terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

MITsp 2019 - MILO RAU




MILO RAU É A GRANDE ATRAÇÂO DA MITsp 2019

                Este jovem diretor suíço com apenas 42 anos é o nome mais lembrado atualmente no teatro mundial, tendo sido ovacionado no último Festival de Avignon com sua obra A Repetição (que abre a MITsp 2019) . A peça foi considerada como uma das melhores montagens de 2018 pelo New York Times e o Le Temps de Genebra escreveu textualmente em sua resenha de fim de ano “Para muitos, foi a peça do ano e para alguns, a peça de suas vidas”.
        A trajetória desse artista que já trabalhou em importantes teatros europeus e tem em seu currículo mais de uma dezena de montagens importantes, além de ter fundado em 2007 uma central de criação multimídia, o International Institute of Political Murder (IIPM) que busca documentar importantes eventos globais, reveste a apresentação de seus trabalhos na MITsp de grande expectativa.
        Rau já se fez presente na última edição da MITsp, quando foi apresentado seu filme Tribunal Congo (leia matéria de Melissa Yabuki sobre o filme no site do evento) e agora é a grande atração da mostra com a apresentação de três de seus trabalhos mais recentes: Compaixão. A História da Metralhadora (2016), Cinco Peças Fáceis (2016) e A Repetição. História(s) do Teatro (I) (2018); entre esta última e as duas anteriores, Rau montou Império (2016) e Os 120 Dias de Sodoma (2017), o que revela a sua alta produtividade.
        A Repetição, que abre a mostra, talvez seja a obra mais aguardada, tanto pelo tema tratado (um crime homofóbico) como pela repercussão que alcançou por onde foi apresentada. A peça tem início no melhor estilo de metateatro com uma “seleção de elenco para recriar o caso desse jovem que foi torturado e morto”, segundo o encenador. A seguir a peça discute técnicas para apresentar a tortura no palco, para afinal recriá-la a cada apresentação. Não há dúvida que se trata de novas perspectivas para o que se convencionou chamar de Teatro Documentário.
        Cinco Peças Fáceis recria crimes ocorridos na Bélgica na interpretação de crianças e adolescentes de 11 a 15 anos.
        Compaixão volta-se para a questão dos refugiados na Europa, com a interpretação de duas atrizes.
        Conteúdos atuais e importantes que adquirem forma na concepção de Milo Rau. A expectativa é grande.

       
        A MITsp 2019, porém, não é só Milo Rau. Mais cinco montagens internacionais fazem parte do eixo Mostra de Espetáculos. São elas: Mágica de Verdade (Reino Unido), Alicerce das Vertigens (Congo), MDLSX (Itália), Democracia (Chile/Brasil) e Partir Com Beleza (França). Os espetáculos brasileiros são estreias: Manifesto Transpofágico, Altamira 2042 e A Boba.
        Os outros eixos da MITsp são: Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr-Plataforma Brasil; este último com o objetivo de apresentar espetáculos brasileiros a programadores de festivais nacionais e internacionais constará de 11 espetáculos selecionados por três curadores.
        O que se nota é que tanto os espetáculos nacionais como os internacionais fogem do teatro convencional, primando pelas novas linguagens, pelas performances e pelo teatro experimental, dirigindo-se, portanto, a um público especializado.

        A sexta edição da MITsp ocorre de 14 a 24 de março em diversos teatros de São Paulo e pela primeira vez terá uma extensão no Rio de Janeiro.

        19/02/2019


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

NOITE e UTOPIA DA MEMÓRIA


Maurício Santana em cena de NOITE - Foto de Arô Ribeiro

        Cada vez estou mais convencido que o teatro é o templo da utopia e da esperança e onde nossas palavras ainda têm mais poder que a “deles”. Seja com um trabalho de denúncia explícita como Utopia da Memória do grupo Estudo de Cena ou com a delicadeza de Noite do Grupo Sobrevento, o teatro nos tira do chão, nos surpreende, nos faz refletir e acreditar que um dia chegaremos lá.

