quinta-feira, 14 de agosto de 2014

FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


 
        A partir da próxima quinta feira, dia 21 de agosto, a cidade de São José do Rio Preto será palco por dez dias do seu tradicional FIT (Festival Internacional de Teatro). Apostando na diversidade tanto na forma como no conteúdo e com o lema de “ampliar o olhar” a curadoria formada por Antonio do Valle, Cesar Augusto, Manoel Neves e Paula de Renor selecionou 44 espetáculos que devem representar o que de melhor se faz em teatro no Brasil e no mundo. O 45º título é o convidado Esta Criança com a Companhia Brasileira de Comédia de Curitiba e Renata Sorrah. Por questões logísticas o grupo Teatro Cinema do Chile não trará o esperado Historia de Amor.
 
Esta Criança
 
        O Festival começa com o espetáculo de rua peruano Sueños de Gigantes com bonecos enormes saindo do centro da cidade e se encaminhando para a Represa Municipal, tradicional palco de abertura do FIT, onde será apresentado Os Gigantes da Montanha com o Grupo Galpão de Belo Horizonte.
 
Os Gigantes da Montanha

        No dia seguinte tem início a maratona com a apresentação de cerca de dez espetáculos por dia nos mais variados pontos da cidade.
         Entre os espetáculos nacionais para público adulto (nove) vale destacar Sobre Anjos e Grilos, solo da gaúcha Deborah Finocchiaro sobre o universo do poeta Mario Quintana, uma versão clown de As Três Irmãs com a Traço Cia. de Teatro de Florianópolis e As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo, peça da Cia. Provisório Definitivo de São Paulo baseada em relatos de crianças e jovens que sofreram a tragédia de uma guerra.
 
Sobre Anjos e Grilos

 
        No módulo “espetáculos para a infância e juventude” serão apresentados cinco títulos. Meu Pai é Um Homem Pássaro é uma deliciosa peça infantil apresentada pela Cia. Simples de São Paulo; chama a atenção pelo seu tema o espetáculo O Buraco no Muro trazido pela Maracujá Laboratório de Artes do Rio de Janeiro: um oportuno alerta ao uso indiscriminado de Internet, celulares e outros objetos eletrônicos pelas crianças.
        Radicalizando a diversidade o módulo “Olhar Diverso” apresenta três trabalhos: os sérios Joelma e BR-TRANS que tratam do universo das travestis e transexuais e o muito divertido Vampiras Lésbicas de Sodoma vindo do Rio de Janeiro.
 
Vampiras Lésbicas de Sodoma
 
        O destaque dos espetáculos de rua (oito) fica com a Trupe Sinha Zózima de São Paulo que apresenta dois de seus trabalhos (Cordel do Amor Sem Fim e Dentro É Lugar Longe) em um ônibus que percorre as ruas da cidade durante as apresentações.
        Serão apresentados oito espetáculos internacionais desde o irreverente Saxophoníssimo (França) que parece ser um misto dos grupos Les Luthiers e Monty Python, passando pelo polêmico e ousado La Idea Fija (Argentina) até o politicamente engajado El Rumor Del Incendio (México).
 
 
La Idea Fija
 
El Rumor del Incendio

        Por último, mas não menos importante, o módulo dedicado aos grupos da cidade de Rio Preto apresenta 11 trabalhos com espetáculos infantis, performances, teatro de rua e teatro tradicional. A diversidade de forma e de conteúdo também é representativa neste módulo que apresenta companhias jovens (a mais antiga tem 10 anos de existência) lutando por seu espaço no ambiente teatral não só de Rio Preto, mas de todo o Brasil. Destaques para uma versão de rua de O Tartufo e para uma nova montagem de Os Meninos e as Pedras, importante e sempre atual texto que trata da amizade entre uma criança judia e outra palestina.
 
Os Meninos e as Pedras
 

       

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ERA UMA VEZ UM CAIS...


 
          
ERA UMA VEZ UM CAIS...

