segunda-feira, 20 de abril de 2026

TRAVESSIA

 

Foto do elenco de Bob Souza

É inegável a beleza cênica de “Travessia”. As cenas de conjunto fazem jus e transcendem a grandeza do quadro “A Balsa Medusa” do pintor francês Géricault (1791-1824) com os movimentos do elenco belamente coreografados por Reinaldo Soares.

Duas premissas da encenação de Gabriela Mellão são muito louváveis: a primeira é se valer de culturas diversas na formação do elenco (além dos brasileiros há a presença de africanos e outros latino americanos) e a segunda é relacionar o naufrágio mostrado no quadro de Géricault com a situação de imigrantes que fogem de seus países em embarcações sem segurança.

Completam esses lados positivos da encenação a iluminação sempre “luminosa” de Aline Santini, a discreta cenografia de Camila Schmidt se utilizando de lençóis esvoaçantes, a trilha sonora de Federico Puppi e a excelência do elenco do qual fica difícil fazer algum destaque, mas sempre fazendo lembrar de Vitor Britto, Prudence Kalambay, Mariama Bintu Bah e Miriam Rinaldi.

Gabriela Mellão rege todos esses elementos com mão de mestre e criou a dramaturgia a partir de uma criação coletiva com o elenco e aí talvez esteja o maior problema da encenação, pois com todos os aspectos positivos citados acima o espetáculo poderia ter resultado muito melhor não fosse a dramaturgia bastante prejudicada pelo excesso de referências e pela falta de costura entre cenas isoladas que são belas, mas que destoam do todo e fogem da premissa da encenação. Para este espectador esses fatos alongam desnecessariamente o espetáculo e dão uma sensação de incompreensão do todo.

TRAVESSIA está em cartaz no SESC Belenzinho até 03/05. Quinta a sábado, 20h. Domingo e feriado, 18h30. 

20/04/2026

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