        Utopia da Memória está em cartaz no emblemático Engenho Teatral dos guerreiros Luiz Carlos Moreira e Iraci Tomiatto e faz denúncias profundas sobre a calamidade em que se encontra o Brasil, usando a lembrança de fatos terríveis ocorridos no país como documento; entre eles a perseguição ao grupo de Lampião, Canudos, Belo Monte, Mariana, Brumadinho e o discurso do atual presidente. Os objetos e fotos usados em cena ficam expostos para visitação ao final do espetáculo.

        Noite, dando sequência às pesquisas do Sobrevento com Teatro de Objetos, se volta para as memórias afetivas de vizinhos da sede do grupo no Brás, lembranças essas reavivadas por objetos que lhe são caros. Pode ser um vestido, um duende de epóxi e até mesmo um paninho que não existe mais, mas é o elo de um homem com seu passado. O recolhimento dessas memórias ocorreu das mais diversas formas, sendo que a atriz/diretora Sandra Vargas chegou a instalar uma banca na feira do bairro com uma plaquinha que dizia algo parecido com “recolhe-se lembranças”. Os depoimentos não foram gravados para que não perdessem a espontaneidade, mas anotados e depois tratados dramaturgicamente pelo grupo.
        No espetáculo tudo se passa na memória de um homem cego (Luiz André Cherubini) que vai relembrando figuras que vão aparecendo em nichos e contam suas histórias. Na frente desse painel de nichos há uma plataforma de terra que só é usada ao final, quando uma projeção revela uma igreja no painel. A tecnologia (projeções, iluminação) é usada com muita parcimônia no espetáculo para não interferir na delicadeza e na singeleza do mesmo.

        Espetáculos tão distintos entre si, mas que de alguma maneira dialogam e se complementam, pois acreditam no ser humano, apesar dele sempre dar provas do contrário.

        UTOPIA DA MEMÓRIA está em cartaz apenas por mais um fim de semana no Engenho Teatral. Sábado (19h) e domingo (16h e 19h). Gratuito.

        NOITE está em cartaz no espaço Sobrevento até 24 de março. Sexta e sábado (20h30) e domingo (18h). Gratuito.

        Dois excelentes espetáculos GRATUITOS. Não vai quem não quer!

        18/02/2019


sábado, 16 de fevereiro de 2019

O QUE RESTOU DE VOCÊ EM MIM


       Quem já não sofreu com dores de amores? Quem já não foi abandonado por um grande amor?
       Uma perda amorosa pode ser mais dolorosa que aquela provocada pela morte de um ente querido, pois além desta ser definitiva e irreversível, na primeira sempre resta uma esperança e aí surge a questão da coexistência lembrada pelo personagem da peça O Que Restou de Você em Mim. Não há coexistência com um morto, mas no caso de uma perda amorosa sempre se pergunta: “O que ele/ela estará fazendo neste momento?”. O personagem dá várias opções de resposta e diz que a sua preferida é que a outra pessoa esteja pensando nele naquele momento. Deste e de outros momentos belos, tristes, patéticos e até engraçados é formado o texto do jovem Davi Novaes que também interpreta o protagonista desta história de amores perdidos.
        Conforme a ficha técnica a peça é baseada em uma história de amor que realmente aconteceu e se essa história foi vivenciada pelo autor, é louvável sua maturidade e coragem de colocá-la em cena, apesar de ter apenas 25 anos.
       A história do jovem abandonado é compartilhada com nove privilegiados espectadores que adentram sua intimidade em um quarto vermelho de paixão e ali são testemunhas de suas desventuras.
       As diretoras Alejandra Sampaio e Virginia Buckowski conduzem a encenação com suavidade focando suas atenções no tocante trabalho de ator de Davi Novaes.
      
       O QUE RESTOU DE VOCÊ EM MIM está em cartaz em dos quartos do ZONA FRANCA, aconchegante espaço da Velha Companhia, situado na Rua Almirante Marquês de Leão, 378 na Bela Vista.

