terça-feira, 12 de junho de 2018

DEADLINE



 
Maria Fanchin e Nicole Cordery


        Duas mulheres, uma roteirista e outra atriz, cada uma frustrada à sua maneira, falam ao telefone com seus interlocutores enquanto aguardam para fazer seus exames ginecológicos. Acabam se aproximando e tornando-se “amigas”, uma amparando as fraquezas da outra diante da perversidade do mundo em que vivem. A direção de Fernanda D’Umbra valoriza a história dessas duas mulheres imprimindo ritmo ágil à ação. Para tanto se vale do cenário de Anne Cerruti, formado por pufes de equilíbrios extremamente instáveis (clara metáfora ao desequilíbrio das personagens) e aos figurinos (também de Anne Cerruti) confeccionados com embalagem bolha.
        A trilha sonora de Conrado Goys tem aquela qualidade fundamental que é comentar a ação, sem se impor como protagonista.
        Quanto ao elenco... Quem elogiar em primeiro lugar?
        Edu Guimarães interpreta o patético bancário Washington que se torna a obsessão da carente Guta (a atriz); seu desequilíbrio ao sentar nos pufes pode entrar para a antologia das cenas engraçadas do nosso teatro. Edu também interpreta o namorado da roteirista Nicky.
        Maria Fanchin, verdadeira revelação na peça Pequenas Certezas (2017), também dirigida por Fernanda D’Umbra, reafirma seu talento cômico e histriônico, compondo Guta: insegura, carente e ao mesmo tempo tão engraçada. Suas expressões faciais nas reações às ações do interlocutor são impagáveis.
        Nicole Cordery, grande talento dramático comprovado em suas duas Alices (Ato a Quatro de 2015 e Alice- Retrato de Mulher Que Cozinha ao Fundo de 2016), mostra com sua Nicky que também tem excelente tempo de comédia, dando vida e graça até à leitura de um contrato de trabalho.
        A dinâmica movimentação cênica do elenco realizada/quase coreografada por Vitor Vieira é outro ponto forte da montagem.



        DEADLINE é um espetáculo tragicômico, como tragicômicos têm sido os dias que vivemos. Cartaz da Oficina Cultural Oswald de Andrade até 25 de julho às segundas, terças e quartas às 20h. Entrada franca. NÃO PERCA!

12/06/2018
         

segunda-feira, 4 de junho de 2018

III FEIRA ANTROPOFÁGICA DE OPINIÃO





            - O que pensa você do Brasil de hoje?

       A pergunta que Augusto Boal dirigiu a vários dramaturgos em 1968 que deu origem à I Feira Paulista de Opinião é repetida pela terceira vez pela Companhia Antropofágica para grupos de teatro de São Paulo. O resultado está nesta III Feira, desta vez apresentada em diversos espaços da Oficina Cultural Oswald de Andrade nos dias 31/05 e 01- 02/06 de 2018.  
       O evento foi animado pelos integrantes da Companhia: Rafael Graciola vestido de He Man (“Alô, amiguinhos!”) e Martha Guijarro que faziam festivamente as ligações entre as cenas.

       Na noite em que estive presente assisti a três cenas que tentavam responder à pergunta acima:
       NADA! (nos rostos cobertos e nas placas sem nenhuma palavra) e NOJO (nos arrotos de um dos atores), foi a resposta contundente do grupo Les Commediens Tropicales.
       Os Satyros fizeram uma denúncia sobre a perseguição e a intolerância com as minorias, em especial as travestis e as lésbicas.
       O grupo Arlequins de Teatro completou as cenas a que tive oportunidade de assistir com uma didática apresentação do conceito de mais valia de Karl Marx.


       O evento capitaneado por Thiago Reis Vasconcelos contou com a apresentação de cerca de 30 grupos teatrais e teve ainda atrações das áreas de música, poesia, cinema e artes visuais, além de mesas de debates. A logística das apresentações, assim como o horário do início e fim das mesmas funcionou perfeitamente, testemunhando a boa organização da Feira.
       Parabéns Companhia Antropofágica!

       02/06/2018


domingo, 3 de junho de 2018

AS 3 UIARAS DE SP CITY



A REALIDADE BATE À SUA PORTA... E COBRA SEU PREÇO!

