segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CAIS – A 14ª QUE NÃO ACONTECEU


TERIA CERTO SENHOR SUBORNADO A ELETRO PAULO?


        Era para ser uma grande noite...
        Era para ser uma noite muito especial...

        Havia a sensação que ia assistir a uma peça pela primeira vez e tinha aquela esperança que sempre tenho quando vou ao teatro que verei o espetáculo da minha vida.
        Mas acontece que eu ia ver a peça da minha vida!! Despediria-me por algum tempo das tão caras personagens, encontraria os queridos companheiros da Velha Companhia, completaria minhas 42 horas de CAIS empatando com o também querido concorrente Carlos Colabone (ele estava uma apresentação à minha frente).
        Dia todo com aquela coisa gostosa de esperar o evento noturno. Depois do almoço fiz um bolo de queijo para levar para o pessoal e quando o bolo saiu do forno mandei uma mensagem para o Marco Aurélio auspiciando a noitada.
        Por volta das três da tarde, o dia fez-se noite e caiu uma tempestade de fazer gosto! E depois a chuva continuou, mas não houve nada que tirasse meu entusiasmo de me dirigir ao Viga. Guarda chuva em uma mão, sacola com o bolo na outra e um livro debaixo do braço para me letrar na condução. Ônibus, metrô. Ao descer na Estação Sumaré vi todo o entorno às escuras e assim também se encontrava o Viga.
        Subi para o teatro com o Maurício Inafre e encontrei aquela gente gostosa e tão querida.
        - Fazemos no escuro?
        - Esperamos até certo horário?
        - A Eletropaulo deu previsão do retorno da luz?
        - Vamos lá fora cantar para o público que está no saguão escuro?
        Essas e outras questões eram levantadas pelo elenco enquanto a Lara Córdula fazia evoluções com uma lanterna direcionada para um globo de danceteria criando belos efeitos luminosos no teto do teatro.
        Eu com os meus botões pensava:
        - Será que certo senhor subornou a Eletro Paulo para que se inviabilizasse o empate?
        Meu bolo de queijo fez sucesso e acabou rapidamente e muita gente pediu a receita que aproveito e reproduzo aqui:

BOLO DE QUEIJO
Ingredientes:
- 300g de mussarela fatiada
- 2 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
- 3 xícaras de chá de polvilho doce
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 3 ovos
- 1 xícara de chá (não muito cheia) de óleo
- 1 copo de leite

Bater no liquidificador os ovos, o óleo, o leite, o sal e parte da mussarela (menos da metade). Numa tigela colocar o polvilho e juntar a massa do liquidificador, o resto da mussarela rasgada em pedaços e o fermento. Colocar essa mistura numa forma redonda com buraco untada apenas com óleo. Pulverizar a superfície da massa com queijo parmesão. Colocar para assar até dourar em cima.

        E ficamos por lá, rindo, batendo papo e esperando a luz voltar. Liberaram a entrada do público, mas a luz não voltou. Em certo momento o grupo achou por bem cancelar o espetáculo transferindo-o para a terça feira. Ana Elisa fez o anúncio e conduziu as pessoas para a bilheteria enquanto ficamos papeando. Ambiente gostoso e descontraído coroado com docinhos gostosos que o Maurício Inafre trouxe com letras que formavam CAIS OU DA INDIFERENÇA DAS EMBARCAÇÕES. Sorte o título da peça ser comprido assim teve doce para todo mundo!
        Conheci a Letícia, bonita e simpática companheira do Marcelo Marothy, papeei com o Luciano Gatti, com o Seu Jaime (pai do Kiko), fiz gracinha para a Anita e curti todo o grupo, sempre tão receptivo e acolhedor.
        Às 20h30 a luz voltou, mas o público já havia dispersado e não havia como voltar atrás.

