segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

VIVA O TEATRO e VIVA MARAJÓ

 

Claudio Barros em Solo de Marajó

Três excelentes espetáculos preencheram o fim de semana deste espectador apaixonado. 

Após duas tentativas frustradas consegui finalmente assistir a Três (ou quatro?) Mulheres Altas, de Edward Albee dirigido por Fernando Philbert com um elenco de primeira formado por Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill. As composições de Suely Franco (histriônica e perversa) e de Beatriz Segall (contida, mas mais perversa, na montagem de 1995) para a velha senhora A norteiam em grande parte as diferenças entre as duas excelentes montagens desse surpreendente texto. 

F(r)icções é outro incrível espetáculo/performance onde Rodrigo Portella adaptou e dirigiu com mão de mestre nada mais nada menos que o robusto livro SAPIENS – Uma Breve História da Humanidade de Yuval Noah Harari para uma interpretação antológica de Vera Holtz em companhia do versátil músico Federico Puppi. A absoluta harmonia entre todos elementos (texto, interpretação, cenário, figurino, luz e trilha sonora) fazem deste, desde já, um dos momentos mais marcantes de uma temporada teatral que está apenas começando. 

Escrevo, propositalmente por último, sobre o surpreendente espetáculo Solo de Marajó vindo do Pará pelo Grupo Usina tendo Alberto Silva Neto na direção e Claudio Barros na atuação.

Louve-se a em primeiro lugar a vinda de um trabalho de fora do eixo Rio-São Paulo, mas louvação maior fica por conta da alta qualidade do mesmo.

Em um palco nu, vestindo um sóbrio figurino o ator desdobra-se vocal e gestualmente na dezena de personagens que povoa as oito histórias que ele conta.

A voz poderosa do narrador transforma-se junto com seu corpo naquelas de Ritinha, Alaíde e tantas/os outras/os mulheres/homens “esquecidos” (conforme palavras que Claudio me dirigiu ao fim do espetáculo) naquele mundo tão distante e desconhecido de nós paulistanos, habitado por brasileiros como nós.

As histórias, retiradas do livro Romance Marajó do autor marajoara Delcídio Jurandir (1909-1979), são tocantes e trazem um pouco da realidade dos povos ribeirinhos da Ilha de Marajó.

Seja pela excelência do espetáculo, seja pela importância do tema tratado, urge que você se dirija ao auditório do SESC Pinheiros para se surpreender e se arrebatar com a experiência única que é Solo de Marajó. Em cartaz até 11/02 de quinta a sábado às 20h.

23/01/2023

 

 

 

sábado, 21 de janeiro de 2023

O DILEMA DO MÉDICO

 

E assim Sergio Mastrospaqua e o Círculo de Atores vão varrendo a obra de George Bernard Shaw (1856-1950).  Mastropasqua tem em seu currículo mais de meia dezena de peças do dramaturgo irlandês e agora é o protagonista de O Dilema do Médico, peça escrita em 1906 que é pela primeira vez montada em São Paulo.

O filme inglês de 1958 era minha única referência sobre a obra e, se a memória não falha, o protagonismo passava do médico (Dr. Colenson Ridgeon) para o casal Dubedat, interpretados pelos na época famosos Dirk Bogarde e Leslie Caron. Acredito que a meia hora inicial da peça (a reunião dos médicos) tenha sido eliminada no filme. Na verdade, os maiores conflitos da trama surgem após essa reunião, com a entrada em cena de Jennifer Dubedat que vem pedir auxílio ao médico para a cura de seu marido.

A encenação de Clara Carvalho privilegia todas as personagens da peça (são 12 intérpretes em cena!) dando destaque também para papeis menores como o de Emmy que tem seu momento de glória na presença exuberante de Nabia Villela e como o do jornalista, numa deliciosa entrada em cena de Thiago Ledier quase ao final da apresentação. Bons momentos também são reservados a Oswaldo Mendes, Rogério Brito e Renato Caldas.

Sergio Mastropasqua tem presença e talento para mostrar todas as nuances do dilema do Dr. Ridgeon. Iuri Saraiva se encarrega do insinuante Louis Dubedat e Bruna Guerin tem bela presença cênica como a envolvente Jennifer.

