terça-feira, 18 de agosto de 2026

LAURA CARDOSO

 

13/09/1927-17/08/2026

        A um mês de completar 99 anos, a querida Laura Cardoso nos deixou. Sabe-se que ninguém vive para sempre, mas para mim ela era eterna e de alguma maneira a sua arte e seu jeito alegre e descontraído de ser ficarão eternizados naqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela e também naqueles que apreciaram seu enorme talento no teatro ou na televisão.

        As primeiras imagens que eu tenho dessa grande atriz datam do início dos anos 1950 quando a vi fazendo uma portuguesa muito engraçada no programa TV de Comédia da TV Tupi e também como a dramática e vingativa Clarinha de “A Visita da Velha Senhora” no “Grande Teatro Tupi”

        Pessoalmente, tive a grata oportunidade de encontrá-la quatro vezes.

Na primeira foi quando a APCA lhe concedeu o “Grande Prêmio da Crítica” em 2014 e eu tive o privilégio de ter sido o escolhido para lhe comunicar sobre o prêmio.

Na ocasião escrevi na revista da APCA:

GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICALaura Cardoso (72 anos dedicados à arte de representar).

        Laura Cardoso é um ser iluminado que faz da atuação sua profissão de fé. Passou pelo circo, brilhou no rádio e ainda brilha no teatro, no cinema e na televisão e muito mais que isso, é um ser humano dotado daquela simplicidade que só os grandes possuem.”

Na segunda foi em uma aula inaugural da SP Escola Teatro em 2015, onde ela foi ovacionada pelos jovens que ingressavam na escola.

Na terceira foi em 2017 durante a Ocupação Laura Cardoso no Itaú Cultural quando tive o prazer de ceder vários programas do meu acervo para a exposição.

Na última e mais importante para mim foi em 2019 quando eu a entrevistei por cerca de 59 minutos para o projeto “Camarim em Cena” também do Itaú.  

vídeo completo dessa entrevista está disponível no Youtube:




       Em todos esses encontros Laura mostrou toda a humanidade que transbordava de sua alma iluminada.

Estou muito triste, mas muito mesmo, com sua partida, Laura Cardoso.

 

18/08/2026

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REMIX – Companhia de Dança Deborah Colker


Noite mágica no Teatro Sérgio Cardoso com a Mariana e a Laura

1 – Contracenando com o Sérgio Cardoso

 

2 – Aguardando o início de REMIX

 

3 – REMIX

Espetáculo impactante formado por cenas de seis coreografias de Deborah Colker costuradas de forma harmoniosa por João Elias.

Cenas de “Vulcão” (1994), “Belle” (2014), “4x4: As Meninas - Vasos” (2002), “Rota: Gravidade - Roda” (1997) desfilam diante dos privilegiados olhos do público.

Como não se encantar com a coreografia e a cenografia de “Delírios/Belle” e com os diversos “pas-de deux” de “Paixão/Vulcão”? Duas dançarinas e uma pianista (Deborah Colker!!) realizam a delicada “As Meninas/4x4” e o primeiro ato termina de forma apoteótica com o icônico “Vasos/4x4”

Destaque para a direção de arte de Gringo Cardia.

Duas cenas de “Rota” surgem no segundo ato: em “Gravidade” o elenco parece flutuar, desafiando a gravidade em um ambiente etéreo, já em “Roda” dançarinas e dançarinos atuam de forma frenética fazendo malabarismos em cena.

Aplausos calorosíssimos do público encerram a noite mágica.

E a genial Deborah Colker compareceu para os agradecimentos!

 

Espetáculo imperdível!!!  

14/08/2026

 

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MIRADA 2026 – APRESENTAÇÃO

 

Ano par é ano de festa do teatro, porque ano par é ano de MIRADA!

De maneira efusiva e festiva o Grupo Pano deu as boas-vindas para o público que compareceu ao Teatro Anchieta na noite de 12 de agosto para a apresentação do MIRADA 2026, oitava edição do Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas que acontece de 3 a 13 de setembro com sede no SESC Santos.

Naruna Costa abriu a sessão entoando uma canção e a seguir introduziu a Superintendente Técnico-Social do Sesc São Paulo, Rosana Paulo da Cunha que, junto com outras pessoas do SESC, falou sobre as características do evento.

A seguir os curadores da mostra comentaram sobre os quatro eixos do MIRADA 2026:

- Mostra Equatoriana (sete espetáculos do Equador, país homenageado do ano)

-  Mostra internacional (17 espetáculos) 

-  Mostra nacional (17 espetáculos)

- Ações formativas.

Após algumas perguntas por parte do público, um bate papo com Georgette Fadel e Marcos Coletta encerrou a apresentação, seguida de um coquetel. 

