É inegável a beleza cênica de
“Travessia”. As cenas de conjunto fazem jus e transcendem a grandeza do quadro “A
Balsa Medusa” do pintor francês Géricault (1791-1824) com os movimentos do
elenco belamente coreografados por Reinaldo Soares.
Duas premissas da encenação de
Gabriela Mellão são muito louváveis: a primeira é se valer de culturas diversas
na formação do elenco (além dos brasileiros há a presença de africanos e outros
latino americanos) e a segunda é relacionar o naufrágio mostrado no quadro de
Géricault com a situação de imigrantes que fogem de seus países em embarcações
sem segurança.
Completam esses lados positivos da
encenação a iluminação sempre “luminosa” de Aline Santini, a discreta
cenografia de Camila Schmidt se utilizando de lençóis esvoaçantes, a trilha
sonora de Federico Puppi e a excelência do elenco do qual fica difícil fazer
algum destaque, mas sempre fazendo lembrar de Vitor Britto, Prudence Kalambay,
Mariama Bintu Bah e Miriam Rinaldi.
Gabriela Mellão rege todos esses
elementos com mão de mestre e criou a dramaturgia a partir de uma criação
coletiva com o elenco e aí talvez esteja o maior problema da encenação, pois com
todos os aspectos positivos citados acima o espetáculo poderia ter resultado
muito melhor não fosse a dramaturgia bastante prejudicada pelo excesso de
referências e pela falta de costura entre cenas isoladas que são belas, mas que
destoam do todo e fogem da premissa da encenação. Para este espectador esses
fatos alongam desnecessariamente o espetáculo e dão uma sensação de
incompreensão do todo.
TRAVESSIA está em cartaz no SESC Belenzinho até 03/05. Quinta a sábado, 20h. Domingo e feriado, 18h30.
20/04/2026

.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário