segunda-feira, 19 de outubro de 2026

FILUMENA MARTURANO

 

 

 1 -Um pouco de história

        O dramaturgo napolitano Eduardo De Filippo escreveu “Filumena Marturano” em 1946 no imediato pós segunda guerra numa Itália, em especial do Sul, devastada pela pobreza e pela fome. A peça foi escrita para sua irmã Titina. Em 1951 Eduardo dirigiu o filme sobre a peça com Titina como Filumena e ele como o seu companheiro Domenico.

        Em 1964 Vittorio De Sica dirige sua versão (“Matrimônio à Italiana”) tendo Sophia Loren e Marcello Mastroianni nos papeis principais.

        Em 1979 Laurence Oliver filma a peça com Joan Plowright e Frank Finlay.

        No Brasil a peça foi montada em 1988 no Rio de Janeiro com direção de Paulo Mamede tendo os saudosos Yara Amaral e José Wilker como protagonistas. Yara foi substituída por Nathália Timberg após sua trágica morte no réveillon de 1988/1989 com o naufrágio do Bateau Mouche na Baía de Guanabara.

                2 -A Filumena do TAPA

Esta Filumena só podia dar certo! 

Como que o ótimo texto de Eduardo De Filippo sob a direção sempre precisa de Eduardo Tolentino, interpretado por um elenco de ouro e com a produção sempre cuidadosa de Mauricio Inafre poderia dar errado?

NUNCA!

O comerciante Domenico conheceu Filumena em um bordel e eles vivem juntos há 25 anos. Ao saber que ele pretende se casar com uma jovem, ela finge estar à beira da morte pedindo como último desejo que ele se case com ela.

A peça inicia quando Domenico descobre as artimanhas que Filumena armou para que ele se casasse com ela e dá margem aos primeiros momentos hilários da peça quando os criados da casa Alfredo (Walter Breda) e Rosália (Maria do Carmo Soares) quase roubam a cena com suas reações mudas às imprecações de Domenico (André Garolli) e as reações não menos intempestivas de Filumena (Sandra Corveloni).

O elenco formado pelo imenso talento desse quarteto muito bem acompanhado pela criada Lucia (Mari Teixeira), pelos três filhos de Filumena (Ivan Nóbrega, Felipe Souza e Ruiz Angellus), pelo advogado (Daniel Volpi) da amante Diana (Luisa Ferrari) de Domenico garante o humor reinante durante toda a duração da peça dirigida com o habitual esmero de Eduardo Tolentino de Araujo. Poucas vezes se vê elenco tão uniforme na qualidade do desempenho.

Não há como não destacar mais uma vez o brilhantismo de André e Sandra e a garra com que defendem suas personagens.

Momentos como aquele em que Domenico bate a cabeça de Lucia na cristaleira e outro em que ele escorrega no tapetinho da sala enriquecem ainda mais essa gostosa comédia napolitana.

Sandra tem outros momentos memoráveis como Filumena, ora cantando “canzonetas” napolitanas, ora relembrando a sua origem pobre e difícil e ainda quando enfrenta com energia o machismo de Domenico.

Como toda produção com a marca TAPA há muito cuidado com a cenografia (Flavio Tolezani), com a iluminação (Wagner Pinto) e com os figurinos (Mariana Baffa).

O bem-vindo programa impresso contém textos e belas fotografias de Ronaldo Gutierrez.

Trata-se de uma comédia popular muito engraçada e bem realizada que agradará em cheio o público frequentador do Teatro do SESI. Excelente como formador de público, porque quem vai ao teatro perla primeira vez e assiste a espetáculo tão delicioso como esse vai querer voltar.

Com todo esse humor a peça não deixa de fazer uma crítica severa ao patriarcado e revelar a capacidade da mulher de reagir e enfrentar o ambiente machista.

FILUMENA MARTURANO está em cartaz no Teatro do SESI até 20 de dezembro de quinta a sábado, 20h e domingo, 19h. Ingressos gratuitos.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL! 

18/10;2026

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário