terça-feira, 16 de julho de 2019

PRÊMIO APCA DE TEATRO 2019 – 1º SEMESTRE (indicados)


 
                Em reunião realizada no dia 15 de julho de 2017 na SP Escola de Teatro os críticos da área de teatro da APCA escolheram os indicados do primeiro semestre de 2019 ao Prêmio. Escolha bastante difícil, haja vista a quantidade de bons espetáculos e boas interpretações acontecidas nesta primeira metade do ano nos palcos paulistanos malgrado todas as dificuldades impostas à cultura pelo nefasto governo que ora temos que engolir.
 
 
        Os críticos Celso Cury, Edgar Olimpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Maria Eugênia de Menezes, Márcio Aquiles, e Vinício Angelici indicaram seus escolhidos em cada categoria e o resultado da votação foi o que se segue:
 
         DRAMATURGIA
        - Eloisa Elena – Entre
        - Newton Moreno – As Cangaceiras Guerreiras do Sertão
        - Pedro Kosovski – Kintsugi, 100 Memórias
 
         ATOR
        - Mário Sérgio Cabral – Apenas o Fim do Mundo
        - Pedro Vieira – De Volta a Reims
        - Ricardo Gelli – Rio Grande
 
         ATRIZ
        - Amanda Lyra – Fim
        - Ester Laccava – Ossada
        - Luciana Carnieli – Amar, Verbo Intransitivo

         DIREÇÃO
        - Clara Carvalho – Condomínio Visniec
        - Jé Oliveira – Gota D’Água Preta
        - José Roberto Jardim – A Desumanização
 
         ESPETÁCULO
        - Fim
        - Gota D’Água Preta
        - Tom na Fazenda
 
 
        16/07/2019
 
       
 
 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

ATOR MENTE


 


       Com seus habituais talento e elegância Marco Antônio Pâmio traduziu e dirigiu três peças curtas do dramaturgo inglês Steven Berkoff reunidas no espetáculo Ator Mente em cartaz no Teatro Nair Bello.
       Os dois primeiros textos, mais curtos, colocam em cena Norival Rizzo e Josemir Kowalick, ora como dois atores no camarim de um teatro (Quero Um Agente), ora como uma mãe (divertida composição de Rizzo) conversando com o filho criança (Assado). Sabiamente Pâmio deixou para o final a melhor e mais longa peça (Isto É Uma Emergência) onde um casal discute sobre o desemprego do marido que é ator e uma troca de ofensas ao telefone entre o homem e um chofer de taxi resulta em algo que foge ao controle do casal, interpretado por Rizzo e Noemi Marinho, numa hilária e surpreendente intervenção.
 
 
       O patético diálogo inicial entre o casal enquanto a mulher balança infinitamente seu saquinho de chá na xícara e dá sugestões de emprego para o desacorçoado marido revela-se como um dos mais preciosos momentos que o teatro vem nos oferecendo. As chamadas do agressor por telefone e sua chegada (Luciano Schwab) transformam a cena de patética em tragicômica, onde se revelam males tão presentes na contemporaneidade: a insegurança, a violência, o medo, a covardia e a repressão sexual da mulher.
       O cuidado da produção (marca registrada de Pâmio) pode ser lido na ficha técnica e constatado ao assistir ao espetáculo: O cenário simples e flexível é de Duda Arruk, os figurinos de Fabio Namatame, a iluminação de Caetano Vilela e a ótima trilha sonora é assinada por Gregory Slivar.
       Entre os vários méritos deste espetáculo, os maiores para mim, são, sem dúvida, as brilhantes interpretações de Norival Rizzo e Noemi Marinho que por si valem a ida ao teatro.

       ATOR MENTE está em cartaz no Teatro Nair Bello no Shopping Frei Caneca às sextas e aos sábados às 21h e aos domingos às 19h. Até 28/07.

       15/07/2019

domingo, 7 de julho de 2019

EM CASO DE EMERGÊNCIA QUEBRE O VIDRO

 
 


        Eles são apenas ELE e ELA e jamais se chamam pelo nome. Depois de oito anos separados e dela ter ido viver em Londres eles voltam a se encontrar em uma barulhenta estação de metrô de São Paulo. Os ressentimentos ainda existem e também persiste a dúvida de ir embora e se sujeitar a um subemprego no exterior ou ficar e enfrentar a realidade cada vez mais problemática e sem perspectiva deste país. A peça de Denio Maués escrita em 2013/2014 adquire assustadora atualidade nos momentos sombrios que o Brasil passa nos dias de hoje, onde grande parte da população, se pudesse, estaria com malas prontas indo em direção do aeroporto.
        Fábio Mráz estreia na direção com muito bom senso focando sua atenção no desempenho dos atores e utilizando o bonito desenho de luz de Adriana Dham e a trilha sonora de Igor Souza, fundamental para esta peça que tem as canções de Morrissey e dos Smiths como pilares para o desenvolvimento da trama.
        César Cantão e Lívia Ziotti são duas gratas surpresas e já conquistam o espectador no primeiro diálogo que mostra o reencontro do casal. A segunda cena volta ao passado no dia em que ELA anuncia ao surpreso namorado que vai deixar o país no dia seguinte e a terceira cena fecha a peça com a nova partida dELA. ELA sempre quebra o vidro em caso de emergência e ELE não o faz, por mais que ela insista (“Vamos comigo para Londres!”)
        Há uma cena muito bem resolvida cenicamente onde ELA destila sua revolta tocando bateria. As fortes palavras de seu solilóquio somadas ao som da bateria provocam intensa reação no espectador.  
        Ao final ficam as perguntas para o público: ELE é acomodado ou cauteloso? ELA é corajosa ou irresponsável e aventureira? Sabiamente o autor deixa as questões em aberto e cada um dará o seu veredito com seus próprios valores.

