quinta-feira, 23 de julho de 2026

MANIFESTO

 

“Por tão poucos terem tanto, é que tantos têm tão pouco”

(Eduardo Marinho) 

        Desconheço como foi que Lee Taylor conheceu Eduardo Marinho, mas vejo como foi importante ele ter trazido a público, por meio deste espetáculo, a vivência e os pensamentos desse homem de aparência simples e com um conteúdo humano imenso e rico.

Lee fez a organização dramatúrgica das falas e escritas de Marinho, mas o mérito do rico conteúdo do texto  é totalmente creditado a Marinho, artista de rua, escritor e ativista social, também chamado de “filósofo de rua” vindo de uma família conservadora de classe média que, como a maioria dos jovens, obedeceu o pai militar na escolha do seu futuro, tentando carreira militar, partindo depois para uma formação universitária cursando Direito e finalmente  rompendo com tudo e com todos de maneira corajosa indo viver na rua em busca de um sentido para sua vida e de uma sinceridade que ele não encontrava no mundo burguês. A saga de Marinho é rica em detalhes e suas observações sobre o mundo e a sociedade são profundas e importantes, haja vista a frase que serve de epígrafe para esta matéria.

Tal qual Charlie Chaplin, Lee Taylor tem total domínio corporal/facial em cena, com a vantagem de que ele fala e tem belíssima e possante voz. É um verdadeiro privilégio ver Lee tão de perto incorporando em cena a figura de Marinho.

Dirigida por Georgette Fadel com codireção do próprio Lee, a encenação tem resoluções cênicas simples, mas muito belas e criativas como o uso da luz e das sombras e aquelas que acontecem na capota de Kombi presente em cena, carinhosamente batizada de Celestina por Marinho.

As palavras e os desenhos de Marinho que complementam o texto dito pela personagem, vão surgindo aos poucos em cartazes que vão sendo pendurados em varais.

Soluções aparentemente óbvias, mas que necessitam de muita criatividade para surgirem e quando aparecem vem a reação “Puxa! Como não pensei nisso antes?”

MANIFESTO é outro monólogo masculino surgido numa temporada repleto deles, mas tem destaque especial pela riqueza do texto e pela belíssima interpretação de Lee Taylor que colhe mais um sucesso em sua sólida carreira teatral.

Na noite de 22/07/2026 Eduardo Marinho estava presente sendo abraçado efusivamente por um emocionado Lee Taylor ao final da apresentação sob os aplausos do público que também não escondia sua emoção após tamanha demonstração de solidariedade e humanidade.

COMO ESTAMOS PRECISANDO DISSO!

O espetáculo é apresentado no pátio da unidade da Funarte de quinta a sábado às 19h30 e domingos às 19h.

E essa preciosidade tem ingressos gratuitos!

23/07/2026

 

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