e um muçulmano poderia render embate ideológico e religioso bastante intenso e até trágico, mas como o sub título indica, a opção foi realizar uma comédia leve, praticamente sem conflitos e com um final feliz.

Desconheço o romance autobiográfico da autora belga J.S. Margot que deu origem à saborosa adaptação teatral realizada por Fernando Dourado Filho e Dan Rosseto cuja encenação é dirigida por este último.

Dinah Feldman, feliz da vida, brilha como Margot, a jovem ariana de belos olhos verdes que irá trabalhar para a família judaica liderada pelo patriarca Schneider interpretado, também de maneira brilhante, por Otávio Martins. João Baldasserini tem boa participação como Nima, o namorado iraniano de Margot. Completam o elenco os demais membros da família Schneider: Giovana Yedid (esposa), Gabriel Brener e Thay Bergamim (filhos).

Mazal Tov é um espetáculo despretensioso a que se assiste com prazer e deverá ser ainda mais prazeroso para aqueles que conhecem a cultura judaica.

“Mazel Tov” significa “Boa Sorte” em hebraico.

Destaque para a bela trilha sonora assinada por Dan Maia.

Em cartaz no Teatro Moise Safra até 30/09 de terça a quinta às 20h.

 

05/08/2026

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

INTER ALIA

 

        Jessica Parks é uma mulher bem estruturada. Tem uma relação aparentemente estável com o marido e com o filho adolescente e profissionalmente é uma juíza bem sucedida e conceituada que prima pela ética e pela defesa de um sistema judiciário mais humano.

Acontecimentos no âmbito familiar fazem com que, em grande conflito, ela reveja seus valores éticos, a maneira como a mulher é vista na sociedade patriarcal, a educação do filho e os modos de lidar com a justiça.

Com seus conhecimentos da área jurídica (ela é advogada) e dotada de imenso talento dramatúrgico a escritora australiana Suzie Miller (1965) criou essa personagem complexa que é ao mesmo tempo um presente e um desafio para uma grande atriz. Na Inglaterra Rosamund Pike ganhou os principais prêmios de 2025 por sua interpretação na montagem londrina estreada há pouco mais de um ano e o mesmo deve acontecer por aqui com a arrebatadora interpretação de Drica Moraes.

Afastada dos palcos paulistanos há algum tempo, Drica ressurge com uma incrível energia dominando a primeira meia hora da peça com um longo e poderoso monólogo. Caco Ciocler e Caio Cesar Passos que até então fazem só figuração, surgem como o marido (Caco) e o filho (Caio) que serão figuras importantes no desenvolvimento da trama, mas o protagonismo continuará com Drica até o final das quase duas horas que dura a peça, onde o público quase não respira para acompanhar as reviravoltas da trama tão bem urdida pela dramaturga.

A maneira como a família trata o filho adolescente e o fato do maior inimigo do garoto estar em seu quarto é bastante semelhante àquela da série “Adolescência” exibida na Netflix, mas a semelhança para por aí.

Inter Alia é uma expressão latina que significa “entre outras coisas” e é usado em termos jurídicos para mostrar que provas apresentadas e fundamentação legal são apenas um dos lados da questão em julgamento. E é bem assim, entre outras coisas, que se debate a personagem de Drica.

Um palco nu com um imenso pano branco ao fundo é o cenário inicial da peça que aos poucos vai sendo preenchido com móveis que revelam os diversos ambientes onde se desenvolve a ação. Cenário assinado por Rodrigo Portella e Mina Quental e iluminado por Ana Luzia Di Simoni.

A direção do sempre surpreendente Rodrigo Portella é bastante discreta focando toda a atenção na personagem que merece: Jessica! E Drica Moraes responda a isso com seu imenso talento onde a fragilidade de sua delicada e bela figura é inversamente proporcional à energia e garra mostradas em cena.

Pelos temas tratados - violências contra a mulher, falhas na educação de adolescentes, fragilidade dos meios jurídicos no tratamento de estupros – Inter Alia é um soco no estômago, do qual os espectadores saem com um gosto amargo na boca, misto de indignação e revolta.

INTER ALIA está em cartaz no Teatro Vivo até 20/09 com sessões às sextas e aos sábados às 20h e aos domingos às 18h.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL! 

05/08/2026