1 – Um voto tardio/Antes tarde do que
nunca.
Quando os jurados da APCA da categoria
teatro se reuniram para fazer as indicações do segundo semestre de 2025 ao
analisarem os nomes das atrizes, aquele de Carolina Manica surgiu com muita
força e bastante elogiado por boa parte do grupo pelo seu trabalho em “Na Sala
de Espelhos”. Infelizmente, eu não tive a oportunidade de assistir ao
espetáculo e na hora da votação, obviamente não pude votar em Carolina e ela
recebeu a indicação junto com outra duas atrizes. Fiquei com muita vontade de
assistir ao seu trabalho, mas a peça já não estava mais em cartaz.
Meses depois, na noite de ontem, tive a chance de assistir “Na Sala dos Espelhos” e comprovar o imenso talento de Carolina na interpretação daquela mãe que põe em xeque as aparências dela e de sua filha Nina. Aqueles colegas da APCA que votaram nela estavam certos e, embora tardiamente, meu voto também é para ela.
2 – O espetáculo
A peça é uma adaptação das diretoras
Michelle Ferreira e Maira De Grandi do livro homônimo da quadrinista sueca Liv
Strömquist (1978-) e a encenação não nega sua origem em uma história em
quadrinhos. A iluminação cheia de nuances do premiado Caetano Vilela e os
figurinos de Fábio Namatame colaboram para o bom resultado da encenação onde o
foco principal é o trabalho da atriz.
Numa interpretação onde a expressão
corporal tem a maior importância, a atriz dialoga em perfeita sintonia com a
poderosa trilha sonora criada por Ava Rocha e Grisa. A movimentação cênica de
Carolina na primeira parte da peça é de tirar o fôlego do público.
Quando parece que todas as surpresas
tinham sido postas em cena, a atriz aparece como a rainha má da Branca de Neve
e, mais uma vez, dá um show na frente do espelho ao perguntar várias vezes a
ele “Diga, espelho meu, existe neste reino alguém mais bela do que eu?”
O tempo passa para todas as
personagens e a peça termina de forma emocionante, do mesmo modo como acaba
para todos nós.
A ovação do público ao final é prova
da beleza desse espetáculo e do talento de Carolina Manica.
Neste domingo é a última apresentação na cúpula do Theatro Municipal, mas fique atento que ele pode voltar em outro espaço.
10/05/2026

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