Ricardo Corrêa fez uma longa pesquisa
por meio de entrevistas com refugiados e imigrantes LGBTQIAPN+ originários de
várias partes do mundo e o resultado de seu importante trabalho consta do livro
“Anywhere” publicado por ele de forma independente.
Corrêa elegeu um dos relatos para
compor a dramaturgia de sua peça de mesmo nome, ora encenada pela Cia Artera de
Teatro.
Samir é um jovem gay iraniano que
tinha um companheiro de nome Zyan que foi assassinado pelas forças repressoras
do governo. Temendo por sua vida Samir resolve imigrar passando por todos os conhecidos
perigos de um processo clandestino como pressão de coiotes por dinheiro, barcos
super lotados e perigosos e a chegada clandestina a um país onde é retido em
aeroporto onde aguarda visto legal de entrada no mesmo.
A dramaturgia de Corrêa inicia na sala
de espera do aeroporto onde Samir aguarda impaciente há meses a permissão de
entrada e ali ele recorda seu passado no Irã, o assassinato de Zyan e a sua
fuga.
Após uma breve introdução, Ricardo
Corrêa parte para a interpretação de Samir com muita garra e indignação
mantendo esse ritmo durante os 80 minutos que dura o espetáculo. A meu modo de
ver o resultado seria mais impactante se ele começasse em ritmo mais suave para
ter espaço de ir crescendo durante a ação, mas isso absolutamente não invalida
nem desmerece sua brilhante interpretação.
A direção de Davi Reis é focada no
trabalho do ator e se vale da cenografia de Carlos Tibúrcio, que reproduz a
frieza e a impessoalidade de uma sala de espera de um aeroporto, e das
excelentes imagens reproduzidas em vídeos criados por Renato Grieco e Ricardo
Corrêa.
Corrêa dá um desfecho catártico ao seu
personagem, fazendo com que ele receba o visto e possa entrar no novo país para
finalmente ver o sol e respirar em liberdade.
Tudo está bem quando bem acaba, já
dizia Shakespeare, mas infelizmente na maioria das vezes o desfecho do destino
de seres refugiados é bem mais triste.
“Anywhere” trata de temas
contemporâneos muito importantes como o desumano tratamento recebido por
refugiados e o preconceito com seres LGBTQIAPN+, onde quer (anywhere) que eles
estejam
Merece ser visto e discutido.
Em cartaz na Cia. da Revista até 12/07. Sábado 20h e domingo 19h.
29/06/2026
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