        Na primeira cena de As 3 Uiaras de SP City, a travesti Miella cumprimenta o público e mostra o quanto ele é responsável, conivente ou, no mínimo, omisso em relação á perseguição e à intolerância com as travestis. A cena é forte e permite que cada um reveja seus conceitos. “Não mi objetifique sexualmente nem mi trate com violência, ouviu?, pelo menus no teatro, já q agora tô ocupando esse espaço”, fala Miella em certo momento dirigindo-se agressivamente aos espectadores em um olho no olho difícil de encarar.
        A esse prólogo segue-se a história da relação de Miella com sua amiga Cínthia que sonha fazer um show e da mulher cis Valéria, militante feminista que abraça a causa das travestis. Elas são as três Uiaras que vão viver a perseguição que um tal delegado Rochetti faz às travestis e àqueles que ele chama de “vagabundos” por não terem carteira de trabalho assinada. A peça se baseia em fatos reais ocorridos nos anos duros da ditadura militar (1970/1980), mas a atual taxação que travesti é marginal e sua consequente perseguição dão uma triste atualidade ao que é apresentado neste forte e necessário texto de Ave Terrena Alves, escrito em português bastante característico como pode ser notado na frase de Miella citada acima.

Ave Terrena Alves, autora

        Muito interessante e bem vinda é a inclusão da guerreira Ruth Escobar como personagem defensora dos direitos humanos; o embate de Ruth com Rochetti é um dos momentos mais impactantes da peça. Uma verdadeira homenagem a essa mulher a quem o teatro paulistano tanto deve.
        A encenação de Diego Moschkovich tem bons aliados nos figurinos de Diogo Costa, na iluminação de Wagner Antônio e na participação de três músicos ao vivo e concentra-se na interpretação do elenco. Há um belo achado interativo na cena da passeata pela liberação das travestis e pela deposição de Rochetti.
        Sophia Castellano (Valéria) e Diego Chilio (Rochetti) começam suas cenas titubeantes e revelando certa insegurança, mas crescem de maneira surpreendente ao longo da ação. Maria Emília Faganello tem uma entrada triunfal como Ruth Escobar e brilha junto com Diego na já citada do embate.

Sophia Castellano, Veronica Valentino e Danna Lisboa

        Veronica Valentino tem voz potente e bela, além de grande presença cênica, sendo responsável pelos poucos momentos de humor do espetáculo. À poderosa interpretação do prólogo, segue-se um meticuloso trabalho de composição de Danna Lisboa para sua personagem Miella. Os trabalhos dessas duas atrizes podem ser considerados como uns dos melhores vistos neste ano nos teatros de SP City.
        Dessa maneira, esta 4ª edição da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do CCSP começa com o pé direiro, revelando o texto tão oportuno e bem realizado de Ave Terrena Alves. Longa vida à Mostra!

        AS 3 UIARAS DE SP CITY fica em cartaz no CCSP apenas até 10/06. Sexta e sábado ás 21h e domingo às 20h.

        03/06/2018
       

sábado, 2 de junho de 2018

Pi – PANORÂMICA INSANA



O RETRATO DO CAOS

        O elucidativo programa da peça Pi contém valiosas informações sobre os malefícios que o homem já provocou para si e para este pobre planeta; uma delas mostra que se a escala de criação da terra fosse marcada por 24 horas, o homem teria surgido no último segundo antes do dia se completar. O espetáculo de Bia Lessa mostra que seria melhor que o homem tivesse ficado para o dia seguinte, ou melhor ainda, para nunca mais. Mas uma vez que estamos por aqui e criamos um mundo que não nos serve, algo precisa ser feito, completa a diretora. E o que ela faz é denunciar fortemente o caos provocado pelos seres humanos.
        Pi é um dos acontecimentos teatrais mais importantes e contundentes surgidos neste ano nos palcos paulistanos. Bia Lessa repete com maior impacto aquele provocado por Grande Sertão: Veredas no ano passado.
        A peça é montada em um teatro semi destruído e tem todo o espaço cênico coberto com 11 mil peças de roupa que terão papel importante no desenvolver da ação. A encenação remete a um dos primeiros trabalhos de Bia Lessa, o Exercício nº1 (1987) tanto na concepção cênica como nos temas tratados. Apresentado em São Paulo no Teatro Mars no ano seguinte, Exercício nº1 apresentava em flashes vários aspectos de um mundo cruel e Pi mostra que a situação só piorou nos 30 anos que separam os dois espetáculos, além de também comprovar a maturidade e a criatividade da diretora. As cenas são assinadas por Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant'Anna.
        Os quatro atores iniciam a peça vestindo e desvestindo roupas e caracterizando os donos daqueles vestuários. Essa ação acontece enquanto o público adentra a sala e o ritmo da troca de roupas aumenta vertiginosamente até o espetáculo realmente começar. Não se trata de uma história, mas de vários fragmentos do mundo contemporâneo como aquele dos habitantes de um lixão, o nascimento, a morte, o sexo, a ostentação, o preconceito, a guerra e tantas outras coisas criadas pelo homem. Há até um momento suave com brincadeiras de crianças.
        Cláudia Abreu, Leandra Leal, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira encarregam-se de representar todas essas situações com entrega pouco vista em nossos palcos. Seria injusto destacar este ou aquele nome porque todos estão absolutamente soberbos em suas interpretações. No caso de um prêmio ele só seria justo se contemplasse o elenco como um todo. E por falar em prêmios, Bia Lessa é mais uma vez forte candidata àquele de melhor direção, assim como o seu espetáculo, onde tudo se encaixa de maneira perfeita: cenografia, luz e a excelente trilha sonora que vai desde o belíssimo tema do filme Amor à Flor da Pele até a poderosa música das óperas de Wagner.
       
