sexta-feira, 17 de julho de 2026

TEATRO RUTH ESCOBAR 2026/VINDOS DE LONGE

 

 

1-  O ESPAÇO

Muito já escrevi sobre a longa agonia pela qual vinha passando o Teatro Ruth Escobar desde 1997 quando passou para a administração da APETESP. Foram 33 anos onde o local, de tão louvável passado não só artístico, mas também de resistência, foi decaindo não só na parte estrutural, mas principalmente na programação artística.

Depois de ser um espectador muito presente, poucas vezes lá voltei, pois os espetáculos apresentados não me atraiam, fato que pode ser comprovado apenas por alguns títulos:  Assalto Alto/Cura Ele Cura Ela/Quem Não Vê Cara, Não Vê Furacão/O Dia Em que Eu Comi a Pomba Gira/De Mala e Cuia no Trem do Riso/Homens no Divã/Casal TPM/Casal TPM 2-A Música da Nossa Vida/TPM-Terapia Para Mulheres/O Amante do Meu Marido/Nua na Plateia/Uma Família Muito Doida.

E nessas poucas vezes que lá estive, senti uma grande tristeza em ver o espaço semiabandonado, em clima de decadência com cartazes de “Engolindo Sapo Para Um Dia Comer Perereca” anunciando uma das peças em cartaz. Impossível não lembrar melancolicamente de Ruth Escobar que tantas coisas importantes realizou ali.

Corta para julho de 2026. Vou ao Teatro Ruth Escobar em boa parte remodelado para assistir ao musical “Vindos de Longe”. Surpreso com a nova cara do espaço, agora bastante iluminado e com o andar superior já reformado e o alegre burburinho do público tomando uma taça de vinho enquanto aguarda o início do espetáculo na nova e modernizada Sala Dina Sfat. Senti uma alegria imensa no coração em testemunhar o Ruth Escobar, tal qual uma Fênix, renascer das cinzas.

O corredor para entrada na Sala Dina Sfat tem um imenso painel pintado em homenagem a Ruth Escobar e um vitral externo mostra reprodução de uma cena do icônico “O Balcão”, montagem histórica de Victor Garcia apresentada em 1970/1971 naquele local.

De mãos dadas com Ruth

O acolhimento é outro ponto forte do novo Teatro Ruth Escobar. Sorrisos e simpatias da Luciana na bilheteria, da Lais da produção e do guerreiro (tal qual Ruth!) Vinicius Munhoz, responsável pela revitalização do espaço com reformas já previstas das outras duas salas (Gil Vicente e Myrian Muniz), além de implantação de floricultura e livraria no salão de espera. Esteja onde estiver, Ruth deve estar voltando a sorrir com o novo destino do teatro que leva o seu nome.

        2 – VINDOS DE LONGE 

E chegou a hora de assistir ao espetáculo na Sala Dina Sfat com lindas poltronas vermelhas, chão restaurado e um palco aparentando maior do que já era.

O musical é um libelo da solidariedade e da humanidade ainda encontrada em alguns seres humanos. Como se vê, tema muito oportuno para reinaugurar o Teatro Ruth Escobar.

Demonstrando mais uma vez sua versatilidade e seu talento Rafael Gomes dirige a montagem com mão de mestre em um palco nu onde o cenário é definido pelo belíssimo desenho de luz de Wagner Antônio, que corretamente também assina a cenografia.

O elenco afiadíssimo interpreta, canta e dança a coreografia de Fabricio Licursi. Não há primeiras estrelas e linha de coro: ali todos tem seu momento de destaque desde o famoso Saulo Vasconcelos até uma atriz ou ator menos experiente. São doze intérpretes que brilham em cena. Não há protagonismo, mas vale lembrar as presenças sempre iluminadas de Nábia Villela, Bruno Marchi e Davi Novaes.

A peça tem dramaturgia consistente dos canadenses Irene Sankoff e Davis Hein, algo raro nos últimos musicais ditos “da Broadway” que por aqui aportaram. A versão brasileira, bastante coloquial e gostosa de ouvir, é de Mariana Elisabetsky.

Muita emoção para uma única noite.

3 – CONCLUSÃO

 

Vinicius Munhoz, fundador da VME, com apenas 32 anos, é o grande responsável pela remodelação do espaço. Tem contrato por dez anos, para possível renovação por mais dez anos. Seu entusiasmo é contagiante e dele se espera uma curadoria digna desse teatro tão bonito e tão importante para a cidade de São Paulo.

Obrigado, Vinicius! 

17/07/2026

 

 

 

 

 

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