domingo, 22 de fevereiro de 2026

ESSE MUNDO É DOS LOUCOS ... AINDA BEM!

 

Fachada da sede da ºAndar

“Da força da grana que ergue e destrói coisas belas”

(Caetano Veloso) 

Na busca insaciável de desmantelar a cultura e contribuindo para a especulação imobiliária, certos órgãos públicos paulistanos permitiram, só nos últimos meses, o desaparecimento do “Espaço Vento Forte”, do “Teatro de Contêiner” e do “Teatro Procópio Ferreira”.

Mas... Existem os loucos que insistem em investir em cultura, sacrificando até seus próprios bolsos.

A criação do “IBT (Instituto Brasileiro de Teatro)” em 2021 com o lema “Afinal, água e teatro não se negam a ninguém” por cinco jovens (Elisa Volpatto, Guto Portugal, José Aragão, Oliver Tibeau e Samya Pascotto), é o primeiro exemplo que me ocorre e o resultado é aquele importante centro cultural em um edifício no final da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, palco de importantes manifestações teatrais.


Ricardo Grandi transformou o seu estúdio de cinema no Butantã, no “Teatroiquè”, espaço ainda pouco conhecido, que já abrigou “Odisseia – Instalação Para Um Retorno” e “A Máquina”, dois espetáculos importantes da temporada de 2025.


Os jovens Dante Passarelli e Fernanda Zancopé assumiram o espaço antes ocupado pelo “Teatro Elevador”, que agora se chama “Teatro Manás Laboratório” e tem ótima programação.


Por falar em qualidade de programação, é importante citar o “Teatro Estúdio” administrado por Alexandre Galindo e com curadoria de Daniel Marano. Além disso o espaço contribui para a revitalização de uma área da cidade bastante degradada.

E como esquecer de Marcos Felipe e Lucas Bêda, os loucos da “Mungunzá”, que lutam para criar um novo espaço para o “Teatro de Contêiner.”

Lembrando ainda da reabertura do Instituto Capobianco e da criação do ME Teatro, iniciativa de Mara Carvalho, nos fundos do seu restaurante.

A esse bando de benditos loucos, juntam-se Ana Paula Dias e Anayan Moretto que já haviam cometido a audácia de criar o espaço cultural “°Andar” em 2017 em um prédio da Rua Dr. Gabriel dos Santos e agora partindo para a loucura total mudam-se para um belo casarão, totalmente reformado, na mesma rua. O casarão tem salas de ensaio e de exposição (a notar, a importante mostra de fotos de Roberto Setton, ora em cartaz) e ao fundo foi construída uma espaçosa e flexível sala preta multiuso que abrigará os espetáculos teatrais programados para o local.

A abertura do espaço aconteceu numa deliciosa noite de sábado com a apresentação do monólogo “Bombordo ou Uma Ilha Para o Esquecimento” com Ana Paula Dias. Espetáculos estão programados até o fim de junho e tudo indica, pelo entusiasmo das meninas, que a casa continuará com boa programação por muito tempo.

Ao final do espetáculo aconteceu um coquetel onde todos brindaram junto com Ana Paula, Anayan e Telma Fernandes a abertura desse importante espaço para a cultura paulistana.

O que seria de nós se essa gente louca não investisse em suas benditas loucuras?

 

VIVA A LOUCURA

VIVA O TEATRO, TEMPLO DA UTOPIA E DA ESPERANÇA

 

22/02/2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O RETORNO

 

É triste constatar que se os mortos voltassem,

não se saberia, absolutamente, o que fazer com eles.

(Alfred Hitchcock)

         José Roberto Jardim é um ser humano de rara sensibilidade, a qual ele empresta para o seu eu-encenador para presentear o público com espetáculos preciosos.

O germe de “O Retorno”, está em outras duas belíssimas realizações de Jardim: “Não Contém Glúten” (espetáculo memorável de 2016) e “A Desumanização” (2020).

Em “O Retorno”, um casal em luto pela morte/desaparecimento do filho recebe surpreso e alegre o filho de volta e esses fatos (desaparecimento / volta) acontece tantas vezes que esse retorno acaba se tornando banal e até indesejável. Esse retrato cruel de uma família é o tema desse texto do dramaturgo e compositor norueguês Fredrik Brattberg (1978).

Como bom compositor de música clássica Brattberg escreve um texto que podia ser chamado de “variações em torno de um retorno” e as cenas poderiam ser classificadas como os andamentos de uma música: adagio, alegro, alegro ma non troppo, presto, dependendo das reações do casal nos inúmeros regressos do filho.

Em bom momento, aquilo que poderia ser uma encenação realista, Jardim transformou em um jogo cênico que beira o teatro do absurdo onde todos os recursos teatrais (cenografia, imagens projetadas, iluminação, figurinos, visagismo, trilha sonora e interpretação) são usados de forma total e surpreendente e o mínimo explode em um máximo.