41 espetáculos e muitas atividades normativas que vão surpreender e encantar os 85.000 espectadores que a organização do MIRADA espera receber em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente durante o evento.

O QG do MIRADA é o aconchegante SESC Santos.

O MIRADA é um festival muito especial, com curadoria impecável e um clima de camaradagem e de muitas trocas artísticas e afetivas. Quem já foi sabe como é. 

Os ingressos estarão à venda a partir de 14 de agosto às 15h.

Programação e informações: sescsp.org.br/mirada e aplicativo MIRADA Festival Sesc SP 

13/08/226

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O DILEMA DE SIDGWICK


Peças de teatro versando sobre cientistas e filósofos podem se tornar muito didáticas e até enfadonhas e este, absolutamente, não é o caso de ‘O Dilema de Sidgwick” e isto se deve em primeiro lugar à criativa estrutura do texto teatral de Paulo Gustavo Guedes Fontes adaptado do seu livro homônimo que foge do didatismo e procura mostrar facetas da vida e obra do filósofo utilitarista inglês Henry Sidgwick (1838-1900) a partir do momento em que  ele teve conhecimento das escritas de Nietzsche e, principalmente, da teoria da evolução de Charles Darwin publicada em 1859 quando passou a duvidar da existência de Deus.

A criativa dramaturgia cênica de Bruno Perillo embelezada pelas luzes de Aline Santini que passeiam suavemente pelo palco delimitando o espaço de cada ação e pela excelência do elenco completa o prazer de se assistir a esse espetáculo e de conhecer um pouco sobre esse importante filósofo.

Além de excelente, o elenco é muito homogêneo ficando difícil destacar este ou outro integrante, pois cada um tem seu momento de brilhar, mesmo assim cabe lembrar de cada um deles: de Augusto Zacchi como o protagonista Sidgwick; da nobreza do Bispo Benson vivido por Luiz Amorim; da delicadeza de Amazyles de Almeida como a esposa de Sidgwick e seu emocionante monólogo no final da peça; do porte de Adriana Lessa como a Srta. Jones, discipula de Sidgwick, que é aplaudida em cena após seu discurso; da ambiguidade de Symonds interpretado com muito brilho por Carlos De Niggro; da altivez e seriedade da sempre surpreendente  Tuna Dwek como a vidente Sra. Piper e das certezas e intolerâncias do Padre John interpretado por Silvio Giraldi.

A cenografia de Simone Mina parece ampliar o palco da Sala Paschoal Carlos Magno utilizando de maneira mito criativa cada canto do espaço disponível.

Com todas as qualidades acima apontadas se torna óbvio comentar que este belo espetáculo é altamente recomendável.

O DILEMA DE SIDGWICK está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso/Sala Paschoal Carlos Magno até 30/08 aos sábados e aos domingos às 18h30. Ingressos gratuitos. 

11/08/2026

 


domingo, 9 de agosto de 2026

QUERIDA MAMÃE

 

 

        1Sobre a autora

A escolha de assuntos pertinentes, a clareza e o desenvolvimento das tramas, as personagens verossímeis e bem construídas e os diálogos ágeis e penetrantes são características das escritas de Maria Adelaide Amaral, seja nas peças de teatro, seja nos romances.

Nos romances destaco dois dos seus tesouros: “Aos Meus Amigos”, um retrato emocionado e amargo dos jovens dos anos 1970 a 1990 e “Luísa (Quase Uma História de Amor)”, do qual um dos capítulos deu origem à inesquecível “De Braços Abertos”, obra prima absoluta, encenada em 1985 com Irene Ravache e Juca Oliveira, que pede para ser reencenada.

Nas peças de teatro destaco “Bodas de Papel”, sua primeira peça encenada em 1978, a já citada “De Braços Abertos! (1985), “Querida Mamãe” (1995) e “Intensa Magia” (1996).

URGE que Maria Adelaide volte escrever para teatro, nossa dramaturgia está precisando! 

2 – Querida Mamãe

A primeira encenação apresentada em palcos paulistanos ocorreu em 1995 com Eva Wilma e Eliane Giardini dirigidas por José Wilker. Relações humanas nuca saem de cartaz, por isso trinta e um ano depois, ela volta atualíssima.

Dirigida com muita sensibilidade por Pedro Neschling a peça mostra o encontro quase sempre conflituoso entre Helô, uma jovem médica de pensamento liberal e sua mãe conservadora.

São cenas ocorridas ao longo de vários dias que na encenação são pontuadas por ligeiros escurecimentos de luz e delicados movimentos de tecidos suspensos efetuados pelas atrizes.