        Em Caso de Emergência Quebre o Vidro é espetáculo realizado com muita delicadeza tanto pelo autor, como pelo diretor e pelo ótimo elenco e merece ser visto.
 
 
        Cartaz do Instituto Cultural Capobianco até 28/07 sempre aos sábados às 21h e aos domingos às 19h.

        OBS: Na noite terrivelmente fria do domingo, dia 07 de julho, chegamos ao Capobianco com uma hora de antecedência para usufruir da cafeteria ali existente e nos esquentarmos com um bom chocolate quente ou uma taça de vinho, mas para nossa decepção o local estava fechado. LAMENTÁVEL!

        07/07/2019

sexta-feira, 21 de junho de 2019

ELZA




        O musical Elza está de volta em São Paulo no Teatro Sérgio Cardoso. Um libelo contra os preconceitos racial e de gênero defendido com muita energia por sete atrizes/cantoras e que causa verdadeiro frisson no público. Abaixo reproduzo minhas impressões após assistir ao espetáculo em 2018: 

         “Elza a princípio parece ser mais um musical biográfico como tantos que grassam em nossos palcos, a maioria proveniente do Rio de Janeiro, mas é muito mais. A partir do texto escrito por Vinicius Calderoni e de um roteiro de canções perfeito (a ficha técnica não especifica a autoria desse roteiro) que comenta e costura a ação, Duda Maia cria um musical só com mulheres (sete atrizes e seis musicistas) pautado em movimentação cênica vibrante das atrizes (marca registrada de Duda, haja vista seu trabalho em Auê), uso de adereços baratos e criativos (baldes e alguns carrinhos), cenário de André Cortez e excelente direção musical comandada por Pedro Luís. O texto mostra as agruras vividas por Elza Soares e sua luta constante para enfrentar os limões que a vida lhe deu, sempre os transformando com muita garra em uma limonada. Peço perdão pela frase clichê, mas é a que mais se adequa a essa grande mulher. São sete atrizes/cantoras interpretando Elza e as pessoas que passaram pela sua trajetória, todas elas excelentes tanto nas falas como no canto. Vozes amplas e sonoras que ecoam esplendorosamente no grande auditório do Teatro Paulo Autran do SESC Pinheiros. Larissa Luz é o destaque natural por incorporar a personagem de maneira impressionante, mas seria injusto não mencionar o belíssimo trabalho das outras seis intérpretes e das musicistas. A reação do público é emocionante com aplausos em pé em vários momentos do espetáculo.”

        Elza Soares é exemplo de resistência nesses dias sombrios e ameaçadores que estamos vivendo e a peça passa isso ao público. E vamos resistir a esses reacionários conservadores que estão prometendo acabar com a nossa cultura.
 
        ELZA no teatro Sérgio Cardoso de quinta a sábado às 20h e aos domingos ás 17h até 11/08. IMPERDÍVEL

 

        21/06/2019

 