O artista alemão associado ao movimento Bauhaus Oskar Schlemmer (1888-1943) assim definiu o teatro total “ O teatro total deve ser uma criação artística, um conjunto orgânico de feixes de relações entre luz, espaço, superfície, movimento, som e ser humano, com todas as possibilidades de variações e de combinações desses diversos elementos”, e é exatamente isso que Jardim fez ao conceber esse instigante espetáculo que surpreende o público a cada cena (ou variação) posterior a um black out luminoso (isso pode parecer um oxímoro, mas trata-se de um original efeito de luz criado por Aline Santini que, pelo excesso de luz, cega o público criando um efeito de black out. Só vendo! Só vendo!).

O espetáculo tem uma precisão cirúrgica onde cada elemento tem seu tempo certo de interferir e de durar, algo importante também para a interpretação e para a movimentação corporal do elenco que brilha como a mãe (Helena Ranaldi), o pai (Leonardo Medeiros) e o filho (Pedro Waddington).

A projeção de imagens (Coletivo Bijari), assim como a deslumbrante (perdão por mais esse adjetivo!!) iluminação criada por Aline Santini dialogam com a cena, assim como a trilha sonora de Rafael Thomazini. É importante destacar aqui a importância da operação de áudio e vídeo (também por Rafael Thomazini) que deve estar totalmente em sincronia com o restante das funções.

O claro-escuro de algumas cenas remete aos quadros de Caravaggio (1571-1610), assim como não há como não lembrar de Edward Hopper (1882-1967) nas cenas de solidão do casal.

O resultado obtido por José Roberto Jardim na regência de todos esses elementos não é menos que belo e surpreendente, além de nos fazer refletir sobre as nuances das relações familiares.

Desde já um dos mais importantes espetáculos do ano.

Não é mais necessário ir a Bayreuth para assistir a uma ópera de Wagner, mantidas as devidas proporções, temos um bom exemplo de teatro total aqui em casa no SESC Santana, graças ao trabalho do Zé!!

NÃO DEIXE DE VER e DE SE SURPREENDER COM TANTA CRIATIVIDADE EM CENA!

 

Em tempo: O programa impresso (isso é pleonasmo, pois TODO programa deveria ser impresso) é muito rico em informações relatadas por grande parte dos envolvidos na encenação). 

O RETORNO está em cartaz no SESC Santana até 01/03: sexta e sábado,20h e domingo, 18h. Para sessões extras consulte o site do SESC. 

17/02/2026

sábado, 14 de fevereiro de 2026

PROJETO WISLAWA

Foto de João Caldas

Cesar Ribeiro tem estilo. Simples assim.

Seus espetáculos têm marca própria na beleza da cenografia (sempre assinada por J.C. Serroni), na potência dos figurinos (Telumi Helen), no forte visagismo (Louise Helène), na iluminação (Rodrigo Palmieri, na atual montagem), na sempre surpreendente trilha sonora escolhida por ele mesmo, na escolha do elenco que pode contar, sempre que possível, com a presença iluminada de Clara Carvalho e na escolha de temas fortes que reproduzam o caos e a violência da contemporaneidade. 

CENOGRAFIA X FIGURINO X VISAGISMO X TRILHA X ELENCO X TEMA 

Não que outros encenadores não estejam atentos a esses pontos; mas o que distingue Ribeiro é o fato que ele enfatiza cada um deles com profissionais altamente qualificados, para depois equilibrá-los dando uma uniformidade que resulta no espetáculo final.

Essa forte atenção aos seis componentes e o equilíbrio deles forma a cartilha desse encenador que nos surpreende a cada novo espetáculo.

Uma vez cumpridos cenografia, figurino, visagismo, trilha e elenco, resta o tema – via dramaturgia - para completar o espetáculo.

 No meu modo de ver os espetáculos melhor sucedidos de Ribeiro foram aqueles que tinham dramaturgias consistentes [“Esperando Godot” (2017), “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” (2021), “Dias Felizes” (2023) e “Trilogia Kafka” (2025)].

Dramaturgias frágeis a partir de textos não teatrais resultaram em espetáculos menos felizes [“Dias de Amor e de Guerra” (2024), “Projeto Clarice” (2025) e o atual “Projeto Wislawa” (2026)].

Uma grande exceção foi “Prontuário 12.528” (2024) onde a dramaturgia de Cesar Ribeiro costurou de forma brilhante textos de sua autoria com textos que vão desde Pero Vaz de Caminha até Luis Fernando Veríssimo. O resultado foi uma dramaturgia consistente e poderosa.        