        Era para ser uma grande noite...
        Era para ser uma noite muito especial...
        Era a noite do empate!
        Não houve o empate. O placar continua sendo:

             CETRA 13                X          COLABONE 14        

        Mas o jogo continua em junho no Rio de Janeiro!

        E tem mais: Mesmo sem a apresentação FOI UMA GRANDE NOITE! FOI UMA NOITE MUITO ESPECIAL!
        OBRIGADO VELHA COMPANHIA!



15/02/2016


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

VOLPONE

UMA DUPLA DO BARULHO

        A peça do autor inglês Ben Jonson (1572-1637), contemporâneo de Shakespeare, já teve duas montagens anteriores em São Paulo: em 1955 no Teatro Brasileiro de Comédia com direção de Ziembinski e tendo o mesmo como Volpone e Walmor Chagas como Mosca e em 1977 sob a direção de Antônio Abujamra com Laerte Morrone e David José como a dupla central e contando ainda com Laura Cardoso e Beth Goulart (na época com apenas 17 anos) no elenco. Não assisti a nenhuma dessas montagens, mas duvido que Volpone e Mosca tenham encontrado intérpretes mais acertados do que Chico Carvalho e Gabriel Miziara nesta pandega montagem de Neyde Veneziano.
        Neyde Veneziano assume totalmente a estética da Commedia dell’Arte acrescentando ainda uma pitada da ironia “grosseira” de Dario Fo, do qual é profunda conhecedora, obtendo resultado não menos que hilariante. Ri-se muito das artimanhas do Sr. Raposão e do seu fiel (mas nem tanto!!) escudeiro Mosca na busca desenfreada de bens materiais à custa de ludibrio, corrupção e troca de favores. Qualquer semelhança com a situação atual do nosso triste Brasil não é mera coincidência e a montagem deixa isso muito claro.


        O engenhoso cenário de Cássio Brasil substitui a carroça de antigamente por uma caixa que vai se modificando á medida que a ação assim o exige. A encenadora conta ainda com a bela iluminação de Fran Barros e a trilha de Ricardo Severo executada ao vivo e que comenta e ilustra a ação.
        A interpretação do elenco de apoio está em total sintonia com a proposta da encenação, mas quem brilha é a dupla do barulho. Poucas vezes temos visto em nossos palcos tamanha cumplicidade e sintonia. Os esgares e os movimentos das mãos e pés de Chico Carvalho somam-se aos ágeis movimentos corporais de Gabriel Miziara dando um impar rendimento cômico. Impossível não se lembrar de duplas geniais tanto personagens (Arlequim e seu patrão, Puntilla e Matti) como intérpretes (Oscarito e Grande Otelo e o Gordo e o Magro).


        Infelizmente na noite em que assisti ao espetáculo a atriz Eliana Rocha não pode fazê-lo e sua personagem foi suprimida. A personagem é uma viúva tão arrivista como todos os outros senhores que vão visitar Volpone e sua ausência pode provocar - como bem lembrou o produtor Ronaldo Diaféria - uma sensação que a montagem é machista, o que, absolutamente, não é a ideia. Isso é um bom motivo para rever a peça, o que não será nenhum sacrifício, muito pelo contrário, pois a hora e meio de riso que Volpone provoca é irresistível.
        VOLPONE está em cartaz no Teatro MUBE Nova Cultural (ao lado do MIS) às sextas e sábados às 21h30 e aos domingos às 20h30 até 13 de março.

        LEMBRETE: Se quiser fazer uma sessão dupla para comprovar o grande talento e a versatilidade de Chico Carvalho assista CONSERTANDO FRANK em cartaz no mesmo teatro aos sábados (19h) e domingos (18h) também até 13 de março.

- Consertando Frank -

09/02/2016


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MEMÓRIAS DE ADRIANO

Foto de Renato Mangolin

        O livro Memórias de Adriano finalizado em 1951 por Marguerite Yourcenar foi um verdadeiro fenômeno de vendas na década de 1970 quando lançado no Brasil. Texto de difícil compreensão com linguagem elaborada e sofisticada e sem a menor concessão curiosamente tornou-se best seller, concorrendo com os livros de Sidney Sheldon nas listas dos mais vendidos. Era comum ver mocinhas com o livro debaixo do braço, apesar de que a maioria delas não passaria da décima página.


