Ambientes conservadores como o
futebol, os esportes em geral e até o meio religioso costumam negar que neles
há homossexualismo, mas a realidade já se mostrou bem diferente.
Em boa hora vem à tona a história de
Emile Griffith (1938-2013), um caso perverso de cancelamento por preconceito
sofrido por esse boxeador pelo fato de ser homossexual em um meio machista e
conservador como o box nas décadas de 1950 e 1960 onde preconceitos e censura
eram ainda mais acirrados do que nos
dias de hoje, mesmo assim o nome de Emile Griffith ainda parece ter sido
apagado da história do esporte, como reforça o diretor do espetáculo, Bruno
Lourenço, no release da peça; “Um campeão mundial praticamente apagado do
nosso imaginário por homofobia. Como é possível que saibamos tanto sobre
Muhammad Ali, Pelé, Michael Jordan e quase nada de Griffith?”, daí a
importância do resgate idealizado pelo ator Fernando Vitor, dramatizado
por Sérgio Roveri e trazido a cena pelo recém criado “Coletivo Nocaute” com
direção de Bruno Lourenço.
No cenário concebido por Maira Souto e
Natália Burger, um ringue de box divide o vestiário e uma sala onde acontecem
várias cenas. A iluminação é assinada por Ariel Rodrigues.
O texto de Roveri percorre a
trajetória de Griffith em rounds, terminando no 12º em 1962, onde o boxeador
nocauteou seu adversário – aquele que o havia agredido verbalmente, chamando-o
de bicha e viado - com tal violência que resultou na morte do sujeito dez dias
após a luta. Essa morte causou remorso a Griffith durante muitos anos.
A encenação de Bruno Lourenço é pop,
pondo o elenco a coreografar “dance music” em vários momentos, suavizando a
aridez do tema. Cabe notar a ótima trilha sonora a partir de sucessos da época.
Fernando Vitor tem físico e preparo
técnico no box para interpretar Griffith com muito vigor e paixão. Alexandre
Ammano, que já brilhou em “O Avesso da Pele” e “A Máquina”, volta a fazê-lo nos
papeis do amante e do adversário cubano. Letícia Calvosa empresta sua bela
figura às diversas personagens femininas da trama.
Após temporada no SESC Ipiranga em
2025, o espetáculo está de volta em bem-vinda temporada no TUSP – Maria Antônia
de quinta a sábado às 20h e aos domingos às 19h. Ingressos gratuitos.
24/05/2026


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