Para ilustrar a obra da escritora polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), Ribeiro se vale do artifício de colocar em cena uma mulher condenada à morte por assassinar Wislawa. Essa mulher (papel de Clara Carvalho) serve como narradora e condutora da ação que conta com intervenções da poetisa interpretada por Vera Zimmermann. A sequência dos textos pareceu confusa para este espectador que desconhece a obra de Wislawa tornando o espetáculo um pouco cansativo apesar da curta duração.

Clara Carvalho sempre surpreende a cada novo trabalho e acrescenta mais um ponto em sua carreira. A voz estridente e expressões corporais marcantes são as novidades desta atuação.

Foto de João Caldas

Vera Zimmermann também tem uma rica atuação formando uma dupla coesa com Clara.

Projeto Wislawa é um espetáculo sério, digno e muito belo que merece ser visto e prestigiado.

Em cartaz no Teatro Paulo Eiró até 01/03.

Quinta a sábado, 20h e domingo, 19h 

13/02/2026

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ESTREIAS TEATRAIS


Ato único

 

Eu acho que eu não vou mais em estreias.

 

- Boa noite, eu gostaria de retirar um par de convites.

- É convidado da produção ou de quem?

- Recebi o convite da assessoria de imprensa.

- Ah, então não é aqui, é lá naquele balcão.

 

Depois de perambular pelos 427 balcões do teatro finalmente estou com o ingresso em mãos e me dirijo à entrada. Após várias tentativas sem sucesso, finalmente o aparelho do porteiro consegue ler o Qr code do meu bilhete e eu entro na sala de espera que está lotada de convidados do elenco, de elementos da classe teatral, de críticos e de muita gente especializada em ir a qualquer evento que sirva um coquetel.

 

- Oi, quanto tempo, que saudades!! (beijinhos, beijinhos).

Com frases desse tipo, que remetem àquelas da canção “Sinal Fechado” de Paulinho da Viola, as pessoas vão circulando rapidamente, para se fazer notar para o maior número dos presentes.

 

Entra-se na sala de espetáculos. Após atraso de meia hora, toca o terceiro sinal e o espetáculo vai começar, mas pode acontecer da cortina insistir em não abrir atrasando mais um pouco o início.

No palco sempre tem uma luz que não foi afinada ou um spot que se recusa a acender, vez ou outra o som não foi equalizado ou falha o microfone de alguém do elenco.

Acontece também de um ator não ter o texto totalmente decorado ou de uma atriz ainda não saber a marcação da cena.

Barbara Heliodora dizia que na estreia o espetáculo já devia estar completamente pronto, mas isso nem sempre acontece.

Como a plateia de estreia (e/ou sessão vip e/ou sessão para convidados) é formada por amigos e familiares do elenco as risadas e os aplausos quando um ou outro intérprete aparece em cena são comuns e, ao final, os aplausos - em pé, é claro! -, são verdadeiras ovações, seguidas de um prolongado e sonoro UUUU!;  por sinal quem foi que inventou esse terrível UUUU, antigamente isso era vaia!

Nesses aplausos finais o elenco chama ao palco o autor e o diretor que falam algumas palavras e vão chamando todas as outras pessoas da produção que se acotovelam no palco em busca de um lugar ao sol, e ainda há lugar para pedir aplausos até para o papagaio de louça que enfeita a mesinha do cenário, prolongando o evento por mais de cinco minutos, com o público amigo sempre aplaudindo calorosamente e gritando cada vez mais UUUU, UUUU!

 

Chegou a hora do coquetel e de toda galera lutar para marcar presença e aparecer mais do que as estrelas da peça, além de buscar avidamente sua taça de espumante e suas guloseimas salgadas.

Circulando velozmente por todo o espaço dando beijinhos e abraços a quem vê pela frente todos parecem muito felizes com o que acabaram de ver.

As conversas, então, são de uma originalidade à toda prova:

 

- Puxa, quanto tempo!  Fazia meses que a gente não se via. Você não tem mais recebido cortesia para as estreias?

- Que tal? Gostou?

- Gostei, mas tenho uns senões. (segue-se um rosário de senões para um interlocutor absolutamente desinteressado)

- Você vai escrever?

- Aquela atriz é bonita, mas está bem fraquinha, você não achou?

- Eu achei a direção GENIAL! Esse encenador é mesmo um gênio!

- Aquela outra é boa atriz, mas está tão acabada.

- Olá Olegário, vou aguardar ansioso sua crítica irretocável, repleta de adjetivos tão significativos.

- Sabe quem está muito doente?

- Onde estão servindo o espumante?

- Nossa, como a Eliseth Porciúncula está gorda!

- O que você vai assistir amanhã?

- Você tira uma foto minha com o Cassiano Lebourge? Adoro o trabalho dele nas novelas da TV.

- Não tenho visto o Eleotério, onde ele anda? Será que está doente?