        Thereza Falcão tomou para si a difícil tarefa de transformar o volumoso livro em texto teatral de pouco menos de uma hora com linguagem coloquial e acessível, mas sem banalizar a ideia central do livro e o resultado é muito mais que satisfatório. A dramaturga consegue apresentar as grandezas e fraquezas do imperador romano, sua amizade com Plotina (esposa do seu antecessor Trajano), seu grande amor pelo jovem Antínoo e a morte prematura deste, a escolha do seu sucessor e, principalmente, seus pensamentos políticos e humanistas.
        Texto dessa densidade necessitava de um grande intérprete e Luciano Chirolli mais uma vez demonstra seu grande talento interpretando Adriano. Mesmo antes do terceiro sinal Chirolli já envolve o público de maneira intensa fazendo o pedido desesperado de Adriano: “Ajudem-me a morrer!”.
        Por coincidência este início de ano está marcado por excelentes monólogos todos eles usando o recurso de acompanhamento musical ao vivo: Uma Ilíada com Bruce Gomlevsky que fez temporada relâmpago no Sesc Pompeia, ao qual não assisti, mas ouvi ótimas referências, O Testamento de Maria com Denise Weinberg, ainda em cartaz no Sesc Pinheiros e este Memórias de Adriano onde Chirolli é acompanhado pelo músico Marcello H, que chega a narrar alguns momentos da ação.
        A direção de Inez Viana é precisa valendo-se da discreta cenografia de Aurora Campos (o sugestivo painel ao fundo revela a fragilidade do corpo tão bem enfatizada por Adriano, assim como a banheira onde ele jaz moribundo), da precisa iluminação de Tomás Ribas e, é claro, da iluminada interpretação de Luciano Chirolli.
        A proximidade da morte acaba trazendo certa paz ao imperador que já não pede que o ajudem a morrer, mas serenamente esforça-se para entrar na morte com os olhos abertos. A ovação do público atesta a grandeza do texto e a admirável composição de Chirolli.

        MEMÓRIAS DE ADRIANO está em cartaz no Centro Cultural São Paulo até 28 de fevereiro às sextas e sábados às 21h e aos domingos às 18h30. ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL.


08/02/2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DADESORDEMQUENÃOANDASÓ



        A peça do escocês Davey Anderson que no original se intitula Clutter Keeps Company, algo próximo a A Desordem Garante a Companhia recebeu do tradutor Caio Badner o curioso título de Dadesordemquenãoandasó, grafado sem a separação das palavras e está em cartaz no Viga Espaço Cênico numa parceria entre as companhias Provisório-Definitivo e Artera de Teatro numa montagem assinada por Carlos Baldim. Trata-se de texto com linguagem fluida e contemporânea onde as longas rubricas que narram boa parte da ação são ditas pelos atores/narradores.
        A direção de Carlos Baldim acompanha as intenções do texto oferecendo uma encenação limpa (com um mínimo de cenário) e uma precisa coreografia da movimentação dos atores. Espetáculo altamente imagético que apenas com a interpretação dos atores e poucos objetos de cena permite ao público visualizar a casa do garoto Stevie, o parque de diversões e aquela cena que é o ponto alto da peça: a perseguição no trem fantasma.


