Acredito que “O Que
Meu Corpo Nu Te Conta” (criação de Marcelo Varzea de 2021)
e “Epílogo” (criação de Rosane Chamecki e Andrea Lerner, apresentada da 11ª
MITsp) nunca souberam um do outro, mas há um forte diálogo e pontos em comum
entre eles, podendo até o segundo ter como sub título, o título do primeiro. Em
ambos, indivíduos sem se preocuparem em fazer parte dos perversos padrões de
beleza estabelecidos, desnudam-se de corpo e alma para apresentar diversas
facetas da condição humana.
Rosana e Andrea são
artistas brasileiras que criaram o “chameckilerner” (junção dos sobrenomes das
duas) em Nova York em 1993. “Epílogo” foi criado em Nova York com artistas
locais e recriado agora no Brasil com artistas curitibanos.
O elenco formado por
quatro mulheres e quatro homens já está em cena desnudo quando o público
adentra o espaço cênico que tem o chão coberto por tecido verde que imita
grama.
Em um lúdico jogo de
estátuas, um a um, eles se deslocam no espaço e ao parar congelam os movimentos
formando imagens que remetem a obras de arte (esculturas, fotografias e quadros
famosos). Frases são emitidas sobre as obras de arte citadas, sobre as particularidades
dos corpos, sobre intimidades e até sobre as preferências gastronômicas de cada
um.
As movimentações são
individuais, enquanto isso o resto do elenco permanece em posição congelada de
estátua.
Esse jogo acontece
durante cerca de uma hora e a humanidade que ele transpira toma conta do
público até a catarse final.
É uma pena que espetáculo tão bom tenha se limitado a apenas duas apresentações em São Paulo na MITsp deste ano. Urge que outras entidades da cidade (SESC, SESI, CCSP, CCBB) o programem para uma temporada mais longa.
13/03/2026


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