- Vem comigo, quero dar um abraço na Fernanda e tirar uma foto com ela.

- Procura a comidinha aonde está o Serafim, ele está sempre perto da mesa de quitutes devorando tudo o que vê pele frente.

- Vamos fazer uma selfie!?

- Ih, mas são sempre os mesmos salgadinhos.

 

 É... sempre digo que não venho mais em estreias, mas acabo vindo!

- Por falar nisso, você gostou? Vai na estreia de amanhã?

 

FIM

11/02/2026

sábado, 7 de fevereiro de 2026

CHOQUE: PROCURANDO SINAIS DE VIDA INTELIGENTE

 

Alô, alô Marciano

Aqui quem fala é da Terra

Pra variar, estamos em guerra

Você não imagina a loucura 

O ser humano tá na maior fissura 

(Rita Lee e Roberto de Carvalho)

         A canção em epígrafe poderia fazer parte da trilha sonora de mais esta viagem de Gerald Thomas ambientada nos escombros do capitalismo, onde uma mulher desesperançada com a humanidade procura contato com extraterrestres em busca de melhores dias.

O espetáculo de Thomas flui sem lógica aparente diretamente de seus pensamentos, traumas e devaneios. Apesar de ter por base o texto da norte americana Jane Wagner, são as intervenções criadas por ele que dão o colorido à montagem, resultando necessariamente caótica e sem agradar boa parte do público.

Como em todo espetáculo de Thomas, a estética procura encobrir suas incontáveis divagações com a cenografia de Fernando Passetti, a bela iluminação de Wagner Pinto e a inusitada trilha sonora assinada por ele.

A sonoplastia (Marcelo Alonso Neves) deu sinal de cansaço na noite de 06/02/2026 com problemas no microfone usado pela atriz, gerando uma incômoda paralização do espetáculo por quinze minutos. Entendo como deselegante o fato que nenhuma explicação tenha sido dada ao público sobre o que ocorreu.

Danielle Winits afasta-se de seus costumeiros papeis de moça bonita e glamorosa para interpretar uma moradora de rua que vive no meio do lixo, desconcertada com a realidade e sempre à espera de um contato alienígena. Fisicamente o tipo resultante remete àquele de Meryl Streep em “Ironweed”, importante e pouco conhecido filme de Hector Babenco. A atriz é bastante esforçada e sai-se bem dessa difícil empreitada, podendo se imaginar a dificuldade em decorar o texto de Thomas.

Ao final a mulher parece encontrar um caminho para dias melhores ao se dirigir a uma nave espacial dirigida pelos alienígenas de vida inteligente. Sem querer ser irônico, essa cena me fez lembrar da cena final do filme “E.T. O Extraterrestre”. 

CHOQUE está em cartaz no Teatro FAAP às sextas e sábados às 20h e os domingos às 17h até 29 de março. 

07/02/2026

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

AQUI, AGORA, TODO MUNDO

 

Foto de Kim Leekyung

Existem assuntos tabus que precisam vir à baila para serem discutidos e dentro do possível serem prevenidos. A saúde mental, a depressão que vem ocorrendo entre jovens, levando muitos deles a atitudes extremas são alguns desses assuntos que em bom momento nosso teatro vem discutindo.

Depois de “O Filho” e “Etiqueta do Luto”, “Aqui, Agora, Todo Mundo” trata também desse assunto espinhoso. Enquanto nas duas primeiras o depressivo é apresentado por meio de seus familiares, na última é ele próprio que fala de seus problemas.

O texto da peça de Felipe Barros é inspirado no livro homônimo de Alexandre Mortagua, mas parece conter também elementos de sua própria vida e o resultado é um retrato corajoso de jovens com a saúde mental comprometida. A dramaturgia é assinada por ele e pelo diretor Heitor Garcia.

Sozinho em cena o autor vai narrando a sua trajetória guiado pelas fichas previamente distribuídas para o público que são levantadas aleatoriamente. Felipe é um bom ator e tem boa comunicação com o público.

Valendo-se de um belo e preciso desenho de luz de Rodrigo Pivetti e um potente desenho de som de DJ Agatha que inclui músicas de Jaloo, Heitor Garcia dirige o espetáculo com segurança incomum para um estreante na função, não desviando a sua atenção no ator em nenhum momento.

Ao final do espetáculo a dramaturga Nanna de Castro fez um comovente e corajoso relato sobre os problemas relativos à saúde mental de sua filha de 16 anos que culminaram com o seu suicídio.


Que um espetáculo como esse sirva de alerta para os familiares de jovens e para todos que convivem com pessoas depressivas. 

AQUI, AGORA, TODO MUNDO está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso aos sábados, domingos e segundas às19h até 1º de março.