        O elenco é bastante afinado e a peça permite bons momentos de cada um deles. Uma curiosidade: ao ler a sinopse da peça imaginei que o ator Pedro Guilherme faria o papel do garoto Stevie, mas eis que o encontro com barba e cabelos longos interpretando uma personagem adulta, deixando o papel do rapaz para Ricardo Corrêa. Entre as intérpretes femininas não há como não destacar Paula Arruda como a garota Gema. Com exceção do garoto, todos os outros os atores, além de interpretarem várias personagens, também narram boa parte das ações alcançando ótimo equilíbrio entre as duas linguagens.
        DADESORDEMQUENÃOANDASÓ é espetáculo gostoso de ver e não vai aí nenhum sentido pejorativo. É gostoso porque trata de assuntos sérios como solidão, carência afetiva, individualismo e falta de comunicação de forma suave, mas contundente.
        Nota especial para a bela trilha sonora de Dan Maia que se insinua durante todo o transcorrer da peça e se impõe ao final.
        Até 11 de fevereiro a peça está em cartaz às quartas e quintas feiras às 21h. A partir de 20 de fevereiro e até 28 de março a peça terá novos horários: Sábados e segundas às 21h e domingos às 19h.


07/02/2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O TESTAMENTO DE MARIA


        Desde sempre as religiões monoteístas geraram mais ódio do que amor, mais guerra do que união entre os povos, mais fratricídios do que fraternidade. Parece que o Deus é um só, mas surgem profetas que o defendem à sua maneira e depois os seguidores de cada um desses líderes criam dogmas segundo as suas crenças e interesses criando as diversas religiões monoteístas devidamente documentadas, entre outros,na Bíblia, no Alcorão e no Torah, estes, por sua vez são interpretados de acordo com os interesses dos seguidores de cada religião. Na defesa ferrenha e unilateral desses interesses surgem os fundamentalistas sobre cujos estragos cometidos contra a humanidade não há necessidade de discorrer.
        Colm Tóibin é dramaturgo originário de país extremamente católico como a Irlanda e nada mais natural que suas dúvidas e revoltas recaiam sobre a religião dominante em seu país. Para tanto usa de excelente recurso dramático que é colocar em cena Maria, a mãe de Jesus, alguns anos após a crucificação do filho. Maria é um poço de revolta em relação à maneira como seu filho foi conduzido e como ele se deixou seduzir pelo poder e pela crença que era o filho de Deus. Maria contesta os milagres de Cristo, assim como se nega a colaborar com o livro que está sendo escrito pelos seguidores, que segundo ela não reproduz os fatos como realmente aconteceram.


        Essa mulher de carne e osso, muito distante da madona presente nos altares, é interpretada por Denise Weinberg numa atuação não menos que poderosa. Complementada pelo excelente comentário musical executado ao vivo por Gregory Slivar Denise expõe visceralmente a revolta de Maria e em certo momento, desde já antológico, relembra a crucificação numa das cenas mais fortes vistas em nossos palcos nos últimos anos.
        Monoteístas convictos deverão se chocar com o espetáculo, ainda mais porque a bela cena final quando Maria decide repousar nos braços dos deuses gregos é uma verdadeira ode ao politeísmo.
        Ron Daniels coloca a ação em um cenário limpo formado apenas por tablado e cadeira, além do músico com seus instrumentos. O foco é na interpretação da atriz que já pode se inscrever entre as grandes do ano que está só começando. Que os jurados de prêmios não esqueçam ao final do ano de incluir em suas listas esta memorável interpretação de Denise Weinberg.
        O TESTAMENTO DE MARIA está em cartaz no Sesc Pinheiros apenas até o dia 13 de fevereiro. Sessões às 5ªs, 6ªs e sábados às 20h30. ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!