domingo, 16 de junho de 2019

KINTSUGI, 100 MEMÓRIAS



        A comparação pode parecer banal e até vulgar, mas não posso deixar de compartilhá-la: Kintsugi não é Skol, mas como desce redondo!
        Trata-se do novo espetáculo do Grupo Lume de Campinas. A entrada em cena dos quatro atores brindando com saquê (que será “personagem” importante ao longo do espetáculo) já antevê o ambiente de camaradagem que permeará toda a apresentação, ou quase toda, pois há uma movimentada cena de insultos (!) quase ao final da mesma.
        O vaso que adorna o centro do espaço cênico quando o público adentra a sala será quebrado logo no início da peça, sendo reconstruído ao longo da mesma, assim como são reconstruídas as memórias dos atores por meio de objetos que vão sendo colocados sobre o chão. Kintsugi é uma palavra japonesa que significa emenda com ouro e a emenda das memórias dos atores é realizada com o ouro de seus talentos e oferecida generosamente ao público.
        O processo de criação do espetáculo iniciou com a ideia de pesquisar o mal de Alzheimer (no transcorrer da peça são apresentados os casos de três portadores dessa doença), mas depois se ampliou para a memória de maneira geral e a peça acaba sendo quase um retrospecto da trajetória do grupo que completa 34 anos em 2019. Há até uma simpática invocação do fantasma de Luís Otávio Burnier (1956-1995), fundador do Lume, falecido precocemente. O mote para isso é uma confraternização de fim de ano do grupo onde há uma discussão que é apresentada em 12 versões realistas e uma utópica.
        É impossível não se identificar e não se emocionar com histórias e/ou objetos apresentados nas 100 memórias mostradas durante a apresentação. No programa há um inventário delas.
        É inegável a empatia criada entre atores e público e isso se deve às espontâneas interpretações de Ana Cristina Colla, Jesser de Souza (emocionante ao falar a poesia de Álvaro de Campos), Raquel Scotti Hirson (muito parecida com o Harpo Marx) e Renato Ferracini.  
        A ficha da montagem é extensa e rica tanto na criação como na parte técnica. A direção, realizada com muita sensibilidade, é do argentino Emilio García Wehbi.
        Fato que a memória pode trair: o espetáculo me remeteu a outro do Lume com o mesmo quarteto a que assisti há cerca de 20 anos: o delicioso Café Com Queijo.
 
 

        KINTSUGI, 100 MEMÓRIAS encerra temporada no SESC Avenida Paulista no próximo fim de semana (23/06). Sessões de quinta a sábado às 21h; domingos e feriados às 18h. Sessão extra no dia 19 (quarta) às 21h. IMPERDÍVEL

        16/06/2019

quinta-feira, 13 de junho de 2019

57 Minutos – o tempo que dura esta peça



       Ao iniciar a peça se apresentando de maneira muito simpática e informal Anderson Moreira Sales já obtém a adesão do público para que este trilhe junto com ele um dia na vida de Leopoldo/Esteves/Aki. O primeiro nome dado ao personagem é uma clara referência ao Leopold Bloom do livro Ulisses de James Joyce que serviu de inspiração para o jovem dramaturgo/diretor/ator.

       Baseado numa bem vinda oralidade dos contadores de histórias Anderson inicia sua narrativa preparando tanto a massa de um pão de queijo que será servido ao fim da peça como os ouvidos do público para o que vem depois.

       Ele mesmo diz que a narrativa é fragmentada e há algumas cenas que nem chegam ao final, mas isso não importa, pois Anderson sabe conduzir a história do que se passa em um dia de vida de um homem qualquer, um anti-herói que é testemunha passiva de agressão a um travesti, sonha em ter grande amor e almeja ser dançarino em uma companhia liderada por uma ensaiadora que se assemelha a uma bruxa.

       O espetáculo é dinâmico servindo-se do talento e da criativa movimentação cênica de Anderson; da iluminação de Ricardo Vivian que reforça aspectos da trama; do cenário simples, mas eficiente de Vivian e de Anderson e da trilha sonora de Kevin Brezolin. Recursos que se somam para resultar em harmonioso e belo espetáculo.

       A situação econômico-política do Brasil da qual o ator comenta no início que não irá falar, permeia todo o espetáculo mostrando a preocupação de Anderson com a triste realidade que os brasileiros estão vivendo.

       57 Minutos-o tempo que dura esta peça dura mais que 57 minutos!!! Mas ninguém se incomoda com um adicional de dez minutos porque o espetáculo é muito agradável ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre a violência e os tempos de ódio que estamos vivendo.

       Bem vindo a São Paulo, Anderson Moreira Sales!

 

       57 MINUTOS-O TEMPO QUE DURA ESTA PEÇA está em cartaz no Espaço Parlapatões As terças e quartas às 21h até 10 de julho.

 

       13/06/2019

segunda-feira, 10 de junho de 2019

DOLORES


 
       Quem é essa mulher chamada Dolores? Pela sua entrada triunfal em cena, supõe-se que ela seja uma estrela no auge da fama que está ali para receber os louros e aplausos de seus fãs adoradores, mas aos poucos o público vai percebendo que não é bem assim e que ela tem um quê da atriz decadente Norma Desmond, icônica personagem do filme de Billy Wilder Sunset Boulevard (1950). Apesar de ter apenas 50 anos Dolores sente estar no seu crepúsculo por conta de todos os tombos que a vida lhe deu. Em tom narrativo ela conta sua história desde a infância em um circo até o momento presente, tendo sido usada pela maioria das pessoas com quem conviveu.
       Apesar de muito bonita e exuberante para uma estrela decadente, Lara Córdulla convence e tem uma grande interpretação que contrasta com seu também excelente trabalho como a introvertida e fria filha de O Mal-Entendido de Albert Camus (2018). Mérito para a atriz que demonstra assim a sua versatilidade.
 
Marcelo Várzea, autor e diretor.
 