        Esta seria uma forma bonita de iniciar esta matéria, mas este CAIS não ERA, ele É e sempre SERÁ. Eu e você passaremos, mas CAIS permanecerá porque já nasceu clássico. Baseado nas vivências de vários verões passados na sua juventude em Ilha Grande e também em relatos obtidos dos moradores do local, Kiko Marques transformou vida em arte seguindo intuitivamente com sua alma poética e o seu talento o lema de Ferreira Gullar, segundo o qual “A arte existe porque a vida não basta”. Kiko escreveu a primeira grande obra prima do teatro brasileiro do século 21. A segunda metade do século 20 nos deu três grandes autores que revolucionaram a dramaturgia brasileira: Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e Jorge Andrade. Kiko Marques, pela sua poética, pela nostalgia presente, pelo uso da memória como meio narrativo e principalmente pela compaixão por seus personagens está mais próximo à dramaturgia de Jorge Andrade, apesar do seu grande salto na forma narrativa em consonância com a dinâmica dos dias atuais. A fragmentação da trama é muito bem vinda porque o dramaturgo soube contornar os perigos de transformar esse tipo de narrativa num baú de ossos onde nenhum espectador consegue decifrar o que é de quem. Usando o barco Sargento Evilázio como narrador e datando as cenas, assim como, fornecendo alguns dados para situar o espectador, Kiko permite a fruição da história que se desloca não cronologicamente por cerca de 50 anos de três gerações de habitantes da ilha.
 
 
       Não bastasse o talento de dramaturgo, Kiko revelou-se o melhor tradutor cênico de seu texto realizando um espetáculo belo e pungente, avis rara no cenário teatral brasileiro. Muniu-se de um elenco excepcional e homogêneo, assim como do músico Umanto que realizou um trabalho que é um exemplo do que deve ser uma trilha sonora (inexplicavelmente esse verdadeiro tesouro não foi contemplado com nenhum prêmio no ano de 2013), do cenógrafo Chris Aizner que projetou o belo cais onde se passa toda a ação da peça e dos bonequinhos criados pelo Grupo Sobrevento que são parte integrante e importante da história contada.
 
 
        No dia 11 de agosto de 2014 CAIS saiu mais uma vez de cena (a peça estreou modestamente no Instituto Capobianco em outubro de 2012 e sem nenhuma ajuda da mídia foi se impondo pelo boca a boca e tornou-se um verdadeiro fenômeno no ano de 2013 lotando aquele teatro durante as várias temporadas que lá cumpriu; circulou pelo festival de Curitiba e pelo interior de São Paulo e realizou esta temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade sempre com casas cheias). Assistindo nove vezes ao espetáculo fui testemunha de momentos chaves de seu percurso: Virginia Buckowski grávida de oito meses fazendo a Magnólia, Tatiana De Marca a substituindo, retorno da Virginia trazendo a pequena Anita para sua “estreia” teatral, saídas e entradas em cartaz, a bela apresentação para público maior em Curitiba, o verdadeiro convívio com todo o pessoal do elenco e de suporte (as queridas Rosana e Paulinha), o eterno entusiasmo da Fernanda Capobianco e agora a despedida nesse 11 de agosto que espero tenha sido apenas mais uma saída de cena para um breve retorno. É claro que esta encenação não vai poder ficar eternamente em cartaz e um dia vai ter um ponto final. Kiko Marques escreverá, dirigirá e atuará em outros textos; os atores, os músicos e o pessoal de suporte seguirão seus caminhos, mas o barco Sargento Evilázio, a doce poita Rosiméri, Magnólia, Bonifácio, Nilmar, Waldeci, Berenice, Walcimar, Juciara, Walciano, Cachorrinho, Osório, Andreia Polaca e todos os outros personagens viverão para sempre na memória e no coração de quem teve o privilégio de com eles conviver.
 
 
        No final desse último espetáculo Alejandra Sampaio em mais dos seus gestos generosos agradeceu nominalmente a mim, ao Carlos Colabone e à Ana Elisa Mattos que segundo ela fomos tijolinhos que colaboraram para construir a casa. A peça reuniu em torno de si um verdadeiro séquito de encantados que a reviram muitas e muitas vezes. A pergunta entre esses iniciados não era “Você viu CAIS?”, mas “Quantas vezes você viu CAIS?”. Fiquei feliz e orgulhoso com a citação, mas é minha alma que agradece por ter podido morar nessa casa por todo esse tempo e por ter feito de seus habitantes amigos verdadeiros. A arte nos aproximou e a vida nos uniu. VIVA O TEATRO!

