1 -Um pouco de história
O dramaturgo napolitano Eduardo De
Filippo escreveu “Filumena Marturano” em 1946 no imediato pós segunda guerra
numa Itália, em especial do Sul, devastada pela pobreza e pela fome. A peça foi
escrita para sua irmã Titina. Em 1951 Eduardo dirigiu o filme sobre a peça com
Titina como Filumena e ele como o seu companheiro Domenico.
Em 1964 Vittorio De Sica dirige sua
versão (“Matrimônio à Italiana”) tendo Sophia Loren e Marcello Mastroianni nos
papeis principais.
Em 1979 Laurence Oliver filma a peça com
Joan Plowright e Frank Finlay.
No Brasil a peça foi montada em 1988 no Rio de Janeiro com direção de Paulo Mamede tendo os saudosos Yara Amaral e José Wilker como protagonistas. Yara foi substituída por Nathália Timberg após sua trágica morte no réveillon de 1988/1989 com o naufrágio do Bateau Mouche na Baía de Guanabara.
2 -A Filumena do TAPA
Esta Filumena só podia dar certo!
Como que o ótimo texto de Eduardo De
Filippo sob a direção sempre precisa de Eduardo Tolentino, interpretado por um
elenco de ouro e com a produção sempre cuidadosa de Mauricio Inafre poderia dar
errado?
NUNCA!
O comerciante Domenico conheceu
Filumena em um bordel e eles vivem juntos há 25 anos. Ao saber que ele pretende
se casar com uma jovem, ela finge estar à beira da morte pedindo como último
desejo que ele se case com ela.
A peça inicia quando Domenico descobre
as artimanhas que Filumena armou para que ele se casasse com ela e dá margem
aos primeiros momentos hilários da peça quando os criados da casa Alfredo
(Walter Breda) e Rosália (Maria do Carmo Soares) quase roubam a cena com suas
reações mudas às imprecações de Domenico (André Garolli) e as reações não menos
intempestivas de Filumena (Sandra Corveloni).
O elenco formado pelo imenso talento
desse quarteto muito bem acompanhado pela criada Lucia (Mari Teixeira), pelos
três filhos de Filumena (Ivan Nóbrega, Felipe Souza e Ruiz Angellus), pelo
advogado (Daniel Volpi) da amante Diana (Luisa Ferrari) de Domenico garante o
humor reinante durante toda a duração da peça dirigida com o habitual esmero de
Eduardo Tolentino de Araujo. Poucas vezes se vê elenco tão uniforme na
qualidade do desempenho.
Não há como não destacar mais uma vez o
brilhantismo de André e Sandra e a garra com que defendem suas personagens.
Momentos como aquele em que Domenico
bate a cabeça de Lucia na cristaleira e outro em que ele escorrega no tapetinho
da sala enriquecem ainda mais essa gostosa comédia napolitana.
Sandra tem outros momentos memoráveis como Filumena, ora cantando “canzonetas” napolitanas, ora relembrando a sua origem pobre e
difícil e ainda quando enfrenta com energia o machismo de Domenico.
Como toda produção com a marca TAPA há
muito cuidado com a cenografia (Flavio Tolezani), com a iluminação (Wagner
Pinto) e com os figurinos (Mariana Baffa).
O bem-vindo programa impresso contém
textos e belas fotografias de Ronaldo Gutierrez.
Trata-se de uma comédia popular muito
engraçada e bem realizada que agradará em cheio o público frequentador do
Teatro do SESI. Excelente como formador de público, porque quem vai ao teatro
perla primeira vez e assiste a espetáculo tão delicioso como esse vai querer
voltar.
Com todo esse humor a peça não deixa
de fazer uma crítica severa ao patriarcado e revelar a capacidade da mulher de
reagir e enfrentar o ambiente machista.
FILUMENA MARTURANO está em cartaz no
Teatro do SESI até 20 de dezembro de quinta a sábado, 20h e domingo, 19h.
Ingressos gratuitos.
ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!
18/10;2026



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