sábado, 10 de outubro de 2026

QUANDO DESPERTARMOS DE ENTRE OS MORTOS

 

O dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) escreveu esta sua última peça em 1899 aos setenta e um anos de idade e o escultor Rubek, protagonista da trama, poderia ser seu alter ego, pois tem idade próxima à sua e sofre de angústias pessoais e profissionais, algo que também podia estar acontecendo com ele na época da escrita.

Ao que se sabe essa peça nunca foi montada em São Paulo e teve apenas três apresentações no Theatro Municipal em 1991 dentro da “Mostra de Teatro da 21ª Bienal Internacional”, numa montagem assinada por Bob Wilson com Joel Grey (o mestre de cerimônias do filme “Cabaret”) no papel de Rubek.

Revendo um velho caderno meu da época escrevi que o espetáculo era visualmente muito bonito, mas pouco entendível porque não havia legendas.

Sendo assim, é muito bem vinda esta montagem produzida pelo “Ágora Teatro” para conhecimento desta importante obra de Ibsen, do qual conhecemos tantas outras.

A produção é muito bem cuidada a começar pela excelente cenografia assinada por Sylvia Moreira que contempla com muita beleza os três espaços exigidos pela peça, dando-se ao luxo de reproduzir parte de um quadro de Monet para compor o jardim da casa. Os figurinos (sóbrios para os homens e muito sugestivos e belos para as mulheres) também são de Sylvia. A cena é iluminada por Wagner Freire e Dan Maia percorre novos caminhos com uma belíssima e envolvente trilha sonora que remete àquelas  para cinema de John Barry.

Contando com essa incrível equipe criativa e um ótimo elenco Elias Andreato dirigiu o espetáculo obtendo um resultado harmonioso e belo.

Angelo Brandini tem uma rápida aparição no início como o inspetor, que na verdade não se sabe a quantas vem.

Fernando Nitsch é vigoroso na composição de Ulfheim, o caçador de ursos, exagerando às vezes nos gritos.

Maria Fernanda Candido representa a etérea Irene de maneira muito solene, algo que prejudica a personagem.

Maria Manoella como Maja, a esposa de Rubek, é uma grande figura em cena com sua beleza e sua classe. A cena entre ela e Frateschi no segundo ato é um grande, talvez o melhor, momento da peça.

Com todo seu talento, Celso Frateschi não faz esforço para brilhar como Rubek e acrescenta mais um tento em sua carreira.

Teatrão clássico muito bom que não deve agradar aqueles acostumados ao vapt vupt dos chamados “tempos modernos”.

O programa impresso contém uma importante matéria de Wellington Andrade para ser lida antes do início da peça para melhor fruição da mesma.

QUANDO DESPERTARMOS DE ENTRE OS MORTOS está em cartaz no SESC Pinheiros – Teatro Paulo Autran até 08 de novembro. De quinta a sábado, 20h e domingo, 18h 

Minha observação como espectador e não como o autor desta matéria: Seria mais elegante e mais justo que nos aplausos finais Celso trouxesse para a frente da cena não só ele e Maria Fernanda, mas também Maria Manoella que tem uma importante participação no espetáculo. 

09/10/2026

 

 

 

 

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