       16/02/2019


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

GOTA D’ÁGUA (PRETA)



        Um pouco de história

        Meu currículo de espectador abriga cerca de 3800 peças desde que me apaixonei pelo teatro em 1964. Em meu livro O Palco Paulistano de Golpe a Golpe (1964-2016) atesto uma grande lacuna ocorrida no final dos anos 1970 quando, por diversas razões, não pude assistir à antológica montagem de Gota d’Água escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes (1940-1976) e dirigida por Gianni Ratto (1916-2005) com a visceral interpretação da já saudosa Bibi Ferreira (1922-2019), desaparecida nesta semana. A emoção se renova cada vez que ouço os monólogos de Joana contidos no LP gravado na época por Bibi.
        Outras Joanas povoaram nossos palcos nesses 40 anos: Cleide Queiroz, poderosa, na montagem dirigida por Gabriel Villela em 2001, Georgette Fadel (2006) e Laila Garin (2016); estas duas últimas em versões adaptadas do original.

        A montagem atual


        Em momento oportuno do nosso país e com a intenção de dar voz a elenco negro, uma vez que a peça tem ação na Vila do Meio Dia, zona periférica onde a raça negra predomina, Jé Oliveira realiza esta potente montagem em cartaz no Itaú Cultural. Trata-se da primeira montagem com elenco negro, mas não a primeira Joana negra, pois Cleide Queirós já a interpretou na encenação já citada de Villela.
        O texto de Chico Buarque e Paulo Pontes tem muita força nos dias atuais onde a ganância e o poder concentrado nas mãos de poucos continuam a dominar o cenário brasileiro, mas há certa verborragia que poderia ser trabalhada pelo diretor, o mesmo, porém,  optou pela montagem integral com direito a inserções de cenas de candomblé que somadas a problemas de ritmo (que devem ser sanados durante a temporada) resultaram em apresentação de quase três horas e meia de duração. Com exceção do início com a conversa das vizinhas que demora a engrenar, o primeiro ato é impactante e ao seu final, o público emocionado aguarda ansioso a continuidade da trama. O segundo ato, porém, carece de ritmo e arrasta-se para um final, que da maneira que é apresentado, é bastante frustrante.
            O uso intermitente de microfones revela-se não funcional e cansativo, sendo mais um dos elementos que prolongam desnecessariamente o espetáculo. 
        A peça conta com três grandes interpretações: Salloma Salomão está emocionante como o sábio e suave Egeu; Rodrigo Mercadante tem força, talento e ótima dicção para nos indignar com seu asqueroso Creonte e Juçara Marçal, cantora, estreando como atriz, e que atriz! Sua Joana é tocante tanto na fúria como na suavidade, lembrando (sem imitar) momentos consagrados por Bibi Ferreira que só conheço em gravação. Causa estranhamento uma mesma atriz interpretar a vizinha Zaíra e a filha de Creonte, uma vez que a montagem não utilizou o sistema coringa, nem recursos épicos na sua concepção. Jé Oliveira se sai melhor como encenador do que como ator: seu Jasão tem o gingado do malandro do morro, mas não tem força para enfrentar Joana, nem consegue externar suas mudanças de comportamento até se consolidar como aproveitador e comparsa de Creonte.
        Citações de Você Não Gosta de Mim, Mas Sua Filha Gosta e Deus Lhe Pague, permeiam as canções originais de Chico Buarque para a peça, assim como, ritmos afros e de rap dando colorido especial e atualidade à encenação, há porém, uma incômoda trilha gravada que acompanha certos números musicais. O acompanhamento musical ao vivo é ótimo e é interessante e bonito o uso das vozes de Bibi Ferreira e de Chico em certos momentos, como também a homenagem que se faz à montagem original de 1975 incluindo entre os adereços de cena a capa do LP gravado na época.
        Resta ainda uma saudação a Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), o Vianninha, que adaptou a Medeia de Eurípedes para a televisão e essa adaptação foi a inspiração para Chico e Pontes escreverem a obra prima Gota d’Água.
       