domingo, 10 de agosto de 2014

PRÊMIO APCA TEATRO - INDICADOS DO PRIMEIRO SEMESTRE 2014


Conselho de Classe

     No dia 04 de agosto, dez dos críticos de teatro da Associação Paulista de Críticos de Artes se reuniram para fazer as indicações do primeiro semestre para o Prêmio APCA 2014 - Teatro. Após a análise de uma lista onde cada elemento presente pode incluir as suas escolhas pessoais, o grupo, por meio de votação, fez as seguintes indicações:
 
     ATOR
     Ricardo Blat e Thelmo Fernandes (A Arte da Comédia)
     Roney Facchini (Ou Você Poderia Me Beijar)
     Rubens Caribé [Assim É (Se Lhe Parece)]
 
Rubens Caribé
 
     ATRIZ
     Laila Garin (Elis, A Musical)
     Nathalia Timberg (Tríptico Samuel Beckett)
     Sandra Dani (Oh os Belos Dias)
 
Nathalia Timberg

 
     AUTOR / DRAMATURGO
     Alexandre Dal Farra (Abnegação)
     Jô Bilac (Conselho de Classe)
     Leonardo Cortez (Maldito Benefício)
 
Maldito Benefício
 
     DIRETOR
     Bel Garcia e Susana Ribeiro (Conselho de Classe)
     Marco Antônio Pâmio [Assim É (Se Lhe Parece)]
     Rubens Rusche (Oh os Belos Dias)
 
Oh os Belos Dias
 
     ESPETÁCULO
     A Arte da Comédia
     Assim É (Se Lhe Parece)
     Conselho de Classe
 
A Arte da Comédia
 
 
 
     O grupo também selecionou nomes e/ou eventos para o PRÊMIO ESPECIAL DA CRÍTICA e para o GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA os quais se somarão àqueles indicados no segundo semestre numa lista da qual (como nas outras categorias) sairão os premiados.
 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A ARTE ALIMENTANDO A ALMA


     O final da semana que passou e esta segunda feira me proporcionaram tantos alimentos para a alma que o frio do inverno passou despercebido.
     A festa começou no sábado com o concerto no Municipal onde a excelente, além de simpática e risonha, pianista ucraniana Valentina Lisitsa fez uma interpretação hipnotizante do Concerto nº 3 para piano e orquestra de Rachmaninoff. A musicista foi ovacionada ao final tendo graciosamente voltado para quatro bis (fato raro na história dos concertos). Após o concerto, para dar espaço à arte culinária, um delicioso nhoque com vinho acompanhado do calor humano dos queridos Reginaldo e Mauro.
Valentina Lisitsa

     O domingo frio foi coroado com o perfeito espetáculo de Bob Wilson The Old Woman com as deliciosas participações clownescas de Willem Dafoe e Mikhail Baryshnikov e de lambuja um encontro gostoso com o Mauricio de Barros, o Bonifácio de Cais. Tudo isso em companhia da Nadya, com direito a sopa/vinho e bolo de laranja/chá aqui em casa.
Telão de abertura para The Old Woman

     A segunda feira continua fria. Final da tarde indo ao Belas Artes que em boa hora foi reaberto. O último filme de Alain Resnais Amar, Beber, Cantar; uma encantadora celebração à vida por um homem de 91 anos que estava muito doente durante as filmagens e faleceu duas semanas após a estreia do filme. E para terminar a alimentação da alma, ouço o CD da semana no portal da Cultura FM: quando eu pensava que já havia descoberto “o tudo e o melhor” da obra prima de Leonard Bernstein West Side Story, eis que surge esta majestosa versão da obra com a Orquestra Sinfônica de São Francisco sob a regência de Michael Tilson Thomas com ótimos solistas interpretando Tony, Maria, Anita, Bernardo e todas as demais personagens da obra. Quase meia noite... Só vou dormir quando terminar de ouvir. Começou o segundo ato!
 
Ilustração do cartunista Blutch para o filme Amar, Beber e Cantar

     Detalhe pitoresco: ao sair da sessão, Elie, Vanda e eu ficamos presos no elevador do cinema por alguns minutos. Até que foi engraçado!
PARA FICAR COMPLETO SÓ FALTOU VER A LAURA!!!
 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

24 HORAS DE CAIS


ATENÇÃO: Esta não é uma matéria! É uma declaração de amor com direito a todas as adjetivações a que tenho direito.
 