        Ao contrário do número pi (3,1416...., lembra?) que talvez termine no infinito, a peça tem um final que é de tamanho impacto que as pessoas saem da sala atordoadas e com lágrimas nos olhos.
        Somos responsáveis pelo mundo em que vivemos e Pi nos faz refletir sobre isso.


        Pi – Panorâmica Insana está em cartaz no Teatro Novo situado em uma galeria da Rua Domingos de Moraes, 348 ás sextas e aos sábados às 21h e aos domingos às 18h até 29/07. IMPERDÍVEL.

        02/06/2018


segunda-feira, 28 de maio de 2018

TEATRO - TEMPLO DA UTOPIA E DA ESPERANÇA: AUÊ e SUASSUNA



        Nos dias tão sombrios que nosso país está vivendo, onde buscar um pouco de alento, sem se alienar do mundo?
        No último sábado saí de casa sem saber se chegaria ao meu destino e se chegasse, preocupado se conseguiria voltar (dependo de um ônibus do metrô até em casa); além disso, meu pensamento rodava mais preocupado ainda com o destino deste pobre Brasil, que está nas mãos sabe lá de quem. Foi nesse estado de espírito que cheguei no Teatro Shopping Frei Caneca para assistir pela quarta vez  a AUÊ com a Barca dos Corações Partidos.
        Que alimento para a alma! Esses talentosos rapazes desfilam por hora e meia as alegrias e tristezas da paixão e do amor por meio de belíssimas canções e movimentação cênica primorosa orquestrada pela diretora Duda Maia. Eles cantam, dançam, tocam muitos instrumentos, interpretam e fazem o público rir e chorar por meio de dramaturgia toda calcada nas letras das músicas. Ao final cada um do público sai encantado e feliz, assobiando as canções e se congraçando com aqueles que estão ao seu lado em direção à saída. Sorrisos de cumplicidade demonstram a felicidade de ter visto algo tão belo.


        No mesmo teatro está em cartaz SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL, outra maravilha do mesmo grupo.


        O Teatro Shopping Frei Caneca deve se sentir privilegiado por estar abrigando até 01 de julho essas duas preciosidades que estão trazendo tanta alegria para o público paulistano.

        Palmas para a BARCA DOS CORAÇÕES PARTIDOS!



        AUÊ – Sábados às 17h e domingos às 16h
        SUASSUNA – Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h

domingo, 27 de maio de 2018

LEOPOLDINA – INDEPENDÊNCIA E MORTE



AQUILO QUE JOAQUIM SILVA NÃO ME CONTOU


        Na minha época escolar a maioria dos livros de História era de autoria desse senhor Joaquim Silva. Eles mostravam versão romanceada dos protagonistas da História; Dom Pedro I, por exemplo, era o herói bonitão que proclamou a independência do Brasil e que só se apaixonou pela sensual Domitila porque sua esposa Leopoldina era feia e desinteressante. Essa versão, de interesse da classe dominante, só se consolidou através dos tempos como, por exemplo, através do filme Independência ou Morte (produzido em 1972, no auge da ditadura militar), onde os protagonistas eram Pedro (Tarcisio Meira) e Domitila (Glória Menezes) e à pobre Leopoldina era reservado um papel secundário representado ali por Kate Hansen (pelo menos aqui ela era bonita!). A vida me levou para outras áreas de interesse e essa versão permaneceu na minha memória, apesar de que com o tempo cada vez mais ter desconfiado das versões oficiais da nossa história.
        Eis que Marcos Damigo apoiado nos dados obtidos com a consultoria histórica de Paulo Rezzuti traz para o teatro uma versão revolucionária da figura de Leopoldina, que foi uma mulher inteligente, estrategista e a verdadeira agente da independência do Brasil, enquanto isso o seu Pedro voltava de Santos esfarrapado montado em uma mula às margens do riacho Ipiranga! Essa e outras importantes ações de Leopoldina, como seu amor e conhecimento pelas plantas, são a base do texto e da encenação de Damigo. Sem saber, no século 19, Leopoldina plantou a semente do feminismo e dos direitos da mulher no Brasil.
        A peça é dividida em três pequenos atos. No primeiro, Leopoldina, que era austríaca, fala sobre suas dificuldades em se adaptar em um país tropical dominado pelos grosseiros portugueses e onde os negros desfilam seminus pelas ruas. No segundo há o embate com José Bonifácio, onde ela toma conhecimento das manobras de Pedro com Domitila. Uma envelhecida (apesar da pouca idade) e revoltada Leopoldina domina o terceiro ato onde ela expõe toda a fragilidade de Pedro. Cada ato é separado por informações históricas apresentadas em vídeo. A montagem de Damigo chega a ser didática, sem absolutamente ser monótona. Há momentos tragicômicos como quando Leopoldina revela que apesar de seus esforços ela só será lembrada no Brasil como estação de trem ou enredo de escola de samba.
        Joca Andreazza representa José Bonifácio mostrando a força da personagem, mas também sua fragilidade em momento que está sujeito a ser enviado a Portugal sob-risco de ser condenado a morte. Sara Antunes brilha como Leopoldina. Seus dois solos que vão da perplexidade do primeiro ato à revolta do terceiro, assim como seu diálogo com José Bonifácio revelam, ou melhor, consolidam a carreira dessa grande atriz. Sua movimentação em cena é prejudicada por uma marcação convencional e, principalmente, pelo figurino de Cassio Brasil, que dificulta o seu andar.
        O cenário de Renato Bolelli Rebouças com um telão ao fundo não diz muito ao que veio.
        A revelação de fatos importantíssimos da História do Brasil e a interpretação extraordinária de Sara Antunes tornam obrigatório o espetáculo em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até 21/06.
        Segunda, quarta, quinta, sexta e sábado às 20h e domingo às 18h.