05/02/2026

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

HIP HOP HAMLET

 


Eu precisaria conhecer melhor a linguagem HIP HOP para escrever com mais propriedade sobre esta versão que Claudia Schapira fez da tragédia de Shakespeare. O recorte da autora concentra-se na primeira parte da obra, excluindo as cenas da visita dos comediantes e do duelo final, que são deliciosamente narradas pela MC, Dani Nega. Assuntos relativos a racismo e violência na periferia das grandes cidades são introduzidos na trama sem prejudicar o original.

Correndo o risco de ser impreciso na minha avaliação e de usar termos errados, sigo minha intuição de espectador para afirmar que o resultado é fascinante no gestual (direção de movimentos e coreografia de Luaa Gabarini e Flip Couto), no poderoso som marcado (direção musical de Eugênio de Lima, Daniel Oliva, Dani Nega e Roberta Estrela d”Alva) e na maneira de falar (métricas, “spoken words” e arranjos vocais de Roberta Estrela D’Alva e Dani Nega). Completam o fascínio as excelentes imagens projetadas em três telões (direção de arte e cenografia de Bijari).

Figurinos escuros e carregados de Claudia Schapira, visagismo de Maxime Weber. Desenho de luz de Wagner Pinto e desenho de som de Bruno Pinho

Guilherme Leme Garcia e o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos harmonizam todas essas funções em um espetáculo único e belo, sem descuidar do elenco.

O elenco é homogêneo e cheio de garra, mas cabe destacar as duas coveiras interpretadas por Luaa Gabarini e Roberta Estrela D’Alva, a presença hipnotizante e a linda voz de Lilian Valeska como a Rainha Gertrudes. Jairo Pereira marca presença como o Rei Claudio. Ayomi Domenica dá novos rumos para a sua Ofélia e Dom Capelari se sai muito bem desde a primeira cena onde interpreta o famoso “ser ou não ser” de Hamlet com muita categoria. Dani Nega encarrega-se da importante presença de MC (figura fundamental nesse tipo de espetáculo) e Bgirl Bjump nos deixa boquiabertos com seus "malabarismos corporais" em cena.

Lilian Valeska - Rainha
Dom Capelari - Hamlet

Vale a pena prestar a atenção no desempenho de Daniel Oliva na guitarra e no violão e no DJ Eugênio Lima.

HIP HOP HAMLET está em cartaz no remodelado (agora tem sanitários ao lado da sala!) Teatro YouTube – Sala Eva Herz.

Belo e energizante.

NÃO DEIXE DE VER 

04/02/2026

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

MEDEA

 

Foto de João Caldas

Foi de Eurípedes (480 a.C.– 406 a.C.) a primeira “Medeia” a que assisti em 1970 com a eterna e memorável Cleyde Yáconis no papel título, dirigida por Silnei Siqueira, no mesmo palco do Teatro Anchieta onde hoje três grandes atrizes dividem o papel de Medea na versão de Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.), sob a direção de Gabriel Villela. O mito é o mesmo, mas Sêneca é mais radical e bem mais cruel do que Eurípedes na descrição do furor vingativo de Medea.

Juliana Galdino, Leona Cavalli, Tânia Farias, Bete Coelho e Nicole Cordery foram outras atrizes que interpretaram essa figura mitológica, sem contar Bibi Ferreira que com sua Joana em “Gota D’Água” foi uma das mais poderosas versões da ira e da sede de vingança de Medeia.

O talento de três atrizes se soma à criatividade de Gabriel Villela para apresentar o árido e cruel texto de Sêneca, resultando desde já em um dos mais importantes espetáculos do ano.

Inconformada com o abandono de Jasão, Medea urde e realiza um sanguinário plano de vingança exterminando Creonte, sua filha Creusa (noiva de Jasão) e seus próprios filhos, poupando Jasão para que este viva o luto da perda dos entes queridos.

Rosana Stavis empresta seu enorme talento para interpretar a maior parte do texto, seguida de Mariana Muniz que atua tanto com a voz como com o corpo. Cabe a Walderez de Barros uma cena quase ao final onde ela lê o texto sentada, mas com muita garra e vigor, sendo aplaudida em cena aberta. São interpretações potentes e viscerais onde as atrizes levam quase ao limite o vigor de suas vozes.

Plínio Soares tem uma interpretação propositalmente comedida como a Ama conselheira; Jorge Emil incorpora Jasão com muita emoção e Claudio Fontana, sempre notável, é o poderoso Creonte. Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro encarregam-se do coro que, em certas cenas, tem também a presença de Fontana ou de Emil.

Os figurinos têm a marca registrada do barroquismo de Villela, muito bem complementados pelas máscaras de Shicó do Mamulengo e Junior Soares.

J.C. Serroni prova que beleza não é incompatível com o que se mostra em cena, em um cenário em tons avermelhados que remete a todo sangue resultante da violência e furor de Medea; a luz de Wagner Freire completa o efeito devastador das atitudes da personagem.