 

POR QUÊ tanto encantamento com CAIS ou DA INDIFERENÇA DAS EMBARCAÇÕES?
 

- PORQUE o texto de Kiko Marques, além de seu conteúdo poético e humano, é um exemplo de narrativa e de construção de personagens.
- PORQUE a encenação faz jus ao belíssimo texto.
- PORQUE todo o elenco é primoroso e homogêneo.
- PORQUE não dá para não se emocionar com as interpretações do Mauricio, da Virginia e da Alejandra.
- PORQUE não dá para não se divertir com as falas do Cachorrinho e do Padre do Marcelo.
- PORQUE a trilha sonora do Umanto é uma obra prima de concisão e eficácia.
- PORQUE não dá para não se emocionar com a presença do Walter Portella.
- PORQUE a poita da Rose é a coisa mais graciosa do mundo.
E mais importante de tudo:
- PORQUE por detrás daqueles atores, estão pessoas maravilhosas e generosas que entram em comunhão com o público, sorrindo e abraçando a todos ao final do espetáculo.
 
     Assisti ao espetáculo oito vezes e a emoção é sempre a mesma. Tenho 24 horas de CAIS e ao sair do teatro na última terça feira já estava pensando em voltar.
     Obrigado Alejandra, Kiko, os três Marcelos, Marco Aurélio, Maurício, Maristela (que abandonou o cais), Patrícia, Tatiana, Rose, Virginia, Walter, músicos e pessoal técnico por me proporcionar emoções tão nobres nessas 24 horas de convívio. Grande beijo a todos vocês.
                       VIVA O TEATRO!

domingo, 6 de julho de 2014

GOTAS D’ÁGUA SOBRE PEDRAS ESCALDANTES


    
     Em tempos de Copa, Fernanda Capobianco marca mais um gol para o aconchegante e belo Instituto que leva o seu sobrenome: após a mais que bem sucedida carreira do premiado Cais ou Da Indiferença das Embarcações (agora em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade) estreou ontem no local Gotas d’Água Sobre Pedras Escaldantes que tem todas as qualidades para também cumprir uma temporada de sucesso.
     O texto é um dos primeiros trabalhos para teatro do dramaturgo/cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982) e já contém todos os elementos que iriam caracterizar a sua obra perenizada pelo cinema: manipulação pelo sexo, violência, homossexualismo e paixões avassaladoras e destrutivas. Neste caso o amoral Leopold manipula as três personagens que o rodeiam: Franz, o jovem frágil e indefeso; sua ex-namorada Ana e a estranha Vera, um caso antigo de Leopold. O texto tem diálogos ágeis e uma narrativa bem estruturada dividida em cinco tempos: o primeiro contato dos dois homens/a relação dos mesmos, meses depois/a chegada de Ana/ a chegada de Vera/o contato final de Vera e Franz.
 
     Bons atores são fundamentais para uma peça que tem sua base na relação tensa entre as personagens e o presente elenco cumpre a tarefa plenamente. Luciano Chirolli tem uma das melhores interpretações de sua carreira como Leopold que é o centro de todas as atenções e gerador de todas as reações das outras personagens; sentado imponentemente com as pernas muito abertas ele aparenta toda a imponência vulgar de alguém que suas vítimas vêm como um semideus. Nana Yazbek é correta na interpretação de Ana, a personagem menos envolvente da trama. Gilda Nomacce tem uma entrada exuberante em cena, exibindo todo o seu charme nos primeiros momentos e todo o seu talento no comovente diálogo final com Franz. A grande surpresa da montagem é Felipe Aidar, um jovem ator que, ao que fui informado, faz sua estreia profissional neste espetáculo e que se sai muitíssimo bem na interação com os tarimbados Luciano e Gilda.
     O cenário de André Cortez aprofunda o espaço do subterrâneo do Instituto e tem um efeito muito interessante com o deslocamento de uma das paredes. Esperava-se um maior uso desse recurso cenográfico.
     A direção de Rafael Gomes privilegia o trabalho dos atores, salientando a expressão corporal dos mesmos e em especial de Felipe Aidar na passagem da primeira para a segunda cena. O deslocamento dos móveis da casa e até o estranhamento causado por um rodapé solto são recursos muito bem usados pela direção para mostrar o desmoronamento moral daquelas frágeis criaturas.
     Mais uma vez quero comentar o diálogo final de Vera e Franz, onde ela vê em Franz o seu passado e ele a vê como seu futuro. Momento sublime de texto que Gilda Nomacce e Felipe Aidar junto com o diretor Rafael Gomes souberam tão bem transpor para a cena. São esses instantes de emoção comungados com o público que nos fazem amar cada vez mais o teatro.
 
