domingo, 24 de maio de 2026

12º ROUND – A HISTÓRIA DE EMILE GRIFFITH

 

Ambientes conservadores como o futebol, os esportes em geral e até o meio religioso costumam negar que neles há homossexualismo, mas a realidade já se mostrou bem diferente.

Em boa hora vem à tona a história de Emile Griffith (1938-2013), um caso perverso de cancelamento por preconceito sofrido por esse boxeador pelo fato de ser homossexual em um meio machista e conservador como o box nas décadas de 1950 e 1960 onde preconceitos e censura eram ainda mais  acirrados do que nos dias de hoje, mesmo assim o nome de Emile Griffith ainda parece ter sido apagado da história do esporte, como reforça o diretor do espetáculo, Bruno Lourenço, no release da peça; “Um campeão mundial praticamente apagado do nosso imaginário por homofobia. Como é possível que saibamos tanto sobre Muhammad Ali, Pelé, Michael Jordan e quase nada de Griffith?”, daí a importância do resgate idealizado pelo ator Fernando Vitor, dramatizado por Sérgio Roveri e trazido a cena pelo recém criado “Coletivo Nocaute” com direção de Bruno Lourenço.

No cenário concebido por Maira Souto e Natália Burger, um ringue de box divide o vestiário e uma sala onde acontecem várias cenas. A iluminação é assinada por Ariel Rodrigues.

O texto de Roveri percorre a trajetória de Griffith em rounds, terminando no 12º em 1962, onde o boxeador nocauteou seu adversário – aquele que o havia agredido verbalmente, chamando-o de bicha e viado - com tal violência que resultou na morte do sujeito dez dias após a luta. Essa morte causou remorso a Griffith durante muitos anos.

A encenação de Bruno Lourenço é pop, pondo o elenco a coreografar “dance music” em vários momentos, suavizando a aridez do tema. Cabe notar a ótima trilha sonora a partir de sucessos da época.

Fernando Vitor tem físico e preparo técnico no box para interpretar Griffith com muito vigor e paixão. Alexandre Ammano, que já brilhou em “O Avesso da Pele” e “A Máquina”, volta a fazê-lo nos papeis do amante e do adversário cubano. Letícia Calvosa empresta sua bela figura às diversas personagens femininas da trama.

Após temporada no SESC Ipiranga em 2025, o espetáculo está de volta em bem-vinda temporada no TUSP – Maria Antônia de quinta a sábado às 20h e aos domingos às 19h. Ingressos gratuitos.

 

24/05/2026

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