1.
ABERTURA
Entre aplausos e vaias aconteceu a abertura da 11ª MITsp no Teatro Liberdade na sexta-feira, dia 06 de março de 2026. Após os infindáveis e cansativos discursos realizados pelos patrocinadores com duração de mais de uma hora, foi FINALMENTE apresentada a esperada peça de abertura: “História da Violência”.
2.
HISTÓRIA
DA VIOLÊNCIA
O escritor francês Edouard Louis
(1992-) parece ter encontrado no encenador alemão Thomas Ostemeier (1968 -) o
melhor tradutor cênico de seus livros que partem de suas experiências pessoais
para fazer críticas social e política ao preconceito de gênero, às injustiças
com a classe trabalhadora e à violência no mundo contemporâneo. O pensamento e
a estética de Ostermeier têm tudo a ver com o que se encontra nas escritas de
Louis.
O mote da peça e do livro é a agressão
que Louis sofreu após levar para seu apartamento um desconhecido que encontrou
na rua onde uma esperada transa termina em assédio físico e moral; a trama, no
entanto, se amplia para a relação do
jovem com sua irmã, nas atitudes dos seus pais e no suicídio do irmão mais
velho, assuntos tratados nos outros livros do autor.
Ostermeier desconstrói uma narrativa
linear numa montagem que prima pelo distanciamento, tão caro a Bertolt Brecht,
nas interrupções da ação com observações para o público tanto do protagonista
como de sua irmã, cujas falas trazem um pouco de humor à tensa trama.
Projeções ao fundo e de imagens
gravadas em cena também não permitem que a trama resvale para um drama
tradicional do teatro burguês.
A montagem tem mais a “cara” de teatro
alemão do que de teatro francês, mas isso em nada diminui, nem desvirtua o
texto de Edouard Louis.
A apresentação da agressão em vários
ângulos (narrado e apresentado) e a inclusão de situações apresentadas em
outros livros do autor, fazem com que a peça dure duas horas e dez minutos.
Excelente peça de abertura da MITsp!!
Na próxima semana será apresentado “Quem Matou Meu Pai? outro texto de Louis também dirigido por Ostermeier.
3.
A
CARTA
O encenador suíço Milo Rau (1977) foi
a grande atração da MITsp de 2019 apresentando três espetáculos; desta vez ele
comparece na dramaturgia e na direção de um delicioso exercício de metateatro
interpretado com muita graça e empatia com o público pela francesa Olga Mouak e
o belga Arne de Tremerie.
Uma atriz e um ator fazem um ensaio
teatral: enquanto ele opta por “A Gaivota” de Tchekhov e memórias de sua avó,
ela insiste em cenas sobre a francesa Joana D’Arc.
Jogando de maneira lúdica com a
participação do público eles apresentam várias cenas das duas escolhas que
resultam em um espetáculo a que se assiste com muito prazer, um sorriso nos
lábios e até uma lagrimazinha que insiste em escorrer pelos olhos.
A 11ª MITsp começa MUITO BEM com esses
dois espetáculos.
08/03/2026


