quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CARNE VIVA

 

Se você é daquelas ou daqueles que adoram uma maminha mal passada sangrando fique longe deste espetáculo.

O texto foi escrito por Luh Maza ainda adolescente e quando ainda atendia por Luciano. Realço isso porque é bastante importante saber que a virulência do texto contra o machismo e a sensibilidade da mulher que perpassam toda a ação da peça tenham brotado da imaginação de alguém que era visto como um rapaz. Isso só pode ter ocorrido porque, independentemente do corpo, a alma de Luh já era feminina.

Reginaldo Nascimento do Teatro Kaus Cia. Experimental ambientou a peça em uma cozinha onde os móveis brancos estão manchados de sangue. Amália Pereira em um trabalho intenso e corajoso interpreta aquela mulher oprimida cuja maior função é preparar a maminha para seu macho em um abate que se assemelha àquele sofrido pelo animal do qual vem a carne.

Nesse processo de violência, seja física ou moral, essa mulher tem um surto onde se vê como Jesus, o símbolo maior do cristianismo que, como não podia deixar de ser, é um homem.

Facas, carnes e muito sangue são uma constante neste espetáculo que não dá trégua ao espectador.

Pelas condições em que foi filmado a atriz tem pouca movimentação em cena, permanecendo acuada/encostada em uma parede praticamente durante toda a ação. Quando for apresentada em um teatro a peça vai se enriquecer com a movimentação da atriz e com sua interação com o público, bem mais emocionante do que atuar para uma câmera.

De qualquer maneira, enquanto o presencial não chega, vale a pena conhecer este forte trabalho em sua versão virtual. 

01/12/2021 

SERVIÇO:

Temporada de 03/12 a 19/12 de sexta a domingo às 20h

Acesso: YouTube das Oficinas Culturais do Estado de SP

Gratuito

Não recomendado para menores de 18 anos

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