sábado, 14 de fevereiro de 2026

PROJETO WISLAWA

Foto de João Caldas

Cesar Ribeiro tem estilo. Simples assim.

Seus espetáculos têm marca própria na beleza da cenografia (sempre assinada por J.C. Serroni), na potência dos figurinos (Telumi Helen), no forte visagismo (Louise Helène), na iluminação (Rodrigo Palmieri, na atual montagem), na sempre surpreendente trilha sonora escolhida por ele mesmo, na escolha do elenco que pode contar, sempre que possível, com a presença iluminada de Clara Carvalho e na escolha de temas fortes que reproduzam o caos e a violência da contemporaneidade. 

CENOGRAFIA X FIGURINO X VISAGISMO X TRILHA X ELENCO X TEMA 

Não que outros encenadores não estejam atentos a esses pontos; mas o que distingue Ribeiro é o fato que ele enfatiza cada um deles com profissionais altamente qualificados, para depois equilibrá-los dando uma uniformidade que resulta no espetáculo final.

Essa forte atenção aos seis componentes e o equilíbrio deles forma a cartilha desse encenador que nos surpreende a cada novo espetáculo.

Uma vez cumpridos cenografia, figurino, visagismo, trilha e elenco, resta o tema – via dramaturgia - para completar o espetáculo.

 No meu modo de ver os espetáculos melhor sucedidos de Ribeiro foram aqueles que tinham dramaturgias consistentes [“Esperando Godot” (2017), “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” (2021), “Dias Felizes” (2023) e “Trilogia Kafka” (2025)].

Dramaturgias frágeis a partir de textos não teatrais resultaram em espetáculos menos felizes [“Dias de Amor e de Guerra” (2024), “Projeto Clarice” (2025) e o atual “Projeto Wislawa” (2026)].

Uma grande exceção foi “Prontuário 12.528” (2024) onde a dramaturgia de Cesar Ribeiro costurou de forma brilhante textos de sua autoria com textos que vão desde Pero Vaz de Caminha até Luis Fernando Veríssimo. O resultado foi uma dramaturgia consistente e poderosa.        

Para ilustrar a obra da escritora polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), Ribeiro se vale do artifício de colocar em cena uma mulher condenada à morte por assassinar Wislawa. Essa mulher (papel de Clara Carvalho) serve como narradora e condutora da ação que conta com intervenções da poetisa interpretada por Vera Zimmermann. A sequência dos textos pareceu confusa para este espectador que desconhece a obra de Wislawa tornando o espetáculo um pouco cansativo apesar da curta duração.

Clara Carvalho sempre surpreende a cada novo trabalho e acrescenta mais um ponto em sua carreira. A voz estridente e expressões corporais marcantes são as novidades desta atuação.

Foto de João Caldas

Vera Zimmermann também tem uma rica atuação formando uma dupla coesa com Clara.

Projeto Wislawa é um espetáculo sério, digno e muito belo que merece ser visto e prestigiado.

Em cartaz no Teatro Paulo Eiró até 01/03.

Quinta a sábado, 20h e domingo, 19h 

13/02/2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário