1- O ESPAÇO
Muito já escrevi sobre a longa agonia pela
qual vinha passando o Teatro Ruth Escobar desde 1997 quando passou para a
administração da APETESP. Foram 33 anos onde o local, de tão louvável passado
não só artístico, mas também de resistência, foi decaindo não só na parte
estrutural, mas principalmente na programação artística.
Depois de ser um espectador muito
presente, poucas vezes lá voltei, pois os espetáculos apresentados não me
atraiam, fato que pode ser comprovado apenas por alguns títulos: Assalto
Alto/Cura Ele Cura Ela/Quem Não Vê Cara, Não Vê Furacão/O Dia Em que Eu Comi a
Pomba Gira/De Mala e Cuia no Trem do Riso/Homens no Divã/Casal TPM/Casal TPM
2-A Música da Nossa Vida/TPM-Terapia Para Mulheres/O Amante do Meu Marido/Nua
na Plateia/Uma Família Muito Doida.
E nessas
poucas vezes que lá estive, senti uma grande tristeza em ver o espaço semiabandonado,
em clima de decadência com cartazes de “Engolindo Sapo
Para Um Dia Comer Perereca” anunciando uma das peças em cartaz. Impossível não
lembrar melancolicamente de Ruth Escobar que tantas coisas importantes realizou
ali.
Corta para
julho de 2026. Vou ao Teatro Ruth Escobar em boa parte remodelado para assistir
ao musical “Vindos de Longe”. Surpreso
com a nova cara do espaço, agora bastante iluminado e com o andar superior já
reformado e o alegre burburinho do público tomando uma taça de vinho enquanto
aguarda o início do espetáculo na nova e modernizada Sala Dina Sfat. Senti uma
alegria imensa no coração em testemunhar o Ruth Escobar, tal qual uma Fênix,
renascer das cinzas.
O corredor
para entrada na Sala Dina Sfat tem um imenso painel pintado em homenagem a Ruth
Escobar e um vitral externo mostra reprodução de uma cena do icônico “O
Balcão”, montagem histórica de Victor Garcia apresentada em 1970/1971 naquele
local.
O acolhimento é outro ponto forte do novo Teatro Ruth Escobar. Sorrisos e simpatias da Luciana na bilheteria, da Lais da produção e do guerreiro (tal qual Ruth!) Vinicius Munhoz, responsável pela revitalização do espaço com reformas já previstas das outras duas salas (Gil Vicente e Myrian Muniz), além de implantação de floricultura e livraria no salão de espera. Esteja onde estiver, Ruth deve estar voltando a sorrir com o novo destino do teatro que leva o seu nome.
2 – VINDOS DE LONGE
E chegou a
hora de assistir ao espetáculo na Sala Dina Sfat com lindas poltronas
vermelhas, chão restaurado e um palco aparentando maior do que já era.
O musical é
um libelo da solidariedade e da humanidade ainda encontrada em alguns seres
humanos. Como se vê, tema muito oportuno para reinaugurar o Teatro Ruth
Escobar.
Demonstrando
mais uma vez sua versatilidade e seu talento Rafael Gomes dirige a montagem com
mão de mestre em um palco nu onde o cenário é definido pelo belíssimo desenho
de luz de Wagner Antônio, que corretamente também assina a cenografia.
O elenco
afiadíssimo interpreta, canta e dança a coreografia de Fabricio Licursi. Não há
primeiras estrelas e linha de coro: ali todos tem seu momento de destaque desde
o famoso Saulo Vasconcelos até uma atriz ou ator menos experiente. São doze
intérpretes que brilham em cena. Não há protagonismo, mas vale lembrar as
presenças sempre iluminadas de Nábia Villela, Bruno Marchi e Davi Novaes.
A peça tem
dramaturgia consistente dos canadenses Irene Sankoff e Davis Hein, algo raro
nos últimos musicais ditos “da Broadway” que por aqui aportaram. A versão
brasileira, bastante coloquial e gostosa de ouvir, é de Mariana Elisabetsky.
Muita emoção para uma única noite.
3 –
CONCLUSÃO
Vinicius
Munhoz, fundador da VME, com apenas 32 anos, é o grande responsável pela
remodelação do espaço. Tem contrato por dez anos, para possível renovação por
mais dez anos. Seu entusiasmo é contagiante e dele se espera uma curadoria
digna desse teatro tão bonito e tão importante para a cidade de São Paulo.
Obrigado, Vinicius!
17/07/2026






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