05/02/2016

        

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

3ª MITSP (MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÂO PAULO) – DE 04 A 13 DE MARÇO DE 2016



BRAVOS GUERREIROS

        Apesar da crise política, apesar da crise econômica e do dólar e o euro elevados às alturas, apesar da crise cultural que até a natureza colabora para que se torne mais grave (haja vista os recentes incêndios do Museu da Língua Portuguesa e da Cinemateca), apesar de “você”, apesar de tudo isso os incansáveis batalhadores Antônio Araújo e Guilherme Marques com o apoio dos patrocinadores divulgaram na última segunda feira, dia 1º de fevereiro, a realização da terceira edição da MITsp , evento que já faz parte do calendário cultural da cidade. Nem tudo está perdido, Ruth Escobar!
        A mostra está mais compacta, mas a redução em quantidade parece ter intensificado a qualidade, pois todos os dez espetáculos programados parecem oferecer grandes surpresas artísticas. Além disso, grande ênfase continua sendo dada aos eixos reflexivo e pedagógico onde poderão ser discutidos assuntos relevantes como o papel da narrativa no teatro contemporâneo, o racismo, a relação do teatro com a música e as artes visuais e até um diálogo com a cidade de São Paulo, através de um espetáculo trazido pelo grupo alemão Rimini Protokoll intitulado 100% São Paulo. Haverá a realização de workshops, lançamento de livros, palestras e muita discussão sobre a função da crítica.
        Cautelosos os organizadores não quiseram adiantar a data da realização da 4ª MITsp como fizeram nos anos anteriores, sugerindo até que ela possa tornar-se bienal. Temos certeza que esses bravos guerreiros vencerão mais uma árdua batalha e vão conseguir manter a anuidade de tão importante evento. Torcida é o que não falta!

        Mas vamos à programação dos espetáculos da 3ª MITsp:

        A mostra será aberta no dia 04 no Auditório Ibirapuera com o espetáculo CINDERELA do dramaturgo e encenador Joël Pommerat, espetáculo infanto-juvenil em coprodução belgo francesa.
        Ainda de Joël Pommerat, de quem já tivemos a oportunidade de ver a instigante Esta Criança montada em 2014 pela Cia. Brasileira de Teatro e Renata Sorrah, a França envia a sua última realização ÇA IRA.

ÇA IRA

        Da Grécia o coreógrafo Dimitris Papaioannou nos traz NATUREZA MORTA que é uma fusão de teatro-dança com as artes visuais.
        A CARGA é o espetáculo proveniente do Congo com o importantíssimo dançarino africano Faustin Linyekula.
        (A)POLÔNIA é uma encenação polonesa do diretor Krzysztof Warlikowski. O projeto do encenador polonês é baseado em textos clássicos e contemporâneos. Pelo pouco vi (fotos e fragmentos da montagem) este espetáculo deverá ser o ponto alto da MITsp, repetindo o impacto de A Gaivota e Opus nº 7 da mostra de 2015.

(A)POLÔNIA

        100% CITY, trabalho da companhia alemã Rimini Protokoll, adapta-se à cidade onde é apresentado colocando no palco habitantes da mesma. Aqui se transformou em 100% SÃO PAULO e pela primeira vez a MITsp ocupará o palco do nosso Theatro Municipal.

100% SÃO PAULO

        REVOLTING MUSIC – INVENTÁRIO DAS CANÇÕES DE PROTESTO QUE LIBERTARAM A ÁFRICA DO SUL já traz no título aquilo a que se propõe o músico e performer Neo Muyanga.
        Inspirados na obra de Thelonious Monk os belgas Josse de Pauw e Kris Defoort criaram AN OLD MONK outro espetáculo que funde teatro e música.
        Dentre os espetáculos nacionais o grupo Teatro de Narradores dirigido por José Fernando Azevedo apresentará CIDADE VODU, espetáculo itinerante a ser realizado na Vila Itororó.
        Finalmente, o grupo Ultralíricos dirigido por Felipe Hirsch apresentará seu novo trabalho A TRAGÉDIA LATINO-AMERICANA.

        Agora o negócio é preparar-se para a maratona teatral que nos deixará (deliciosamente) ocupados por dez dias de março.

04/02/2016


sábado, 2 de janeiro de 2016

ZESCAR TEATRO 2015

O melhor do teatro em São Paulo em 2015 na visão  de José Cetra Filho.