       Dolores é uma peça que depende totalmente da atriz que a interpreta e o maior mérito do diretor Marcelo Várzea, também autor, foi escolher a melhor intérprete para o papel e deixá-la à vontade para desenvolver a personagem. Várzea contou também com cenários e figurinos de Marcio Macena, com uma gostosa e correta trilha sonora de Raul Teixeira e com o belíssimo desenho de luz de Cesar Pivetti e Vânia Jaconis que, além de criar o clima propício para a ação, conduz toda a movimentação da atriz.
 
 
       DOLORES está em cartaz às terças e quartas às 21h no Instituto Capobianco, que agora conta com o aconchegante café liderado por Alex Galvão e Carlos Colabone. Até 14/08
 
       10/06/2019

sexta-feira, 7 de junho de 2019

VEM BUSCAR-ME QUE AINDA SOU TEU


 
         Já disse e repito quantas vezes for necessário: Carlos Alberto Soffredini (1939-2001) é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros e sua obra que trata o teatro popular de maneira tão séria e criativa precisa ser redescoberta. Um caminho para isso é a coleção de quatro livros lançada em 2017 com parte de seu tesouro teatral e outro é o empenho da filha Renata na divulgação de sua obra.
         Depois da bem sucedida leitura de Vem Buscar-Me Que Ainda Sou Teu em 2017 que clamava por uma encenação, eis que ela surge esplendorosa em 2019 no palco do Itaú Cultural.
         A noite de estreia foi emocionante. Não creio que haja outros planos, mas se é que eles existem Soffredini com certeza está rindo à toa vendo seus dois netos Ian e Tito no palco interpretando seus personagens e testemunhando a luta de sua filha Renata para por em pé obra tão saborosa.
         Vem Buscar-Me Que Ainda Sou Teu já teve duas montagens históricas. A primeira do Grupo Mambembe em 1979 dirigida por Iacov Hillel com Maria do Carmo Soares como Mãezinha e uma explosiva Rosi Campos como Amada Amanda. As músicas eram de Wanderley Martins que também interpretava Campônio.
 
Montagem de 1979
 
         Em 1990 foi a vez de Laura Cardoso interpretar Mãezinha tendo Xuxa Lopes como Amada Amanda na montagem de Gabriel Villela que tinha maiores recursos de produção. Desta vez a trilha era assinada por Dagoberto Feliz.
 
Montagem de 1990
 
         A encenação de Renata Soffredini tem mais afinidade com a primeira montagem e retoma a bela trilha de Wanderley Martins. O costumeiro talento de Kleber Montanheiro é responsável pelo simples, mas bonito e funcional cenário com armários móveis dotados de cortinas que quando abertas podem se tornar os vários ambientes por onde se passam as ações da peça. Os figurinos também são assinados por ele.
         O elenco, auxiliado pela trilha tocada ao vivo por três músicos, cria com muita energia o ambiente de circo teatro retratado na peça. A abertura da peça é um achado com a apresentação dos atores que farão as personagens. A partir daí o espetáculo é pura delícia e emoção.
         A chamada “atriz caricata” que na peça faz a vizinha Dona Virginia (Ah! O meta teatro!) é interpretada por Luiza Albuquerques e tem seu grande momento quando se apresenta à Mãezinha. Yael Pecarovitch tem estofo e presença física para fazer Amada Amanda e curiosamente tem de driblar seu idioma natal (ela é uruguaia) para falar o portunhol da falsa argentina que é sua personagem. Laura La Padula representa a falsa ingênua Cancionina que tem importante cena na peça quando confronta o teatro contemporâneo e intelectualizado com o que ela chama de teatro decadente, que é o circo teatro feito pela companhia de Mãezinha. Entendo a posição da direção de fazê-la antipática e esnobe nessa cena, mas acredito que há certo exagero nesse posicionamento, uma vez que as tendências se somam em vez de uma anular a outra. Claro que a posição da diretora tem a ver com aquela do dramaturgo presente em seu artigo De um trabalhador sobre seu trabalho do qual reproduzo um trecho abaixo:

         “[...] tomei contato com esse universo do Circo-Teatro e de lá para cá eu e um grupo de atores e artistas plásticos temos nos dedicado ao estudo (ou compreensão) dessa linguagem à primeira vista caótica, mas na verdade tão rica e colorida que é de deixar qualquer Brecht ou Grotowski ou Stanislavski ou Artaud pálidos.” 

