“Por tão poucos terem
tanto, é que tantos têm tão pouco”
(Eduardo Marinho)
Desconheço como foi que Lee Taylor conheceu Eduardo Marinho, mas vejo como foi importante ele ter trazido a público, por meio deste espetáculo, a vivência e os pensamentos desse homem de aparência simples e com um conteúdo humano imenso e rico.
Lee fez a organização dramatúrgica das
falas e escritas de Marinho, mas o mérito do rico conteúdo do texto é totalmente creditado a Marinho, artista de
rua, escritor e ativista social, também chamado de “filósofo de rua” vindo de
uma família conservadora de classe média que, como a maioria dos jovens, obedeceu
o pai militar na escolha do seu futuro, tentando carreira militar, partindo
depois para uma formação universitária cursando Direito e finalmente rompendo com tudo e com todos de maneira
corajosa indo viver na rua em busca de um sentido para sua vida e de uma
sinceridade que ele não encontrava no mundo burguês. A saga de Marinho é rica em
detalhes e suas observações sobre o mundo e a sociedade são profundas e
importantes, haja vista a frase que serve de epígrafe para esta matéria.
Tal qual Charlie Chaplin, Lee Taylor
tem total domínio corporal/facial em cena, com a vantagem de que ele fala e tem
belíssima e possante voz. É um verdadeiro privilégio ver Lee tão de perto incorporando
em cena a figura de Marinho.
Dirigida por Georgette Fadel com
codireção do próprio Lee, a encenação tem resoluções cênicas simples, mas muito
belas e criativas como o uso da luz e das sombras e aquelas que acontecem na
capota de Kombi presente em cena, carinhosamente batizada de Celestina por
Marinho.
As palavras e os desenhos de Marinho
que complementam o texto dito pela personagem, vão surgindo aos poucos em
cartazes que vão sendo pendurados em varais.
Soluções aparentemente óbvias, mas que
necessitam de muita criatividade para surgirem e quando aparecem vem a reação
“Puxa! Como não pensei nisso antes?”
MANIFESTO é outro monólogo masculino
surgido numa temporada repleto deles, mas tem destaque especial pela riqueza do
texto e pela belíssima interpretação de Lee Taylor que colhe mais um sucesso em
sua sólida carreira teatral.
Na noite de 22/07/2026 Eduardo Marinho
estava presente sendo abraçado efusivamente por um emocionado Lee Taylor ao
final da apresentação sob os aplausos do público que também não escondia sua
emoção após tamanha demonstração de solidariedade e humanidade.
COMO ESTAMOS PRECISANDO DISSO!
O espetáculo é apresentado no pátio da
unidade da Funarte de quinta a sábado às 19h30 e domingos às 19h.
E essa preciosidade tem ingressos
gratuitos!
23/07/2026




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