A sugestiva trilha sonora é de Carlos Zimbher

“Medea” é um espetáculo sombrio que se junta a outros em cartaz na cidade (“Mulher em Fuga”, “Habitat” e “O Motociclista no Globo da Morte”) para tratar da violência contemporânea que está cada vez mais perto das nossas portas.

Prepare-se para a fúria de Medea!

Em cartaz no Teatro Anchieta (SESC Consolação) até 08/03/2026. Quintas a sábados, 20h. Domingos e feriados, 18h. 

Essa foi a peça que escolhi para ser a quinta milésima (5.000ª) da minha vida de espectador apaixonado. A escolha não podia ter sido mais certa. Assisti na estreia, no dia 29/01/2026, junto com pessoas queridas.

VIVA O TEATRO, TEMPLO DA ESPERANÇA E DA UTOPIA! 

03/02/2026

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PRÊMIO APCA DE TEATRO ADULTO 2025

 


PRÊMIO APCA DE TEATRO ADULTO 2025

Em reunião realizada no Sindicato dos Jornalistas no dia 26 de janeiro de 2026, os críticos da área de teatro adulto da APCA: Bob Souza, Edgar Olímpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Miguel Arcanjo Prado e Vinicio Angelici; elegeram, por votação, os premiados do ano de 2025:

 

ATOR:  Marcelo Médici – Dona Lola

 

ATRIZ: Paula Cohen – Finlândia

 

DRAMATURGIA: Silvia Gomez – Lady Tempestade


DIREÇÃO: Dinho Lima Flor – Restinga de Canudos


ESPETÁCULO: (Um) Ensaio Sobre a Cegueira


PRÊMIOS ESPECIAIS:

- Programa Persona da TV Cultura que há dez anos reverencia a memória do teatro brasileiro.


- Caetano Vilela por sua trajetória teatral em desenho de luz.





A data da cerimônia de premiação será divulgada oportunamente.

26/01/2026

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

O MOTOCICLISTA NO GLOBO DA MORTE

 

Alguns espetáculos estreados neste início da temporada de 2026 estão testando os nervos e a indignação dos espectadores paulistanos.

Depois do impacto de “Mulher em Fuga” e “Habitat” surge “O Motociclista no Globo da Morte”, uma radiografia vigorosa da violência contemporânea.

O dramaturgo Leonardo Netto cria uma teia procurando (e conseguindo) demonstrar por A mais B que violência gera violência até no mais pacífico dos homens.

Há apenas uma cadeira no palco. O ator Eduardo Moscovis entra em cena, senta e já como personagem inicia o seu solo:

- Antônio. O nome é Antônio. Meu nome é Antônio e eu sou matemático.

E segue seu relato insistindo que é um homem pacífico e até covarde em certas situações.

Antônio pacífico e civilizado vê Antônio bruto e valentão no Bar do Zeca e como um motociclista no globo da morte procura desviar do outro motociclista, mas há um momento em que o embate se torna inevitável e fica difícil distinguir a vítima do algoz.

Antônio revela atônito como cenas de violência tanto com humanos, como com animais atraem as pessoas e sejam sempre vistas como grande entretenimento.

A evolução da ação no texto de Leonardo Netto é precisa e hipnotizante e, auxiliada pela excelente interpretação de Moscovis, mantém a plateia em um silêncio raramente visto em nossos teatros até o desfecho depois de uma hora, onde um longo silêncio surpreendente precede os aplausos que ovacionam o ator.

As pessoas saem da sala pasmas com o que acabaram de presenciar, sempre se questionando sobre sua semelhança com um dos Antônios.

Rodrigo Portella mostra mais uma vez seu talento como encenador burilando a interpretação de Moscovis com algumas pausas que reforçam o texto de Netto. Creio que seja do diretor a sutil mudança realizada na última cena da peça prevista no texto. Cabe lembrar que na peça-filme de Portella “(Re)Play” apresentada virtualmente em 2022 há uma cena de briga em família muito parecida com aquilo que acontece nesta peça.

O que se vê em cena é a união de três talentos (autor, ator e encenador) que resulta em um dos espetáculos teatrais mais potentes dos últimos anos.


O MOTOCICLISTA NO GLOBO DA MORTE está em cartaz no Teatro VIVO até 29/03: sexta e sábado, 20h e domingo, 18h.

NÃO DEIXE DE VER! 

24/01/2026

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

HABITAT

 


De soco no estômago em soco de estômago o espectador teatral paulistano se enche de indignação e reflete sobre a perversidade da sociedade contemporânea, haja vista os dois espetáculos estreados no final da semana passada: MULHER EM FUGA e HABITAT, ambos escritos pelos jovens dramaturgos Édouard Louis (1992) e Rafael Primot (1982) que não têm medo de colocar a mão na ferida. Ambos procuram (e conseguem) mostrar como rasteja a humanidade.