         O elenco masculino é liderado por Ian Soffredini que faz o abobalhado Campônio com bastante delicadeza. Clovys Torres empresta seu tipo físico para o prepotente vilão que não pode faltar em um bom melodrama. Fernando Nitsch é o ótimo apresentador e alguém que já foi galã e ainda pensa que é. Brilhantina é um personagem secundário que ganha força com a bonita interpretação de Tito Soffredini e que ganha até um gostoso “número de cortina” ao longo da peça.
         Não há como não destacar a interpretação de Bete Dorgam, talvez a melhor de sua carreira. Ela é uma grande atriz e uma grande palhaça e como genuína palhaça tem o dom de no mesmo instante fazer o publico rir e chorar. Há momentos dela na peça que se assiste com um sorriso nos lábios e uma lágrima nos olhos. Sua Mãezinha é tão visceral e poderosa como foi aquela de Laura Cardoso há quase 30 anos atrás.
         Soffredini estaria fazendo 80 anos e esta peça completa 40 anos em 2019. Não poderia haver modo mais bonito de comemorar essas datas do que a realização da peça. Parabéns Renata Soffredini!

         VEM BUSCAR-ME QUE AINDA SOU TEU está em cartaz só até domingo no Itaú Cultural. Sexta e sábado às 20h e domingo às 19h. CORRA PARA VER, mas se não der tempo espere até 06 de julho quando a peça inicia temporada no Teatro João Caetano aos sábados e domingos que vai até 04/08.

         07/06/2019

 

        

segunda-feira, 3 de junho de 2019

RICARDO III ou CENAS DA VIDA DE MEIERHOLD


 

        O título original da tradução de Roberto Mallet é Ricardo III Está Cancelada,  apesar de entender a razão da exclusão de parte do mesmo (temor de que o público achasse que na realidade o espetáculo estava sendo cancelado) o novo título trai e engana o sentido da peça. A boa montagem do Grupo Pandora de Teatro de Perus em 2016 usava a tradução literal do título: Ricardo III Não Terá Lugar (Richard III N’Aura Pas Lieu). Digressões à parte, escrevamos sobre esta nova incursão de Clara Carvalho no universo de Matéi Visniec que é mais um trunfo na carreira recente da grande atriz como encenadora.
        Na ocasião em que assisti à primeira montagem desse texto escrevi algo que se aplica aqui:
        O russo Vsevolod Meierhold (1874-1940) - ator, diretor e teórico de teatro - foi perseguido e eliminado (fuzilado na prisão) pela ditadura socialista soviética por entenderem que ele não estava de acordo com os cânones do realismo social. Em Ricardo III Não Terá Lugar o dramaturgo romeno Matéi Visniec (1956) inspirou-se em fatos da vida de Meierhold para denunciar a ditadura de Ceausescu que vigorou em seu país de 1965 a 1989, criando uma virulenta crítica a todo e qualquer regime totalitário
        É uma das peças mais instigantes de Visniec usando e abusando do meta teatro para mostrar os delírios de Meierhold durante os ensaios de Ricardo III de Shakespeare envolvendo seus pais, sua esposa, seu filho recém nascido (Camarada Bebê), o ator que interpreta Ricardo III, a comissão que irá liberar (ou não!) a sua encenação e o Generalíssimo (poder supremo, clara referência a Stalin e a Ceausescu). Todos o questionam sobre a maneira como está conduzindo a encenação fazendo com que ele se autocensure a todo momento."

 
        A montagem de Clara Carvalho é muito digna e conta com sóbrio e bonito cenário de Chris Aizner mostrando um significativo e penetrante olho de Shakespeare sempre presente, testemunhando todas as barbaridades e atrocidades de que o homem ainda é capaz  séculos após ele ter escrito seus textos (na época de Meierhold e nos dias de hoje).A iluminação de Wagner Pinto, a envolvente música de Ricardo Severo, a expressão corporal de Mariana Muniz (que também assina a assistência de direção) baseada nos preceitos de Meierhold  e os bonecos de Beto Andreta complementam de modo harmonioso a beleza do espetáculo.
        Rubens Caribé compõe um Meierhold atônito com a censura e a opressão que sofre e este trabalho é mais um excelente momento desse grande ator. O Generalíssimo de Duda Mamberti seria cômico se não fosse assustador e tão presente nos figurões de nosso país. Rogério Brito interpretando Ricardo III rouba a cena toda a vez que aparece. Fernanda Gonçalves, Junior Cabral, Livia Prestes, Mara Faustino e Rogério Pércore completam o elenco deste belo, inteligente e imperdível espetáculo de Clara Carvalho.


        RICARDO III ou CENAS DA VIDA DE MEIERHOLD está em cartaz no Centro Cultural São Paulo às sextas e sábados às 21h e aos domingos às 20h até 07/07. NÃO DEIXE DE VER.

 

        03/06/2019


       

sábado, 1 de junho de 2019

QUEM FICA COM QUEM



        Quem já não encontrou um velho conhecido em um vagão de metrô ou já não teve o dedão do pé chupado por um conquistador inconveniente? Quem, ainda, não questionou ao final de uma novela: Quem fica com quem?
        Um vasto painel de figuras solitárias vivendo em centros urbanos é o que propõem os autores Josè Eduardo Vendramini e Marcelo Braga em seu novo espetáculo. Se eu tivesse que escolher uma imagem para sintetizar este trabalho, não teria a menor dúvida de recorrer a um quadro de Edward Hopper e, em especial, aquele intitulado Nighthawks (Falcões da Noite) que reproduzo abaixo. Seres carentes em busca de alguém que preencha suas solidões, mas que na maioria das vezes só encontram frustração e um vazio ainda maior.
 