     Cabe informar que, com o mesmo título, a peça foi filmada pelo cineasta francês François Ozon em 2000.

     Gotas D’Água Sobre Pedras Escaldantes está em cartaz no Instituto Capobianco às sextas (21h30), aos sábados (21h) e aos domingos(20h) até 21 de setembro. VALE A VIAGEM!!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O PALCO PAULISTANO NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2014


... Este palco não existe mais
 
     Segundo os guias de teatro da cidade, cerca de 430 espetáculos (330 de autores brasileiros) passaram pelos palcos de São Paulo neste primeiro semestre de 2014, sem contar as stand up comedies e as peças infanto-juvenis. Se pela quantidade o dado é promissor, o mesmo não se pode dizer dos resultados artísticos. Assisti a exatamente 100 espetáculos nesse período e comento abaixo  aqueles que, de alguma maneira, me tiraram do chão.
 
A Arte da Comédia
 
Assim É (Se Lhe Parece)
 
Trágica.3
 
     A Arte da Comédia, Assim É (Se Lhe Parece) e Trágica.3  foram os melhores espetáculos apresentados, assim como seus diretores Sergio Módena, Marco Antônio Pâmio e Guilherme Leme poderiam estar entre os melhores diretores; nesta categoria eu ainda incluiria o Zé Henrique de Paula pela sensível direção de Ou Você Poderia Me Beijar.
     Soluções cênicas (cenário, luz, figurino) esteticamente bem resolvidas puderam ser observadas em O Jardim das Cerejeiras (direção de Marcelo Lazzaratto), Jesus Cristo Superstar (direção de Jorge Takla) e Um Réquiem para Antonio (direção de Gabriel Villela).
 
Abnegação
 
Maldito Benefício
 
 
     Os bons textos brasileiros foram raros, destacando-se Abnegação de Alessandro Dal Farra,  Maldito Benefício de Leonardo Cortez e Só...Entre Nós de Franz Kepler. Quanto aos autores estrangeiros houve predomínio de textos contemporâneos anglo-americanos, mas houve espaço muito bem vindo para Pirandello (Assim É Se Lhe Parece), Beckett (Oh! Os Belos Dias), Eduardo De Filippo (A Arte da Comédia) e ainda um delicioso revival  de Noel Coward (Vidas Privadas).
 
 
Gustavo Rodrigues
 
     Houve muitos trabalhos de interpretação marcantes neste semestre. Os destaques masculinos vão para Vitor Vieira (Abnegação), Rubens Caribé (Assim É Se Lhe Parece), Bruno Guida (Bull) e aquele que para mim foi a maior revelação (apesar de ter uma carreira consolidada no Rio de Janeiro): Gustavo Rodrigues em Billdog.
 
Miwa Yanagizawa
 
Ana Kfouri
 
Sandra Dani
 
Sylvia Prado

     Trágica.3 mostrou os trabalhos viscerais de Denise Del Vecchio e de Miwa Yanagizawa. Ana Kfouri (Moi Lui), Sandra Dani (Oh! Os Belos Dias) e Sylvia Prado (Walmor y Cacilda – Robogolpe) completam a lista das grandes interpretações femininas do semestre.
 
     Quanto aos espetáculos estrangeiros louvem-se as iniciativas do Sesc ( Pendente de Voto, A Violação de Lucrecia, Ensaios Sobre o Suicídio) e principalmente da Mostra Internacional de Teatro (MIT), organizada por  Antonio Araújo e Guilherme Marques que foi um grande sucesso de público e de crítica em sua primeira versão e que nos trouxe espetáculos belos e polêmicos como Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus, Anti-Prometeu e Cineastas. Não assisti ao Hamlet vindo da Polônia, que segundo informações recebidas, foi excelente.
 
     A lamentar o fechamento do CIT - Ecum, aconchegante espaço teatral que vinha se destacando pela sua criteriosa curadoria.
 
     Copa terminada, mas com eleições para atrapalhar, aguardemos as surpresas para o segundo semestre.