MULHER EM FUGA foi assunto de matéria publicada em meu blog:

https://palcopaulistano.blogspot.com/2026/01/mulher-em-fuga.html 

HABITAT

Partindo de um fato real ocorrido em um super mercado de São Paulo onde um segurança espancou um cachorro até a morte, Primot coloca em cena uma jornalista e “influencer” que coordena uma ONG voltada à proteção de animais (Fernanda de Freitas), o segurança que matou o cachorro (Rafael Primot) e o gerente do estabelecimento onde houve a ocorrência (Rogério Brito) com uma estrutura dramatúrgica que me remeteu a algumas peças de David Mamet (Race e Hollywood).

A jornalista tem um confronto violento com o segurança esbravejando e ofendendo o homem durante um enorme “bife” (*) com cerca de vinte minutos, ele se defende argumentando que o mandaram  agir daquele modo. Como a revelação desse fato nas redes sociais comprometeu a empresa, o gerente da mesma entra em cena para “dialogar” com a jornalista.

Qual o preço de um ser humano? Por quanto ele se vende? A Senhora Luckerniddle em “Santa Joana dos Matadouros” se vendeu por dez pratos de sopa e esse assunto tão recorrente na obra de Brecht aparece com toda a força neste texto de Primot, desenvolvido de forma exemplar até o desfecho impactante que acontece com as derradeiras falas da jornalista.

É um verdadeiro privilégio para o espectador presenciar o jogo cênico entre o elenco: Rogério Brito empresta seu carisma e sua potente voz para a figura asquerosa e dúbia  do gerente, Rafael Primot se transfigura, tornando-se irreconhecível e feio, usando apenas recursos faciais e corporais e alterações no tom de voz, demostrando mais uma vez que é um dos melhores atores de sua geração e Fernanda de Freitas é uma grata surpresa iniciando a peça exagerando na atuação (a palavra “overacting” em inglês é mais bonita) e mantendo as mesmas fibra e garra até o final do espetáculo.

Suborno, manipulação pelo poder e pelo dinheiro, os perigos das redes sociais, as falsas notícias e o desprezo pelas classes menos favorecidas são alguns dos assuntos que Rafael Primot denuncia em seu denso espetáculo.

Lavínia Pannunzio e Eric Lenate dirigem o espetáculo discretamente focando a atenção no trabalho do elenco. O cenário de Lenate tem ventiladores que giram lentamente durante toda a apresentação e eles parecem ser as testemunhas mudas da violência que ocorre em cena.

Um potente espetáculo.

Cartaz do Teatro Estúdio às terças, quartas e quintas às 20h. 

(*) Jargão teatral para uma longa intervenção de uma personagem, sem a interrupção de outra personagem que também está em cena. 

20/01/2026

domingo, 18 de janeiro de 2026

MULHER EM FUGA

 

O que pode esperar do futuro uma moça oriunda de família pobre e ignorante residindo numa vila operária de uma cidade também com poucos recursos? Trabalhar em uma padaria, engravidar muito jovem, casar com um homem onde “quem manda na minha casa sou eu”, ter muitos outros filhos e aguentar os   assédios e proibições do marido.

O jovem escritor Édouard Louis (1992) nasceu em Hallencourt no extremo norte da França, numa família disfuncional que ele trata de maneiras crua e corajosa em sua obra literária focando em cada livro a mãe, o pai, o irmão e ele mesmo, que sofreu grande repressão por se revelar homossexual desde pequeno. Trata- se de auto ficção que ultrapassa o confessional para tratar das grandes mazelas da sociedade machista e preconceituosa em que vivemos.

Pedro Kosovski fez a adaptação teatral dos livros que o autor dedica à mãe (“Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher” e “Monique se Liberta”) os unindo no ato único “Mulher em Fuga”. A primeira parte trata da submissão e da vida monótona da mãe e a segunda mostra como ela conseguiu se libertar dessas amarras que a vida lhe impôs.

A encenação de Inez Viana tem uma precisão cirúrgica (jamais fria!) valendo-se do projeto cenográfico de Dina Salem Levy que de início parece ser grande demais, mas que ao longo da encenação vai ser o suporte para a movimentação do elenco, sempre acompanhado do preciso desenho de luz de Aline Santini.

Nesse ambiente Tiago Martelli como o filho e Malu Galli como a mãe representam a história criada por Édouard Louis baseada na sua pesada experiência pessoal.

