Trata-se de virulenta comédia do
dramaturgo italiano Dario Fo (1926-2016) escrita a partir de tragédia ocorrida
em Milão em 1969, quando um anarquista suspeito de um crime detido em um prédio
da polícia “se suicidou” jogando- se de uma janela.
Ri-se muito na comédia de Fo, mas não
há como esquecer da truculência com que a nossa polícia trata os
detentos e de como foram torturados os presos políticos nas masmorras da
ditadura militar brasileira. Wladimir Herzog me veio à lembrança em muitos
momentos da peça e isso não é para rir!
Por meio de muitas artimanhas um
“louco” preso na delegacia será o responsável por desvendar os mistérios que
envolvem a morte do anarquista.
Essa incrível personagem já foi
interpretada por Sérgio Britto no Rio de Janeiro em 1980, por Antônio Fagundes
na montagem de Antônio Abujamra (1982) e por Dan Stulbach na montagem de Hugo
Coelho estreada em 2015. Marcelo Laham substituiu Stulbach em 2018 e por
incrível que possa parecer até agora eu não tinha assistido à performance desse
grande ator que eu muito admiro desde que o vi em “Cais” em 2013.
Extremamente versátil, Laham tem
excelente desempenho nos papeis dramáticos, mas é na comédia que ele brilha e se
mostra mais à vontade, haja vista a sua participação na série “Embrulha Pra Viagem”
e interpretando esse delicioso louco de “Morte Acidental de Um Anarquista”.
A montagem de Hugo Coelho, irreverente
como convém ao texto de Dario Fo, começa com uma cantoria na sala de espera do
teatro seguida de um bate papo com o público sobre a origem da peça e a
apresentação do elenco e das personagens e, já com o público à vontade, inicia
a trama propriamente dita.
O divertido elenco inclui os ótimos
ex-Parlapatões Henrique Stroeter e Claudinei Brandão, o diretor Hugo Coelho,
Rodrigo Bella Dona em rápida intervenção como o segurança, a bela Maira
Chasseraux como a jornalista que entra em cena em momento de alta voltagem dos
outros intérpretes, mas se impõe com muita energia e Demian Pinto que faz o som
ao vivo no teclado, além de intervir em vários momentos da ação. Tudo isso flui
de maneira harmoniosa e gravita em torno da astúcia do “louco” que encontrou em
Marcelo Laham seu intérprete ideal.
Merecidamente ganhador do Prêmio Prio
de Humor 2023 por sua atuação no espetáculo, Laham continua divertindo
multidões se metamorfoseando em vários tipos, improvisando bastante e
deslizando chaplinianamente pelo palco. Só vendo, só vendo!
E prepara-se para o surpreendente final!
MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA está
em cartaz no Teatro Estúdio às terças e quartas às 20h até 30 de setembro.
NÃO PERCA A OPORTUNIDADE DE RIR MUITO!
02/09/2026