        Listas de melhores e prêmios por votação pela Internet onde se pode votar quantas vezes quiser (??!!) estão tão banalizados que sempre reluto em publicar a relação do ZESCAR.  Essa história do ZESCAR começou com uma brincadeira. Há muitos anos que faço minha lista particular do que considero os melhores do teatro e do cinema. Minha cunhada um dia brincou perguntando quando eu ia distribuir o ZESCAR (amálgama de Zé com Oscar). A partir daí esse se tornou o nome da minha lista e ultimamente eu a tenho publicado neste blog. É uma lista ABSOLUTAMENTE pessoal que leva em conta os 222 espetáculos a que assisti no ano e nada tem a ver com a minha participação em comissões de premiação onde os premiados são eleitos por votação. Para não ser totalmente injusto, listo também aqueles “perdidos” que julgo terem sido importantes. É incrível que mesmo tendo assistido a 208 peças teatrais ainda restou mais de uma dezena  que não tive a oportunidade de ver. Distribuo também os RACSEZ para os piores do ano, mas permito-me ser politicamente correto não divulgando essa lista.  
        A temporada paulistana privilegiou o autor estrangeiro o que não vinha acontecendo nos últimos anos. Shakespeare, Jean Genet e Matéi Visniec tiveram muitos textos encenados, alguns deles com montagens memoráveis. Ken Hanes, Philipe Minyana, Jane Bodie e David Mamet também compareceram com encenações dignas de nota. A dramaturgia brasileira já foi alvo de matéria anterior.
        O teatro brasileiro ficou mais pobre em 2015 com a partida de tanta gente insubstituível: Antonio Abujamra, Barbara Heliodora, Lola Tolentino, Chico de Assis, Bel Garcia, Wolney de Assis, Walter Portella, Odete Lara, Nydia Licia e Marília Pêra.


        Minha lista está dividida em categorias e não há um número certo para cada categoria (se listo só dois é porque foram só eles, assim como posso listar sete ou oito). Por categoria, a lista está em ordem alfabética.


        ESPETÁCULOS:
         - A MÁQUINA TCHEKHOV
         - A TEMPESTADE
         - AQUI ESTAMOS COM MILHARES DE CÃES VINDOS DO MAR
         - DESTERRADOS
         - DO AMOR
         - MANUELA
         - MEDIDA POR MEDIDA
         - OLLEANA
         - RICARDO III
         - SÓ
       
        ESPETÁCULOS MUSICAIS:
         - ANTES TARDE DO QUE NUNCA
         - CHAPLIN, O MUSICAL
         - NINE, O MUSICAL
         - URINAL


        DIREÇÃO:
         - CLARA CARVALHO/DENISE WEINBERG – A MÁQUINA TCHEKHOV
         - FRANCISCO MEDEIROS – DO AMOR
         - GABRIEL VILLELA – A TEMPESTADE
         - LUIZ FERNANDO MARQUES - ORGIA
         - RODRIGO SPINA – AQUI ESTAMOS COM MILHARES DE CÃES VINDOS DO MAR
         - THIAGO VASCONCELOS – DESTERRADOS
         - ZÉ HENRIQUE DE PAULA – URINAL

        ATRIZ:
         - ALEJANDRA SAMPAIO – VALÉRIA E OS PÁSSAROS
         - ANDREIA NUHR – AS ESTRELAS SÃO PARA SEMPRE?
         - CHRISTIANE TORLONI – MASTER CLASS
         - ERICA MONTANHEIRO – SOLILÓQUIOS
         - JANA AMORIM – ANTES TARDE DO QUE NUNCA
         - JULIANA GALDINO – O BALCÃO/FANTASMAS
         - MYRA RUIZ – NINE
         - NICOLE CORDERY – ATO A QUATRO/DISSECAR A NEVASCA
         - VERA LAMY – MANUELA


