O dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906)
escreveu esta sua última peça em 1899 aos setenta e um anos de idade e o escultor
Rubek, protagonista da trama, poderia ser seu alter ego, pois tem idade próxima
à sua e sofre de angústias pessoais e profissionais, algo que também podia
estar acontecendo com ele na época da escrita.
Ao que se sabe essa peça nunca foi
montada em São Paulo e teve apenas três apresentações no Theatro Municipal em
1991 dentro da “Mostra de Teatro da 21ª Bienal Internacional”, numa montagem
assinada por Bob Wilson com Joel Grey (o mestre de cerimônias do filme
“Cabaret”) no papel de Rubek.
Revendo um velho caderno meu da época
escrevi que o espetáculo era visualmente muito bonito, mas pouco entendível
porque não havia legendas.
Sendo assim, é muito bem vinda esta
montagem produzida pelo “Ágora Teatro” para conhecimento desta importante obra
de Ibsen, do qual conhecemos tantas outras.
A produção é muito bem cuidada a
começar pela excelente cenografia assinada por Sylvia Moreira que contempla com
muita beleza os três espaços exigidos pela peça, dando-se ao luxo de reproduzir
parte de um quadro de Monet para compor o jardim da casa. Os figurinos (sóbrios
para os homens e muito sugestivos e belos para as mulheres) também são de
Sylvia. A cena é iluminada por Wagner Freire e Dan Maia percorre novos caminhos
com uma belíssima e envolvente trilha sonora que remete àquelas para cinema de John
Barry.
Contando com essa incrível equipe
criativa e um ótimo elenco Elias Andreato dirigiu o espetáculo obtendo um
resultado harmonioso e belo.
Angelo Brandini tem uma rápida
aparição no início como o inspetor, que na verdade não se sabe a quantas vem.
Fernando Nitsch é vigoroso na
composição de Ulfheim, o caçador de ursos, exagerando às vezes nos gritos.
Maria Fernanda Candido representa a
etérea Irene de maneira muito solene, algo que prejudica a personagem.
Maria Manoella como Maja, a esposa de
Rubek, é uma grande figura em cena com sua beleza e sua classe. A cena entre
ela e Frateschi no segundo ato é um grande, talvez o melhor, momento da peça.
Com todo seu talento, Celso Frateschi não
faz esforço para brilhar como Rubek e acrescenta mais um tento em sua carreira.
Teatrão clássico muito bom que não deve
agradar aqueles acostumados ao vapt vupt dos chamados “tempos modernos”.
O programa impresso contém uma
importante matéria de Wellington Andrade para ser lida antes do início da peça
para melhor fruição da mesma.
QUANDO DESPERTARMOS DE ENTRE OS MORTOS está em cartaz no SESC Pinheiros – Teatro Paulo Autran até 08 de novembro. De quinta a sábado, 20h e domingo, 18h
Minha observação como espectador e não como o autor desta matéria: Seria mais elegante e mais justo que nos aplausos finais Celso trouxesse para a frente da cena não só ele e Maria Fernanda, mas também Maria Manoella que tem uma importante participação no espetáculo.
09/10/2026

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