        Dito dessa maneira pode-se  entender que o espetáculo é pesado e depressivo, mas não é o que acontece, pois os autores souberam dosar esse universo com pitadas de humor e graça.
        Algumas personagens retornam ao longo da narrativa (a jovem Mariana, a ninfomaníaca que aborda todos os entregadores que chegam à sua casa e o gay enrustido Rodrigo) e outras surgem e desaparecem (para se ter uma ideia, a atriz Valéria Lauand defende bravamente oito papeis na hora e meia do espetáculo).
        A cenografia de Hémon Vieira, a iluminação de Aline Santini e as projeções de André Grynwask e Pri Argoud colaboram com os encenadores/autores para dar um tom leve e agradável ao espetáculo.
        O elenco, bastante harmonioso, cuida bem dos vários personagens que interpretam, permanecendo no espaço cênico em seus camarins, mesmo quando não fazem parte da cena em curso. Propositalmente ou por acaso as mulheres ficam do lado esquerdo e os homens do lado direito do palco. É muito bom o recurso de fazer os que não estão na ação entregarem adereços (copos, pratos, roupas) para aqueles que estão atuando, assim como eles reagirem junto com o público ao que está acontecendo em cena.
        Esta é a terceira peça a que assisto que conta com a participação da jovem Ana Carolina Capozzi e é gratificante notar a sua evolução como atriz. Salete Fracarolli é responsável por bons momentos de humor como a ninfomaníaca. Clóvis Gonçalves empresta seu talento tanto ao gay afetado que tenta seduzir o jovem Rodrigo em uma boate como ao machão caipira que tem quatro filhos e quer adotar quatro sobrinhos órfãos. Alex Moreira é uma ótima surpresa como o jovem Rodrigo e, principalmente, como o jovem da Brasilândia que encontra uma ex-namorada no metrô (cena que abre e fecha a peça e que, para mim, é a melhor do espetáculo). Valéria Lauand tem talento e carisma para enfrentar seus oito personagens, tendo seu grande momento na cena do pronto socorro. E finalmente, Luciano Gatti que usa e abusa do seu talento cômico em diversas cenas, como aquela em que com um bonezinho na cabeça ele timidamente dança a Pata Pata com uma descontraída senhora (Valéria Lauand), aqui é impossível não se lembrar de Charlie Chaplin, tanto no visual como no gestual (só faltou a bengalinha em sua saída de cena); mas é importante dizer que Gatti também se sai muito bem nas cenas dramáticas.
        Quem Fica Com Quem é espetáculo muito agradável de  ver, mesmo deixando ao final um gosto amargo na boca do espectador ao concluir que na realidade o mocinho não fica com a mocinha e na maioria das vezes NINGUÉM FICA COM NINGUÉM.
 

        QUEM FICA COM QUEM está em cartaz no Viga Espaço Cênico às sextas e aos sábados às 21h e aos domingos às 19h até 28/07.

 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A VIDA ÚTIL DE TODAS AS COISAS



        Não são só as mercadorias que têm prazo de validade. Os animais, entre eles nós os humanos, também temos um tempo para ser saudável, desenvolver e depois começar a decair até expirar. Hoje já podemos trocar órgãos vencidos por meio de transplantes. No futuro a Family Made Factory (só podia ter nome em inglês) irá nos oferecer novas formas de vida. De vida? Sem querer ser spoiler (outro nome em inglês!), é mais ou menos disso que trata a peça de Kiko Rieser em cartaz na cidade. Um avô com prazo de validade prestes a vencer, seu filho e sua neta são as personagens da peça, além da atendente da Family Made.
        Rieser se muniu de ótima equipe técnica para produzir sua peça: a competência e a criatividade de Marisa Bentivegna estão presentes no cenário repleto de gavetas de onde podem sair desde os pesos para musculação da neta até os relatórios da Factory; Gregory Slivar é responsável pela trilha sonora que comenta a ação e embala as entre cenas; Aline Santini se encarrega dos belos efeitos luminosos e os sóbrios figurinos são de Kleber Montanheiro que dá um tom de futurismo apenas nas roupas da atendente.
        E para completar, o elenco! João Bourbonnais dá vida ao avô que começa a demonstrar “vencimento” com seus lapsos de memória; Louise Helène inicia como uma menina frívola preocupada com seu físico e tem seu bom momento dramático ao final da peça; Eduardo Semerjan empresta vigor à revolta do pai que resiste a trocar seu velho pai por algo muito parecido com ele e, finalmente, Luciana Ramanzini como a burocrática atendente da Factory é responsável pelos momentos mais engraçados da peça (na verdade, a burocracia do seu atendimento tende para o trágico, mas acaba-se rindo da kafkiana situação).
        A meu modo de ver, dez minutos a menos não fariam mal à encenação. A cena onde o pai comenta com a filha sobre a escolha daquele apartamento pela falecida esposa criada pelo dramaturgo para mostrar a reumanização dele é muito longa e perde-se em detalhes que não acrescentam nada à trama. Outra cena longa é aquela final onde a atendente repete à neta o que poderia ser feito com seu pai (é o mesmo discurso que ela fez em cena anterior para o pai em relação ao avô).
        A peça tem excelente final aberto onde o público deve concluir qual será a decisão da jovem.
        Kiko Rieser é artista preocupado com o seu tempo e com os rumos que a humanidade vem tomando e sua peça é compatível com seu pensamento.