        ATOR:
         - ALESSANDRO HERNANDEZ – HYSTERICA PASSIO
         - CHICO CARVALHO – CONSERTANDO FRANK/A TEMPESTADE
         - DANIEL COSTA – URINAL
         - DANILO GRANGHEIA - KRUM
         - EDUARDO MOSSRI – CARTAS LIBANESAS
         - GUSTAVO GASPARANI – RICARDO III
         - MARCO ANTÔNIO PÂMIO – MEDIDA POR MEDIDA
         - RAFAEL MAIA – OTELO
         - VITOR VIEIRA - ABNEGAÇÃO 2


       
        DRAMATURGIA NACIONAL:
         - ALEXANDRE DAL FARRA – ABNEGAÇÃO 2
         - AMARILDO FÉLIX - SOLILÓQUIOS
         - JOSÉ EDUARDO VENDRAMINI – CARTAS LIBANESAS
         - OSWALDO MENDES – INSUBMISSAS
         - RENÉ PIAZENTIN – O TAXIDERMISTA
         - SILVIA GOMEZ – MANTENHA FORA DO ALCANCE DO BEBÊ
         - VERA LAMY – MANUELA

         OUTROS DESTAQUES:
         - A MÁQUINA TCHEKHOV – ILUMINAÇÃO (WAGNER PINTO)
         - A TEMPESTADE – CENOGRAFIA (GABRIEL VILLELA / MÁRCIO VINICIUS) E FIGURINOS (GABRIEL VILLELA/JOSÉ ROSA).
         - AQUI ESTAMOS COM MILHARES DE CÃES VINDOS DO MAR -   CENÁRIO (MOSHE MOTTA), FIGURINO (CAMILA FOGAÇA) E MAQUIAGEM (DOMITILA GONZALEZ).
         - HYSTERICA PASSIO – CENOGRAFIA (REGINALDO NASCIMENTO)
         - SÓ - TRILHA SONORA (ARRIGO BARNABÉ) E ILUMINAÇÃO (RENATO MACHADO).

        ESPECIAIS (PROJETOS E EVENTOS):
         - 2ª MITsp
         - EXPOSIÇÃO “MÁQUINA KANTOR” (SESC)
         - MOSTRA DE DRAMATURGIA EM PEQUENOS FORMATOS DO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
       
        ACOLHIMENTO:
         - ESPAÇO CIA. DA REVISTA

        ESPETÁCULOS ESTRANGEIROS:
         - A GAIVOTA (RÚSSIA) - MIT
         - INCÊNDIOS (MÉXICO) - SESC
         - IONESCO SUITE (FRANÇA) - SESC
         - OPUS Nº 7 (RÚSSIA) – MIT

         ESPETÁCULOS TEATRAIS PERDIDOS:
         - 1924, A REVOLUÇÃO ESQUECIDA
         - A MERDA
         - BILAC VÊ ESTRELAS
         - CAMINHAM NUS SEPARADOS
         - DA COR DO CHUMBO
         - DZI CROQUETTES EM BANDÁLIA
         - IN EXTREMIS
         - MEMÓRIAS DE UM GIGOLÔ
         - MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
         - NAVALHA NA CARNE (OFICINA)
         - NUVEM DE LÁGRIMAS
         - O HOMEM PRIMITIVO
         - O TOPO DA MONTANHA
         - S’IMBORA, O MUSICAL
         - SOU TODA CORAÇÃO
         - TAREIAS
        
        ÓPERAS:
         - NADA A DESTACAR
        
        CONCERTOS:
         - GURRE-LIEDER (SCHOENBERG) – OSESP/KARABTCHEVSKY
        
        SHOW:
         - CORPO DE BAILE – MÔNICA SALMASO
       
        DANÇA:
        - SUITE BRANCA (GRUPO CORPO)    
        RESUMO:

        - TEATRO: 208
         - CONCERTO: O3
         - SHOW: 03
         - ÓPERA: 03
         - DANÇA: 04
         - CIRCO: 01
        - TOTAL: 222
       
        
31/12/2015