Malu Galli é uma grande atriz que não tem que nos provar mais nada, mas volta a surpreender com uma interpretação visceral de uma mulher à beira do esgotamento depois de anos de submissão, agressão e humilhação que vieram não só de seus companheiros, mas de toda sociedade. Quando encontra meios (até financeiros) para se libertar desse esquema, Malu mostra essa reviravolta de modo muito original e catártico, que evito revelar aqui, para não tirar o prazer da surpresa para quem vai assistir ao espetáculo.

Uma pequena observação sobre o visagismo assinado por Vini Kilesse: a peruca loira usada pela atriz encobre em certos momentos a poderosa expressão facial da atriz. Creio que uma fivela discreta poderia resolver esse problema.

Tiago Martelli acompanha a atriz no mesmo nível e tem interpretação e dicção dignas de elogios.

Para compreender melhor o pensamento e a obra de Édouard Louis assista ao programa “Roda Viva” da TV Cultura em que ele foi entrevistado (disponível no Youtube), leia seus livros e assista a este importante e corajoso espetáculo.

O escritor deve participar como ator da próxima MITsp com a dramatização do livro “Quem Matou Meu Pai”. 

MULHER EM FUGA está em cartaz no SESC 14 Bis até 08/02. Quinta a sábado, 20h /Domingo, 18h

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL.

17/01/2026

 

 

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

DOMINGO NO PARQUE, O MUSICAL

 

Nunca houve, nem haverá jamais outra canção como “Domingo no Parque” de Gilberto Gil. No “Festival de Música Popular Brasileira” da TV Record de 1967 essa música causou espanto, vestida com um revolucionário arranjo de Rogério Duprat, que mescla sons de música clássica com toques de berimbau e interpretada por Gil e Os Mutantes.

Nos seus três minutos e quarenta e dois segundos de duração a canção conta uma história desde a definição dos personagens até seus finais trágico. Tudo de maneira tão envolvente que o ouvinte chega a visualizar o que acontece com José, João e Juliana.

A transposição para a cena teatral dessa história sensual e trágica que acontece em um ambiente de capoeira deve ter ficado no imaginário de muitos encenadores brasileiros por muito tempo.

O diretor Alexandre Reinecke comenta que essa ideia ficou na sua cabeça por 30 anos até a sua realização ora em cartaz no Teatro Claro Mais SP.

Reinecke criou uma dramaturgia simples, mas bem estruturada ambientada numa roda de capoeira e seus arredores. Introduziu as personagens de Juci, companheira de João e da Mãe Preta, conselheira de José. Comparecem também duas crianças, uma, filha de Juci e João e a outra, filha de Juliana. Juliana é cantora numa casa noturna e, para dar um toque político em sua versão, o autor também a coloca como militante engajada na luta contra a ditadura (a ação se passa nos anos 1970).

Com a inclusão desse aspecto político abriu-se uma brecha para a inclusão da “Canção do subdesenvolvido” de Carlos Lyra e Chico de Assis muito em voga naqueles anos de chumbo. Esse número musical encerra de maneira vibrante o primeiro ato com todo o elenco no palco.

Com todos esses elementos e a inclusão de 20 canções, Reinecke, agora encenador, transformou os três minutos e quarenta e dois segundos da canção em um espetáculo musical de duas horas de duração.

Os números musicais são bem interpretados sob a direção musical de Bem Gil e a preparação vocal de Gabe Fabri.

São sempre estimulantes as cenas de capoeira muito bem realizadas por quase todo o elenco.

O cenário de Marco Lima mostra de maneira simples e bela a casa de João e Juci, a casa de José, a banca da feira de José, a roda de capoeira e, é claro, o parque de diversões com direito até à roda gigante. Tudo isso sob a iluminação, sempre “iluminada” de Cesar Pivetti. Figurinos de Lena Santana e direção de arte de Billy Castilho.

Todo o elenco tem uma interpretação correta, mas não há como não destacar a presença forte de Adriana Lessa e sua bela voz como Mãe Preta, o magnetismo de Badu Morais como Juci, a mulher sofrida de João (ela tem alguns números musicais que arrancam emoção e aplausos da plateia).

E um tópico especial para Alan Rocha como José. Alan tem um gingado todo especial tão cheio de significados que poderia fazer parte ilustrativa do capítulo de “gestus” de um livro de Brecht. Sua interpretação é tragicômica e é o grande trunfo desta montagem. O ano teatral está apenas começando, mas já se pode pensar em seu nome na lista das melhores interpretações do ano.

O grande mérito desta encenação de Alexandre Reinecke é que há uma coerência entre o texto e a escolha das canções que o ilustram, sem as apelações e clichês desnecessários e tão presentes em espetáculos “livremente inspirados”.

 

DOMINGO NO PARQUE, O MUSICAL está em cartaz no Teatro Claro Mais SP até 08 de fevereiro com sessões:  quinta e sexta (20h), sábado (17h e 20h30), domingo (18h)

 

DELICIE-SE!

 

        06/01/2026