“Da força da grana
que ergue e destrói coisas belas”
(Caetano Veloso)
Na busca insaciável de desmantelar a
cultura e contribuindo para a especulação imobiliária, certos órgãos públicos paulistanos
permitiram, só nos últimos meses, o desaparecimento do “Espaço Vento Forte”, do
“Teatro de Contêiner” e do “Teatro Procópio Ferreira”.
Mas... Existem os loucos que insistem
em investir em cultura, sacrificando até seus próprios bolsos.
A criação do “IBT (Instituto
Brasileiro de Teatro)” em 2021 com o lema “Afinal, água e teatro não se
negam a ninguém” por cinco jovens (Elisa Volpatto, Guto Portugal, José
Aragão, Oliver Tibeau e Samya Pascotto), é o primeiro exemplo que me ocorre e o
resultado é aquele importante centro cultural em um edifício no final da
Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, palco de importantes manifestações teatrais.
Ricardo Grandi transformou o seu
estúdio de cinema no Butantã, no “Teatroiquè”, espaço ainda pouco conhecido,
que já abrigou “Odisseia – Instalação Para Um Retorno” e “A Máquina”, dois
espetáculos importantes da temporada de 2025.
Os jovens Dante Passarelli e Fernanda
Zancopé assumiram o espaço antes ocupado pelo “Teatro Elevador”, que agora se chama
“Teatro Manás Laboratório” e tem ótima programação.
Por falar em qualidade de programação,
é importante citar o “Teatro Estúdio” administrado por Alexandre Galindo e com
curadoria de Daniel Marano. Além disso o espaço contribui para a revitalização
de uma área da cidade bastante degradada.
E como esquecer de Marcos Felipe e
Lucas Bêda, os loucos da “Mungunzá”, que lutam para criar um novo espaço para o
“Teatro de Contêiner.”
Lembrando ainda da reabertura do
Instituto Capobianco e da criação do ME Teatro, iniciativa de Mara Carvalho,
nos fundos do seu restaurante.
A esse bando de benditos loucos,
juntam-se Ana Paula Dias e Anayan Moretto que já haviam cometido a audácia de
criar o espaço cultural “°Andar” em 2017 em um prédio da Rua Dr. Gabriel dos
Santos e agora partindo para a loucura total mudam-se para um belo casarão,
totalmente reformado, na mesma rua. O casarão tem salas de ensaio e de
exposição (a notar, a importante mostra de fotos de Roberto Setton, ora em
cartaz) e ao fundo foi construída uma espaçosa e flexível sala preta multiuso
que abrigará os espetáculos teatrais programados para o local.
A abertura do espaço aconteceu numa
deliciosa noite de sábado com a apresentação do monólogo “Bombordo ou Uma Ilha
Para o Esquecimento” com Ana Paula Dias. Espetáculos estão programados até o
fim de junho e tudo indica, pelo entusiasmo das meninas, que a casa continuará
com boa programação por muito tempo.
Ao final do espetáculo aconteceu um
coquetel onde todos brindaram junto com Ana Paula, Anayan e Telma Fernandes a
abertura desse importante espaço para a cultura paulistana.
O que seria de nós se essa gente louca
não investisse em suas benditas loucuras?
VIVA A LOUCURA
VIVA O TEATRO, TEMPLO DA UTOPIA E DA
ESPERANÇA
22/02/2026





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