        GOTA d’ÁGUA (PRETA) está em cartaz até o próximo domingo (17) no Itaú Cultural com sessões gratuitas bastante concorridas (sexta e sábado às 20h e domingo às 19h). Volta ao cartaz de 08 a 24 de março no Centro Cultural São Paulo ás sextas e sábados ás 20h30 e domingos às 19h30.

        15/02/2019

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

BABILÔNIA SEM FRONTEIRAS (BABYLON BEYOND BORDERS)




MAIS UMA DO PEDRO GRANATO

       A estrela principal deste fascinante projeto é a tecnologia, mas em momento algum ela deixa de servir o verdadeiro objetivo que é o compromisso social e o humanismo. Os recursos tecnológicos dão forma ao espetáculo permitindo a apresentação de quatro trabalhos realizados simultaneamente em quatro partes do mundo, mas seus realizadores jamais se esquecem do conteúdo.
       As imagens projetadas antes do início mostram as plateias dos quatro teatros onde vão acontecer os trabalhos: Bush Theatre em Londres, Harlem Stage em Nova Iorque, Market Theatre em Joanesburgo e nós no Teatro Anchieta em São Paulo. A seguir tem início o espetáculo com cenas interligadas: uma ao vivo e as outras três com as imagens projetadas no telão. Tudo acontece de forma harmoniosa e foram poucas as compreensíveis falhas de ocorridas no dia da estreia, falhas essas que já devem ter sido corrigidas.
       A iniciativa do nosso Pedro Granato do Pequeno Ato junto com Mwenya Kabwe (África do Sul), Ruthie Osterman (Reino Unido) e Sarah Elisabeth Charles (Estados Unidos) é digna de louvor tanto no aspecto experimental/tecnológico como na abordagem de temas tão importantes nos dias de hoje como situação de imigrantes/exilados, fundamentalismo, governos autoritários e ascensão assustadora do conservadorismo no mundo todo.


       A apresentação brasileira conta com a participação da multi artista Karina Buhr que tem forte presença cênica e do congolês Gloire Ilonde, radicado no Brasil desde 2011 e com muitas histórias para contar sobre seu exílio. Ao longo do espetáculo eles erguem um muro, símbolo funesto das fronteiras que dividem nosso planeta, que eu esperava que fosse derrubado ao final. Segundo o diretor essa era também sua vontade e só não acontece por problemas técnicos.
       São apenas cinco apresentações de 12 a 16 de fevereiro, sendo que duas já aconteceram no momento em que redijo estas linhas, portanto, você que aprecia e/ou faz e/ou estuda as artes cênicas não pode perder este evento que acontece no Teatro Anchieta, sempre às 17h somente até o próximo sábado.
       De que vale a tecnologia se ela não for veículo para valorizar o ser humano?