        27/05/2018
 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

BIBI – UMA VIDA EM MUSICAL




        Bibi é teatro musical brasileiro de gente grande. Apesar de usar os recursos estéticos dos shows da Broadway com números musicais grandiosos com grands finales preparados para os aplausos da plateia, a peça tem cara de Brasil mostrando aspectos da vida e obra de Bibi Ferreira (1922) e por consequência do teatro brasileiro, uma vez que Bibi vive a cena brasileira praticamente desde que nasceu. Figuras que fizeram parte de sua trajetória como Henriette Morineau, Maria Della Costa, Cacilda Becker, Maria Bethânia, Ítalo Rossi, Oduvaldo Vianna Filho, Ferreira Gullar, Thereza Aragão e Paulo Pontes aparecem ao longo do espetáculo, às vezes de forma superficial e caricatural. Há uma delicada homenagem a Tônia Carrero na cena em que Bibi fica sabendo que foi escolhida para o papel de Elisa Doolittle em My Fair Lady (Tônia era a outra candidata ao papel)
          Procópio Ferreira (1898-1979), pai de Bibi, é uma personagem bem desenhada pelos autores e muito bem interpretada pelo jovem Chris Penna. Sua última saída de cena caracterizando sua morte emociona e é aplaudida em cena aberta. Guilherme Logullo exagera nos gestos “combatentes” de Paulo Pontes, mas o faz bem. Leo Bahia brilha como o Mestre de Cerimônias, bem ladeado por Flávia Santana (Cigana) e Rosana Penna (Vó Irma) que junto com ele narram a trajetória de Bibi. Destaque também para Luísa Vianna como a secretária Neide.

Amanda Costa (Bibi) e Chris Penna (Procópio)

        A estrela absoluta da noite é Amanda Costa em interpretação comovida de sua personagem tanto nos números musicais como nas cenas faladas (sua postura física na maturidade de Bibi é impressionante). Amanda entrega-se totalmente ao papel, canta e interpreta maravilhosamente, estando desde já na lista das melhores atrizes de 2018. Na noite de estreia, ao cumprimentá-la tive o prazer de ser fotografado ao seu lado pela Nanda Rovere.


        Como Bibi interpretou grandes musicais (My Fair Lady; Alô, Dolly; O Homem de la Mancha; Gota d’Água, Piaf), a peça tem chance de recriar momentos memoráveis dos mesmos. A produção teve o cuidado de pesquisar as letras das versões originais. As músicas adicionais são de Thereza Tinoco e a segura direção musical é de Tony Lucchesi que rege um pequeno grupo de oito músicos com efeito de grande orquestra.
        Direção segura e madura de Tadeu Aguiar a partir do eficiente texto de Artur Xexéo e Luanna Guimarães que ambienta a trajetória de Bibi em um circo de nome Querolo e que dá um passo adiante em relação aos musicais biográficos provenientes do Rio de Janeiro que têm inundado a cena brasileira.        
        O espetáculo é uma grande homenagem não só a Bibi, mas ao teatro brasileiro e quem se delicia com isso é o feliz espectador.

        BIBI, UMA VIDA EM MUSICAL está em cartaz no Teatro Bradesco às quintas (19h), sextas e sábados (21h) e domingos (20h) até 01/07. IMPERDÍVEL (até para quem torce o nariz para musicais, mas ama o teatro brasileiro)

        14/05/2018