João
Paulo Lorenzon é um solitário no palco. Das doze peças que tenho registro que
ele participou desde “Rei Lear” no ano 2000, seis foram trabalhos solos; do memorável “Memória do Mundo” (2009) onde ele visitou o universo de Jorge Luis
Borges até o atual “Do Cavalo Nada Sabemos” onde a inspiração vem de fato
ocorrido com Friedrich Nietzsche ao presenciar o espancamento de um cavalo.
Partindo
de um poema de Denise Stoklos, Lorenzon e Renata Zambonelli elaboraram a
dramaturgia onde cavalo, observador e açoitador revezam-se para contar uma
história sobre a crueldade humana: em algum momento da vida o ser humano sempre
será vítima de um açoite.
Como
em outros trabalhos de Lorenzon a parte visual é bastante elaborada, como prova
a ficha técnica: Dominic Kiessling responde pelo objeto cenográfico que envolve
o ator na parte final, Leandro Castro assina o figurino sóbrio do ator e a cena
é iluminada com o habitual talento de Wagner Freire.
O
ator teve preparação corporal de Toshiko Oiwa e Lu Favoreto, preparação
circense de Kiko Caldas, preparação física de Leandro Marques e preparação
contínua de Isabel Setti, além do olhar também contínuo das diretoras Denise
Stoklos e Alessandra Maestrini, tudo isso resultando numa interpretação muito
sofisticada na sua aparente simplicidade, incluindo chibatadas em uma
“coreografia extenuante”, conforme informa o programa da peça.
DO
CAVALO NADA SABEMOS está em cartaz no SESC Ipiranga até 11/10. Sextas, 21h /
Sábados e domingos, 18h30.
20/09/2026


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