Surgindo esporadicamente nos palcos
paulistanos nos últimos anos, José Rubens Chachá tem bem-vinda volta à cena ao protagonizar
este solo de sua autoria com direção afetuosa de sua filha Maíra Chasseraux.
Entre os anos 1976 e 1983 a Argentina
sofreu tempos negros com uma violenta ditadura militar liderada por Jorge
Videla. Nesse período eram comuns os voos da morte onde se despejavam no mar os
corpos de presos políticos e a adoção, por famílias de militares, de bebês
nascidos na prisão e retirados de suas mães presas políticas.
Quinze anos depois (a peça se passa em
1998), o escritor Lucho Cervan ainda sofre os traumas daqueles anos de chumbo.
Sofrendo um processo de demência ele mistura fatos, esquece de outros e
questiona sobre seu envolvimento com a ditadura. Sozinho em seu apartamento
fala várias vezes com seu editor Gaia, a quem deseja fazer um pedido, e com o
filho. Ouve muitos tangos enquanto tenta escrever sem sucesso o texto de um
novo livro; quer lembrar de um determinado tango que, segundo ele, será a chave
para voltar a escrever com sucesso.
O icônico “Cambalache” de Enrique
Santos Discépolo e muitas composições de Piazzolla embalam as ações do velho
escritor.
Depois de muito pensar, lembra do
pedido que desejava fazer ao editor e telefona para o mesmo que se recusa a
atendê-lo.
Quando finalmente lembra qual era o
tango corre para a máquina de escrever, mas aí já é um pouco tarde. (assista
à peça para saber porquê)
Chachá domina a cena com muito vigor e
com as pitadas de humor que lhe são peculiares e é um verdadeiro prazer
assistir a interpretação desse grande ator que, ao contrário da sua personagem,
está em pleno domínio físico e intelectual.
O cenário de Júlio Dojscar reproduz o
quarto de Cervan com as paredes repletas dos livros que ele escreveu e que
foram publicados em todo mundo. Iluminação de Ney Bonfante e trilha sonora
(muitos tangos maravilhosos!) elaborada por Sérvulo Augusto.
Maíra se vale de todos esses recursos
teatrais e do foco no trabalho do pai para criar um espetáculo bonito, honesto
e muito humano.
O NOME DO TANGO está em cartaz no Teatro Estúdio até 08/11 aos sábados e domingos às19h.
07/10/2026

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