segunda-feira, 8 de junho de 2026

DONATELLO

 

Vitor Rocha é um rapaz (Rapaz, sim! Ele tem apenas 28 anos) de muito talento e rara sensibilidade. Lançou-se como autor com apenas 21 anos com “Cargas d’Água” e não parou mais, acumulando sucessos de crítica e de público com os quatro espetáculos que se seguiram, culminando com essa preciosidade chamada “Donatello”, escrita e estreada em 2024 e agora retornando a São Paulo para uma bem-vinda temporada no Teatro do Núcleo Experimental.

A peça mostra um homem que desde menino teve uma relação muito amorosa com seu avô Donatello. Foi numa sorveteria muito frequentada pelos dois que surgiram os primeiros sinais de Alzheimer no velho. A partir daí o homem mostra os desdobramentos da doença do avô e a relação com seus pais e uma primeira namorada; cada sentimento experimentado por ele tem o sabor de um sorvete criando um jogo deliciosamente lúdico com a plateia, coroado com frase emblemática que reproduzo a seguir:

Tem gente que é tão boa que merece virar sabor de sorvete”.

A encenação dirigida por Victória Ariante privilegia a presença de Vitor em cena interpretando o neto de Donatello. As belas canções que permeiam a narrativa têm letras do próprio Vitor e músicas de Elton Towersey. Tudo flui de maneira delicada e bem humorada apesar de tratar de assunto sério e doloroso.

Vitor Rocha é presença luminosa em cena. É simpático, bonito e carismático criando uma relação de intimidade e cumplicidade com o público pouco vista em tantos espetáculos a que já assisti.

Sentado no palco, pude ver os olhos de muita gente na plateia tão marejados de emoção como os meus.

“Donatello” não resvala para o melodrama em nenhum momento graças ao texto e interpretação de Vitor, à direção de Victória e às intervenções do pianista Guilherme Gila.

Muitos são os momentos marcantes desses noventa minutos que passam voando, mas se é para destacar apenas um, fico com aquele que é quase uma cena de cabaré onde Vitor canta e interage com o pianista sentado ao seu lado.

As relações do narrador com a nova namorada (que é uma das espectadoras) quando ele descobre o amor que tem sabor de flocos também é uma cena deliciosa que para este espectador tem sabor de chocolate já que este é meu sabor preferido.

“Donatello” agrada em cheio qualquer que seja o sabor de sua preferência e é preciso estar com o coração aberto para melhor degusta-lo.


Em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental aos sábados, 20h e aos domingos, 19h até 19 de julho.

Corra para ir, pois você vai querer ver de novo. O espetáculo tem gosto de QUERO MAIS! 

08/06/2026

 

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