sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

AQUI, AGORA, TODO MUNDO

 

Foto de Kim Leekyung

Existem assuntos tabus que precisam vir à baila para serem discutidos e dentro do possível serem prevenidos. A saúde mental, a depressão que vem ocorrendo entre jovens, levando muitos deles a atitudes extremas são alguns desses assuntos que em bom momento nosso teatro vem discutindo.

Depois de “O Filho” e “Etiqueta do Luto”, “Aqui, Agora, Todo Mundo” trata também desse assunto espinhoso. Enquanto nas duas primeiras o depressivo é apresentado por meio de seus familiares, na última é ele próprio que fala de seus problemas.

O texto da peça de Felipe Barros é inspirado no livro homônimo de Alexandre Mortagua, mas parece conter também elementos de sua própria vida e o resultado é um retrato corajoso de jovens com a saúde mental comprometida. A dramaturgia é assinada por ele e pelo diretor Heitor Garcia.

Sozinho em cena o autor vai narrando a sua trajetória guiado pelas fichas previamente distribuídas para o público que são levantadas aleatoriamente. Felipe é um bom ator e tem boa comunicação com o público.

Valendo-se de um belo e preciso desenho de luz de Rodrigo Pivetti e um potente desenho de som de DJ Agatha que inclui músicas de Jaloo, Heitor Garcia dirige o espetáculo com segurança incomum para um estreante na função, não desviando a sua atenção no ator em nenhum momento.

Ao final do espetáculo a dramaturga Nanna de Castro fez um comovente e corajoso relato sobre os problemas relativos à saúde mental de sua filha de 16 anos que culminaram com o seu suicídio.


Que um espetáculo como esse sirva de alerta para os familiares de jovens e para todos que convivem com pessoas depressivas. 

AQUI, AGORA, TODO MUNDO está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso aos sábados, domingos e segundas às19h até 1º de março.

05/02/2026

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