domingo, 24 de junho de 2018

POUSADA REFÚGIO


Tatiana Thomé, Maurício de Barros, Daniel Dottori, Glaucia Libertini , Leonardo Cortez e a maquete da Pousada.

        Os pós-dramáticos com certeza vão torcer o nariz para esse novo trabalho de Leonardo Cortez: Texto construído com começo, meio e fim; com unidades de tempo, lugar e ação e além do mais (pecado extremo!!) sem narrativa fragmentada vai contra os dogmas criados pelos discípulos de Hans-Thies Lehmann. O que esse grupo não percebe é que o teatro não pode ter dogmas nem precisa ser pós-moderno para ser bom. E Pousada Refúgio é muito bom teatro, consolidando o trabalho desse dramaturgo que nos últimos anos nos deu os excelentes Maldito Benefício (2014) e Sala dos Professores (2016).
        Dois casais se reúnem em jantar para comemorar a construção de uma pousada (metáfora para o paraíso utópico que todo ser humano almeja). O escapismo fica coroado com o nome que o grupo batiza o local: “Refúgio”. Bebe-se muito nesse encontro e aos poucos as verdades e os podres de cada um começam a florescer. Está presente também o cunhado do dono da casa que irá representar papel importantíssimo e desestabilizador na trama.
        A peça tem início muito engraçado e evolui para a quase tragédia ao final e o elenco sabe conduzir essa trajetória de maneira exemplar.
        A direção de Pedro Granato está em perfeita harmonia com o texto de Cortez provando que o trabalho foi feito em conjunto, o que é revelado no programa da peça.
        O bonito cenário de Diego Dac é construído de maneira exemplar e tem papel importante e significativo no desenlace. Os floridos figurinos de Marichilene Artisevkis revelam a personalidade e os desejos da classe média representada na peça.
        Leonardo Cortez também atua na peça representando o arrogante José Claudio, dono da casa, que aos poucos vai revelando sua fragilidade; Glaucia Libertini tem forte presença como a sua esposa. Tatiana Thomé sabe tirar partido de seus momentos de fúria. Maurício de Barros é presença iluminada em todos os espetáculos que faz e consegue arrancar boas risadas do público com seu patético Pradella, professor universitário frustrado. A grande surpresa do espetáculo é Daniel Dottori como o cunhado bipolar que inicia a peça como mero coadjuvante e depois se impõe sendo o responsável por vários desvios de trajetória da trama.
        Ri-se muito durante o espetáculo, risos até nervosos, por mexerem com valores do nosso cotidiano. Ao final, porém, resta aquele gosto amargo na boca da maioria dos brasileiros que tem seus sonhos destruídos por uma realidade acapachante.
        POUSADA REFÚGIO está em cartaz no Sesc Pompeia às quintas, sextas e sábados às 21h30 e aos domingos às 18h30. Só até o próximo domingo 1º de julho. CORRA!

24/06/2018


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