domingo, 20 de setembro de 2026

DO CAVALO NADA SABEMOS

 

       João Paulo Lorenzon é um solitário no palco. Das doze peças que tenho registro que ele participou desde “Rei Lear” no ano 2000, seis foram trabalhos solos; do memorável “Memória do Mundo” (2009) onde ele visitou o universo de Jorge Luis Borges até o atual “Do Cavalo Nada Sabemos” onde a inspiração vem de fato ocorrido com Friedrich Nietzsche ao presenciar o espancamento de um cavalo.

       Partindo de um poema de Denise Stoklos, Lorenzon e Renata Zambonelli elaboraram a dramaturgia onde cavalo, observador e açoitador revezam-se para contar uma história sobre a crueldade humana: em algum momento da vida o ser humano sempre será vítima de um açoite.

       Como em outros trabalhos de Lorenzon a parte visual é bastante elaborada, como prova a ficha técnica: Dominic Kiessling responde pelo objeto cenográfico que envolve o ator na parte final, Leandro Castro assina o figurino sóbrio do ator e a cena é iluminada com o habitual talento de Wagner Freire.

       O ator teve preparação corporal de Toshiko Oiwa e Lu Favoreto, preparação circense de Kiko Caldas, preparação física de Leandro Marques e preparação contínua de Isabel Setti, além do olhar também contínuo das diretoras Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, tudo isso resultando numa interpretação muito sofisticada na sua aparente simplicidade, incluindo chibatadas em uma “coreografia extenuante”, conforme informa o programa da peça.

       DO CAVALO NADA SABEMOS está em cartaz no SESC Ipiranga até 11/10. Sextas, 21h / Sábados e domingos, 18h30.

 

       20/09/2026

 

 

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