Brecht (1898 – 1956) escreveu “Baal”
em 1918 com apenas vinte anos, bem antes de desenvolver suas teorias e práticas
sobre teatro épico. Ao longo dos anos fez várias versões da peça e segundo o
encenador Marcelo Marcus Fonseca, a atual montagem utilizou trechos de várias
delas resultando em um espetáculo frenético de duas horas e meia de duração.
Baal é um sujeito rebelde, sempre
bêbado, seduzindo e jogando fora aqueles que não lhe interessam mais. É um ser
amoral, típico anti-herói, que, de certo modo, se filia a outras personagens literários
e/ou teatrais como o Till Eulenspiegel (século XVI), o Peer Gynt (1867) de
Ibsen e até o Macunaíma (1928) de Mário de Andrade.
Marcelo Marcus Fonseca ambienta sua
montagem em um espaço nu, onde cenários não fazem a menor falta, dada a
potência das interpretações que estimulam a imaginação do espectador.
Toda a peça gravita em torno de Baal
que se ausenta de cena em breves momentos. Marcelo interpreta a personagem
título com muita garra dando um toque de ironia ao observar o mundo burguês que
o circunda.
A relação de Baal com Ekart,
companheiro de aventuras, é bastante acentuada do ponto de vista erótico na
encenação de Marcelo, explicitando uma homossexualidade apenas sugerida no
original de Brecht. Daniel Ortega entrega-se com energia à personagem de Ekart.
A destacar também a participação da
bela Stella Rocha que, apesar de sua juventude e pouca experiência teatral, faz
uma ótima composição como Sophie, a amante grávida de Baal que depois é
abandonada por ele.
O elenco de apoio tem boa atuação
apesar de exagerar no volume da voz e no som gutural da mesma.
Marcelo Marcus Fonseca retorna a essa
peça depois de 30 anos; foi com ela que ele deu início às atividades do Teatro do
Incêndio, grupo que ele mantém com muita garra, quase sempre sem nenhum apoio,
tendo montado praticamente uma peça por ano com a visão anárquica e
surrealista, que lhe é característica.
Longa vida ao Teatro do Incêndio que já tem planos de mudança em seu espaço e a montagem de um Shakespeare nunca visto em nossos palcos.
BAAL está em cartaz até 04/10 no Teatro do Incêndio (Rua Treze de Maio, 48) Aos sábados e domingos ás 20h.
22/09/2026




