       14/02/2019
        

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

OSSADA



O grito de independência de uma atriz

        Dona de belos e imensos olhos verdes, Ester Laccava parece ter soltado todas as amarras para se lançar de corpo e alma e sem rede de proteção na criação de Ossada que, infelizmente, encerrou sua primeira temporada no domingo 03/02/2019 no SESC Pompeia.
        Segundo ela os textos da inglesa Maureen Lipman lhe chegaram às mãos por meio de uma amiga também inglesa. Ester escolheu cinco histórias, juntou textos da poetisa polonesa Wislawa Szymborska e de Laurie Anderson e com a colaboração de Elzemann Neves e João Wady Cury criou a dramaturgia deste perturbador espetáculo.
        Para a tradução cênica, Laccava contou com a colaboração das iluminadoras Mirella Brandi e Aline Santini que realmente são cocriadoras como bem atesta a ficha técnica constante no programa. A luz dialoga com a performance da atriz e com o público, criando ambiente digno de participar da Bienal de Praga, pois o trabalho dessas magas da iluminação funciona como uma verdadeira cenografia do espetáculo.
        Quanto à interpretação de Laccava... Poderosíssima e visceral desde sua entrada em cena andando e depois correndo no meio do público; passando pela tragédia de filhas em relação aos pais (uma em dúvida se desliga os aparelhos do pai agonizante em um hospital e outra liquidando o pai que a maltrata), ansiosa ao tentar acender um cigarro durante uma tormenta (a cena mais bela do espetáculo), dançando ao som de Stevie Wonder, patética como uma mulher bêbada fazendo speech durante a festa de casamento do filho e, finalmente, neutra em palestra no Museu de História Natural. Versatilidade e energia não faltam a essa atriz que se realiza também como criadora deste ousado Ossada.
        Ossada não pode se limitar às 16 apresentações realizadas no SESC Pompeia. É espetáculo para se expandir, para ser assistido e admirado por muita mais gente e assim cumprir seu papel admirável como um dos trabalhos mais criativos apresentados nos palcos paulistanos nos últimos anos. Muito moderno sem ser modernoso, nem pretensioso. Contemporâneo, sem ser inacessível. Belíssimo e comovente, além de fazer refletir sobre o tempo presente. É ver para crer.

        04/02/2019

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A PONTE



        Texto bem comportado do dramaturgo canadense Daniel MacIvor, do qual já vimos os menos convencionais In On It, A Primeira Vista e Cine Monstro. Neste caso as personagens são bem definidas e a história tem ação linear com perfeita definição de tempo e lugar, algo explicitado pela direção em uma tela de TV que faz parte do espaço cênico.
        A trama principal é a relação de três irmãs que se encontram devido à eminente morte da mãe. Há uma subtrama que trata da relação de uma delas com a filha que teve de abandonar quando nasceu por imposição da mãe e o bebê foi adotado por outra família. Os modos de ser e viver muito distintos das três irmãs movem os conflitos surgidos durante o tempo em que se passa a ação. A ponte do título fica em lugar “paradisíaco” imaginado por elas (a Moscou das três irmãs de Tchekhov) onde fizeram piquenique quando eram jovens. Nesse local se passa a última cena da peça; todas as outras cenas acontecem na cozinha da casa, toda decorada em vermelho, o que dá belo efeito para o cenário assinado pelo diretor Adriano Guimarães e Ismael Monticelli. Seria a cor vermelha opção da direção ou faz parte das rubricas do autor.

Bel Kowarick, Debora Lamm e Maria Flor

        Bel Kowarick, envelhecida para o papel da freira Tereza, atua de forma natural e contida ficando a explosão histriônica e até cômica para a personagem Agnes, muito bem defendida por Debora Lamm. Maria Flor tem voz pequena e estridente, mas se sai bem como a caçula e “estranha” Louise.
        A peça em dois atos tem duração de 120 minutos. Cada ato tem seis cenas e cada personagem tem um longo monólogo que é dirigido diretamente ao público com as luzes da plateia acesas.
        Trata-se de espetáculo bastante delicado dirigido sobriamente por Adriano Guimarães (desta vez sem seu irmão e parceiro de tantos outros espetáculos) e focado, sabiamente, no trabalho das três atrizes.
        Enquanto algumas montagens respondem com a mesma moeda, tem-se notado outra tendência que é enfrentar estes tempos agressivos e truculentos com poesia e delicadeza,  haja vista este espetáculo e também O Jardim das Cerejeiras, Sob o Céu de Rubem Braga, Quando ismália Enlouqueceu e Meu Quintal É Maior do Que o Mundo para ficar apenas em trabalhos que estrearam este ano nos palcos paulistanos. Tudo vale a pena, quando a “arte” não é pequena, poderia dizer Fernando Pessoa.

        A PONTE está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil às sextas, sábados e segundas ás 20h e aos domingos ás 18h até 25/03. Sessões extras em 21 e 28 de fevereiro e 07 de março (quintas, 20h).

           Fotos de Flávia Canavarro.

        02/02/2019