        A VIDA ÚTIL DE TODAS AS COISAS está em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade às quintas e sextas às 20h e aos sábados às 18h até 15/06. Entrada franca.

 

        29/05/2019

         

terça-feira, 28 de maio de 2019

A DESUMANIZAÇÃO



        Espetáculo de rara beleza visual, A Desumanização é a nova direção de José Roberto Jardim; a cada nova encenação os trabalhos de Jardim adquirem mais requinte visual e aqui, a meu modo de ver, ele atingiu o perfeito equilíbrio entre os efeitos de luz e imagem e o conteúdo da obra. Não Contém Glúten (2016), seu melhor trabalho até então, tinha sofisticado despojamento visual, enquanto Adeus Palhaços Mortos e, principalmente, O Inevitável Tempo das Coisas exageravam nos efeitos parecendo querer esconder a insuficiência dos conteúdos. (Convém lembrar que Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços, peça de Matei Visniec que deu origem a Adeus Palhaços Mortos é um dos textos mais fracos e repetitivos do dramaturgo romeno).
        A Desumanização é baseada no livro homônimo de Valter Hugo Mãe e teve feliz adaptação de Fernando Paz para a linguagem teatral. Uma comparação menos superficial entre as duas linguagens eu poderei fazer após ler o livro, mas o resultado teatral é muito bom, colocando duas mulheres em cenários absolutamente simétricos interpretando a personagem Halldora em busca de seu passado para compreender o presente.

O diretor José Roberto Jardim ladeado por Maria Helena Chira (esquerda) e Fernanda Nobre (direita)

        Muito loiras e bonitas Maria Helena Chira e Fernanda Nobre revezam-se nos monólogos da personagem com muita energia e talento, fazendo movimentação cênica perfeita e interagindo com as câmeras de vídeo, importantes ferramentas da encenação. Não há como não se lembrar de Liv Ullmann e Bibi Andersson no filme Persona (1966) de Ingmar Bergman.
        A música envolvente de Marcelo Pellegrini, a iluminação de Wagner Freire e todo o aparato tecnológico (câmeras, projeções, vídeos) colaboram definitivamente com a direção para resultar nesse deslumbrante espetáculo.
        Para melhor refletir sobre a trama prefiro antes ler o livro e então voltar a assistir ao espetáculo.
        ATENÇÃO: Para uma melhor fruição do espetáculo, procure sentar nos assentos centrais da plateia e evite a plateia lateral.

        A DESUMANIZAÇÃO está em cartaz no SESC Santana até 30/06 às sextas e aos sábados (21h) e aos domingos (18h). No dia 16/06 haverá um encontro com Valter Hugo Mãe após a apresentação do espetáculo.

        28/05/2019




sexta-feira, 24 de maio de 2019

O HOMEM-MEGA-FONE/A ARTE DO REENCONTRO




(Matéria teatral-afetiva)

        Entre o final de 2015 e o início de 2016 acompanhei o processo de ensaios e as apresentações de duas peças da Companhia Teatro da Investigação (CTI), minha função era escrever um relato sobre o processo do grupo desde o ensaio até as apresentações. Foram quase seis meses de convívio profícuo e amistoso. Essa convivência está registrada no já citado relato e na centena de fotos que fiz na ocasião.
        A vida nos leva e traz e durante os últimos três anos acabei perdendo o contato com grupo, apesar de ter notícias sobre ele e sobre a inauguração da sede própria na Vila Ré.
        Finalmente ontem tive a oportunidade de conhecer a sede, reencontrar amigos e assistir ao espetáculo O Homem-Mega-Fone.

        A sede é composta de uma casa que abriga biblioteca e camarins e de um generoso galpão onde são feitas as apresentações.


