domingo, 17 de maio de 2026

SIMPLESMENTE EU, CLARICE LISPECTOR

 

BETH CONTA CLARICE EM TEMPO DE DELICADEZA

 

        Intercalando falas de Clarice Lispector com trechos de suas obras, Beth Goulart construiu a dramaturgia deste raro recital onde a atriz apresenta a biografada com muita sensibilidade e delicadeza.

        A prosa de Lispector é cheia de nuances e filigranas, nem sempre detectadas em um primeiro contato; Beth consegue a proeza de traduzir essa prosa, que também é poesia, de forma clara e precisa embalando o público no universo “lispectoriano”.

        O cenário muito claro de Ronald Teixeira e Leobruno Gama é composto de uma enorme cortina de tiras que ocupa toda a volta do palco, uma cadeira e um sofá e é belamente iluminado com o usual talento de Maneco Quinderé.

        Dias atrás comentei sobre a problemática solução encontrada em um espetáculo, para a troca de figurinos das atrizes. Neste trabalho a troca de figurinos de Beth é uma verdadeira obra de arte. Sutilmente ela se dirige a um ponto da cortina e deixa elementos, retirando outros que elegantemente veste em cena sem quebrar o clima de encantamento.

        Beth Goulart é uma grande atriz que honra a herança recebida de seus pais Nicette e Paulo e é com muito talento que ela interpreta e dirige esse belíssimo espetáculo que tem supervisão artística de Amir Haddad. É muita gente boa reunida!!

        Esse trabalho foi concebido e apresentado há 17 anos, quando ganhou vários prêmios e o bonito, é que ele mantém o frescor e a mesma qualidade da estreia.

        A peça está em cartaz no Teatro Moise Safra (não confundir com o Teatro J. Safra) com capacidade para 420 espectadores e estava completamente lotado na sessão de ontem (16/05), onde as 420 pessoas presentes ovacionaram emocionadas a apresentação de Beth, que ao final ainda reforçou as ideias de Clarice e as suas próprias sobre a importância do amor, da espiritualidade e da humanidade na vida dos seres humanos.

        Grande lição de vida a ser prestigiada por todos aqueles que, como dizia Anne Frank, apesar de tudo ainda acreditam na bondade humana.

        Em cartaz até 13/06. Sessões sexta, 20h / sábado e domingo, 19h.

        17/05/2026

 

 

       

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