segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A DOENÇA DO OUTRO

 

Em certo momento da peça/palestra/performance A Doença do Outro é projetada uma cena emblemática do filme Philadelphia (1993) planejada para que o publico se emocione e chore...” uma dessas cenas que o cinema criou para que os soluços cortassem o silêncio da sala escura”, segundo o autor/ator Ronaldo Serruya.

Em outra cena, enquanto o ator fala, são projetadas atrás dele cenas de filmes que tratam do HIV. Entre elas, a antológica e pungente cena do filme sobre Cazuza em que ele descobre que foi “tocado” pelo vírus da AIDS. Filmes, peças de teatro e romances sobre o assunto sempre resvalam para o dramático e para o trágico e é na contramão dessa tendência que Serruya elabora o seu belo trabalho.

Segundo o dito popular quanto mais a doença floresce, mais o corpo padece, mas não se pode esquecer que é essa entidade física chamada CORPO que todos nós temos que vai lutar por mais vida. Óbvio, mas nem sempre reconhecido!

Momento especialíssimo na carreira de Serruya, o corpo como forma de resistência é a proposta desse espetáculo que é a mais pura celebração da vida e literalmente termina em festa onde corpos suados e emocionados se congraçam e se abraçam.

Estou vendo no Facebook que hoje, dia 06 de dezembro, é o aniversário de Ronaldo Serruya, mas foi ele que presenteou os privilegiados espectadores que assistiram a uma dessas seis apresentações de sua admirável performance. Temporada relâmpago que deve ser complementada no ano que vem por apresentações virtuais e, talvez, também presenciais.

Dignas de nota a direção enxuta de Fabiano Dadado de Freitas e a videoarte de Evee Avila e Maurício Bispo. 

06/12/2021

               

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