        A peça O Homem-Mega-Fone foi escrita por Edu Brisa em 2009 enquanto ele participava do Seminário de Dramaturgia realizado pelo saudoso Chico de Assis (1933-2015) e tem suas raízes no teatro popular do importante CPC (Centro Popular de Cultura) que foi esmagado pela funesta ditadura imposta ao Brasil em 1964.
        De caráter épico a peça mostra grupo de habitantes de um grande centro urbano que vive de catar e vender papelão usando para isso um megafone para “ofertar os seus produtos”. Um desses homens resolve se candidatar a vereador e numa troca de favores (sempre em seu benefício) entrega o megafone a um menino ingênuo e cheio de boas intenções. A disputa pelo objeto e a ascensão do candidato inescrupuloso que compra adesões e até sentimentos são os temas da peça. As entre cenas são recheadas com poderosa percussão produzida pelo próprio elenco com inusitados objetos (panelas, canecas e tambores) e por números de rap que comentam a ação. Mérito para a direção musical de Fernando Alabê e para as preparações corporal e vocal assinadas por Carlos Simioni.            
        A encenação de Carol Guimaris é dinâmica permeando cenas da trama em si com os já citados recursos sonoros A movimentação cênica dos atores junto com a carroça revela-se como atraente coreografia que aguça o olhar do espectador.
        O elenco homogêneo e cheio de energia mostra mais uma vez a militância do grupo e não há como não destacar o trabalho de Geovane Fermac que, apesar da idade, convence como o garoto que tem um fim trágico para a felicidade geral da nação.

        Foi com grande alegria que reencontrei os queridos Cris Camilo, Geovane Fermac, Carol Guimaris, Edu Brisa e Harry de Castro e também fiquei feliz ao saber que outro querido, o Guguigon (Gustavo Guimarães), agora faz parte do grupo. De lambuja, além dos abraços, o público é presenteado com um exemplar do livro A Dramaturgia do Teatro-Baile do Edu Brisa e com mais de um gole do delicioso cariri, “bebida oficial do grupo”.
       
        O HOMEM-MEGA-FONE está em cartaz na sede da CTI na Rua Oti, 212 na Vila Ré a cinco minutos da Estação Patriarca do metrô. Sessões de quinta a sábado às 20h até 29 de junho.

        O teatro realizado por vários grupos na periferia da cidade merece maior atenção tanto pelo serviço político, social e cultural prestado às comunidades como também pela qualidade de seus trabalhos. Vale a pena sair da acomodação na Broadway paulistana e estender o olhar para além dessa zona de conforto. Resta saber se uma maior divulgação nos guias de teatro levaria mais público a esses espetáculos.

O TEATRO NOS UNE
O TEATRO NOS TORNA FORTES
VIVA O TEATRO!

        24/05/2019


segunda-feira, 20 de maio de 2019

EM UM DIA QUALQUER




        Linda McLean é uma dramaturga contemporânea escocesa com considerável número de peças escritas e encenadas. Chega aos palcos paulistanos pela primeira vez por intermédio da atriz Cristina Cavalcanti que interpreta e traduziu Em Um Dia Qualquer (Any Given Day) de 2012.
        Segundo Carlos Baldim, diretor da montagem, a autora divide esta obra em duas peças distintas, mas que devem ser encenadas numa mesma apresentação. A peça 1 retrata o cotidiano de dois velhos meio malucos que esperam uma visita e descobrem que esqueceram de comprar pão; a peça 2 mostra uma jovem sendo assediada pelo dono do bar onde trabalha. Enquanto a peça 1 usa recursos do teatro do absurdo, a segunda trilha a zona do teatro realista e a montagem de Baldim soube dosar muito bem essa diferença na separação do palco em dois ambientes distintos tanto no cenário (Cesar Rezende) como na iluminação (Junior Docini e Carlos Baldim) e nas interpretações também virtualmente distintas que Cristina Cavalcanti dá para a velha da peça 1 e para a jovem da peça 2, aliás, pelo que pude pesquisar, as encenações estrangeiras usavam duas atrizes:uma para a gorda Sadie da peça 1 e outra para Jackie da peça 2 e nesta montagem a atriz incumbe-se dos dois papeis fazendo em cena a transmutação de uma personagem para a outra.
        Em Um Dia Qualquer é uma peça que depende quase exclusivamente do bom elenco. Sabedor disso Baldim deixa o espetáculo nas mãos da atriz e dos atores (Fabio Mráz e Ricardo Ripa), dando-se ao luxo de fazer uma “pontinha” na peça 1.
        A direção acerta também ao fazer uma ligação entre as duas tramas ao final da segunda. A cena final do espetáculo, auxiliada pela excelente trilha sonora de L.P. Daniel é de grande impacto e trata-se de elogioso acréscimo feito pelo diretor ao original de McLean.
        Sendo, como a autora afirma, duas peças distintas, fica a pergunta que não quer calar: Poderia ser apresentada primeiro a peça 2 e depois a peça 1?
        Em Um Dia Qualquer é um texto instigante que recebeu ótima tradução cênica de Carlos Baldim e que conta com talentoso elenco para interpretá-lo. Merece uma ida ao aconchegante e um pouco distante Teatro Décio de Almeida Prado no Itaim Bibi.
        Em cartaz até 26/05 com sessões aos sábados às 21h e domingos às 19h.

        20/05/2019