domingo, 8 de março de 2026

11ª MITsp nos dois primeiros dias

 

1.   ABERTURA

Entre aplausos e vaias aconteceu a abertura da 11ª MITsp no Teatro Liberdade na sexta-feira, dia 06 de março de 2026. Após os infindáveis e cansativos discursos realizados pelos patrocinadores com duração de mais de uma hora, foi FINALMENTE apresentada a esperada peça de abertura: “História da Violência”. 

2.   HISTÓRIA DA VIOLÊNCIA

O escritor francês Edouard Louis (1992-) parece ter encontrado no encenador alemão Thomas Ostemeier (1968 -) o melhor tradutor cênico de seus livros que partem de suas experiências pessoais para fazer críticas social e política ao preconceito de gênero, às injustiças com a classe trabalhadora e à violência no mundo contemporâneo. O pensamento e a estética de Ostermeier têm tudo a ver com o que se encontra nas escritas de Louis.

O mote da peça e do livro é a agressão que Louis sofreu após levar para seu apartamento um desconhecido que encontrou na rua onde uma esperada transa termina em assédio físico e moral; a trama, no entanto,  se amplia para a relação do jovem com sua irmã, nas atitudes dos seus pais e no suicídio do irmão mais velho, assuntos tratados nos outros livros do autor.

Ostermeier desconstrói uma narrativa linear numa montagem que prima pelo distanciamento, tão caro a Bertolt Brecht, nas interrupções da ação com observações para o público tanto do protagonista como de sua irmã, cujas falas trazem um pouco de humor à tensa trama.

Projeções ao fundo e de imagens gravadas em cena também não permitem que a trama resvale para um drama tradicional do teatro burguês.

A montagem tem mais a “cara” de teatro alemão do que de teatro francês, mas isso em nada diminui, nem desvirtua o texto de Edouard Louis.

A apresentação da agressão em vários ângulos (narrado e apresentado) e a inclusão de situações apresentadas em outros livros do autor, fazem com que a peça dure duas horas e dez minutos.

Excelente peça de abertura da MITsp!!

Na próxima semana será  apresentado “Quem Matou Meu Pai? outro texto de Louis também dirigido por Ostermeier.

3.   A CARTA

O encenador suíço Milo Rau (1977) foi a grande atração da MITsp de 2019 apresentando três espetáculos; desta vez ele comparece na dramaturgia e na direção de um delicioso exercício de metateatro interpretado com muita graça e empatia com o público pela francesa Olga Mouak e o belga Arne de Tremerie.

Uma atriz e um ator fazem um ensaio teatral: enquanto ele opta por “A Gaivota” de Tchekhov e memórias de sua avó, ela insiste em cenas sobre a francesa Joana D’Arc.

Jogando de maneira lúdica com a participação do público eles apresentam várias cenas das duas escolhas que resultam em um espetáculo a que se assiste com muito prazer, um sorriso nos lábios e até uma lagrimazinha que insiste em escorrer pelos olhos.

A 11ª MITsp começa MUITO BEM com esses dois espetáculos.

 

08/03/2026

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