Espetáculos desse tipo só se realizam a contento quando dispõem de bom elenco e aqui não há do que se queixar.

Regiane Alves, que já havia atuado em outra peça de Maria Adelaide (“Para Tão Longo Amor” em 2016) interpreta a tempestuosa Helô com muita energia e muita emoção, deslocando-se com flexibilidade por todo o palco.

Em bem-vindo retorno aos nossos palcos, Nívea Maria apresenta a mãe com muita dignidade. Em virtude de sua longa jornada na televisão, Nívea concentra sua atuação nas expressões faciais e na perfeita dicção, movimentando pouco o corpo, mas isso nada compromete seu belo desempenho que culmina com uma explosão emocional nas últimas cenas.

A sessão do último sábado contou com a presença sempre simpática da querida  Maria Adelaide Amaral.

 

QUERIDA MAMÃE está em cartaz no Teatro Renaissance. Sexta, 21h30/Sábado, 19h/Domingo, 17h 

09/08/2026

 

sábado, 8 de agosto de 2026

ELOGIO DA LOUCURA

 

Existem espetáculos com temas bastantes importantes, excelentes encenações e trabalhos preciosos de atrizes e atores que passam quase desapercebidos em suas temporadas curtas, muitas vezes realizadas em teatros distantes e sem a devida divulgação por parte da mídia. Isso acontece com a maioria dos trabalhos realizados na periferia da cidade por grupos alternativos e acontece também com “Elogio da Loucura”, que se baseia em obra de um importante pensador e que tem no elenco uma atriz do porte de Leona Cavalli.

Ao que me consta em São Paulo a peça passou por rápidas temporadas pelo SESC Belenzinho (2022) e pelo Teatro J. Safra (2024) e se apresenta agora por apenas duas semanas na Caixa Cultural, sempre com pouca divulgação e repercussão.

É obra do filósofo e humanista holandês Erasmo de Rotterdam (1466-1536) onde a Loucura, filha de Plutão e da ninfa da Alegria surge em pessoa para conclamar os benefícios daqueles que dela se beneficiam.

Leona Cavalli e Eduardo Figueiredo elaboraram saborosa dramaturgia a partir do livro de Erasmo. A encenação de Eduardo Figueiredo privilegia-se do cenário e incríveis adereços de Paula Mares e Kelly Siqueira, dos exuberantes figurinos criados por Kelly Siqueira e Mariana Baffa, da música executada ao vivo por Matheus Vieira (cello) e Cika (percussão) e, é claro, da presença magnética de Leona Cavalli.

Leona, mais bela do que nunca, é um furacão em cena. Sua energia transbordante é própria, mas também é herança dos tempos em que trabalhou com Zé Celso no Oficina. Às suas inesquecíveis Blanche e Geni (em ambas dirigida por Cibele Forjaz) e Dona Eduarda, Leona vem somar essa impressionante personagem chamada Loucura.

Em pouco mais de uma hora Leona advoga sobre as vantagens da loucura para o bem da humanidade. A atualidade do texto de Erasmo evidencia-se em momentos que parece que ele foi escrito para criticar os políticos e o clero de hoje

Aproveite estes dois últimos dias em cartaz na Caixa Cultural na Praça da Sé. É IMPERDÍVEL!


08/08/2026

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MAZAL TOV – QUANDO A VIDA SORRI

 

Fotos de Mare Martin 

Colocar em um mesmo ambiente judeus ortodoxos, uma ariana europeia e um muçulmano poderia render embate ideológico e religioso bastante intenso e até trágico, mas como o sub título indica, a opção foi realizar uma comédia leve, praticamente sem conflitos e com um final feliz.

Desconheço o romance autobiográfico da autora belga J.S. Margot que deu origem à saborosa adaptação teatral realizada por Fernando Dourado Filho e Dan Rosseto cuja encenação é dirigida por este último.

Dinah Feldman, feliz da vida, brilha como Margot, a jovem ariana de belos olhos verdes que irá trabalhar para a família judaica liderada pelo patriarca Schneider interpretado, também de maneira brilhante, por Otávio Martins. João Baldasserini tem boa participação como Nima, o namorado iraniano de Margot. Completam o elenco os demais membros da família Schneider: Giovana Yedid (esposa), Gabriel Brener e Thay Bergamim (filhos).

Mazal Tov é um espetáculo despretensioso a que se assiste com prazer e deverá ser ainda mais prazeroso para aqueles que conhecem a cultura judaica.

“Mazel Tov” significa “Boa Sorte” em hebraico.

Destaque para a bela trilha sonora assinada por Dan Maia.

Em cartaz no Teatro Moise Safra até 30/09 de terça a quinta às 20h.

 

05/08/2026