“Antes de começar o
espetáculo temos de nos lembrar
de que na sala há
algumas pessoas para quem essa é
a primeira
experiência teatral e outras para quem essa
será a última.”
(Ariane Mnouchkine)
O texto de Antonio Fagundes é uma
declaração de amor ao teatro e ao respeito e interação que deve haver entre o
elenco e o público.
Os primeiros quinze minutos da peça
mostram o incômodo e até a revolta da personagem do velho ator (Norival Rizzo) que
representava MacBeth e interrompeu o espetáculo diante das atitudes do público
como querer entrar atrasado na plateia após o espetáculo já ter iniciado,
desembalar bala ruidosamente, atender o celular, se espreguiçar e até tirar os
sapatos. Ele expõe seus sentimentos para um jovem ator (Conrado Sardinha) e
para a produtora (Natália Beukers) que tentam pôr panos quentes na situação.
Como todo espectador que também vê o
teatro como um espaço sagrado, não há como não se solidarizar com as queixas do
ator.
Esses quinze minutos são o cerne da
peça de Fagundes e sua parte mais brilhante, depois disso a ação apresenta a
reação do público diante da interrupção do espetáculo pelo ator, entrando em
cena uma mulher queixosa que chegou um minuto atrasada e foi impedida de entrar
(Ana Andreatta), um senhor que vinha a um “show-teatro” pela primeira vez e viu
o mesmo interrompido (Walter Breda) e um guarda (Fábio Esposito) que vê como
missão descobrir se é o público ou o ator quem está com a razão. Esta segunda
parte recai em uma comédia sem trazer maiores novidades para a trama, além de
incluir cenas que parecem estar ali para aumentar a duração da peça, como as
digressões do ator sobre a origem do teatro (Tespos), a história sobre um
espetáculo de Martha Graham onde uma senhora do público chorou copiosamente contada
pelo jovem ator e o longo monólogo do velho ator quase ao final do espetáculo,
que resvala para uma melodramaticidade desnecessária.
A jovem Natália Beukers mostra-se
corajosa e eficiente ao produzir o espetáculo contando com importantes profissionais
como Fábio Namatame (cenário e figurinos), Domingos Quintiliano (design de
luz), Jonatan Harold (música original e sonoplastia) e o próprio Antonio
Fagundes na direção.
Os veteranos Norival Rizzo e Walter
Breda (este apesar da pequena participação) brilham em cena e estão muito bem
acompanhados pelos jovens Conrado Sardinha e Natália Beukers. Completam o
elenco Fábio Esposito que exagera na truculência do policial e Ana Andreatta
numa engraçada composição como a mulher estressada.
É importante mostrar no teatro o
imediatismo que hoje existe onde as pessoas não têm mais paciência de ler um
longo texto, ou de assistir uma obra mais longa, seja no cinema ou no teatro,
sem consultar o celular para saber se a empregada já deu semente de girassol
para o papagaio. Que a peça sirva de lição para aqueles que assim agem.
Teatro é um solo sagrado, vamos respeitar!!
SETE MINUTOS está em cartaz no Teatro
Cultura Artística até 1º de agosto. Sexta e sábado 20h / Domingo 18h
IMPERDÍVEL PARA QUEM AMA O TEATRO!
21/05/2026

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