A má acústica do auditório do MASP, somada aos meus problemas auditivos e ainda à fraca emissão de voz de Bruna Guerin fizeram com que eu não escutasse boa parte das falas da atriz, dificultando a compreensão da trama e, principalmente, do fundamental diálogo final entre ela e o médico, onde se revelam as verdadeiras intenções do doutor.

O cenário de Chris Aizner privilegia mais as rápidas trocas de cena do que a beleza plástica que só se insinua na última cena. O conceito por trás da trilha sonora criada por Gregory Slivar que surge e desaparece do nada não ficou claro para este espectador. Marichilene Artisevskis é responsável pelos belos figurinos e Wagner Antônio assina o desenho de luz do espetáculo.

Toda essa estrutura é dirigida com maestria pela sempre digna e talentosa Clara Carvalho.

A meu ver este espetáculo ficaria muito mais confortável e atraente em teatros como o Anchieta e o Aliança Francesa. 

O DILEMA DO MÉDICO está em cartaz no Auditório do MASP até 26 de março com sessões às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 19h. 

20/01/2023

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

BOA NOITE BOA VISTA

Com pouco mais de 40 anos, Eduardo Mossri ainda é um jovem ator que tem carreira consolidada e consagrada em função de seu talento. Realizou significativos trabalhos nos últimos tempos como Foxfinder (2021), Ópera Urbe (2016) e Condomínio Nova Era (2014), mas foi nos monólogos Ivan e os Cachorros (2012) e, principalmente, Cartas Libanesas (2015) que seu talento foi melhor reconhecido e premiado.

Agora chegou a vez de Mossri realizar um novo monólogo, desta vez se arriscando também na autoria; para tanto baseou-se no diário de bordo que escreveu durante sua estadia na cidade de Boa Vista, capital de Roraima, no início de 2020. A dramaturgia resultante contou com a colaboração (intervenção dramatúrgica) de José Eduardo Vendramini, Camila Valiengo, Karen Menatti e Carolina Fabri.

No início do espetáculo o ator alerta o público para que use a imaginação para acompanhar a narrativa que, diga-se de passagem, não é linear e exige que o espectador decifre rapidamente quem é que está se dirigindo a ele: um porteiro de um banho público, o excremento humano que foi presidente deste país e até um baobá, entre muitos outros personagens que vão aparecendo durante o desenrolar da trama.

Mossri também avalia qual seria sua participação/ajuda naquele mundo caótico habitado por pessoas em situação de refúgio. Comenta que se fosse médico, advogado ou enfermeiro saberia como agir, mas como ator? A resposta a essa pergunta não fica muito clara após o término da peça, mas não resta dúvida que o olhar com compaixão e a solidariedade do ser humano Eduardo Mossri contribuiu para mitigar o sofrimento daquela gente.

Na concepção minimalista do encenador Antonio Januzelli, Mossri atua deslocando-se muito pouco do centro do espaço cênico e é iluminado discretamente pelas luzes de Marisa Bentivegna.

De forma geral, 90 minutos é tempo excessivo para a duração de um monólogo e Boa Noite Boa Vista não foge à regra. 15 minutos a menos - principalmente na parte final quando o baobá intermedeia uma discussão entre duas etnias venezuelanas que vivem em uma ocupação - fariam muito bem á montagem.

Boa Noite Boa Vista é um espetáculo digno e necessário que precisa ser visto.

Em tempo: O SESC insiste em disponibilizar o programa de alguns espetáculos apenas através de QRcode. A produção desta peça fez um programa reduzido, mas com os dados principais, para ser distribuído ao público. 

BOA NOITE BOA VISTA está em cartaz no SESC Pompeia até 17/02 de terça a sexta às 20h30. 

18/01/2023

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

NASCI PRA SER DERCY

 

Dercy Gonçalves (1907-2008) merecia este espetáculo!

Eu ia escrever que ela merecia esta homenagem, mas tenho certeza que ela retrucaria dizendo “Eu não quero essa merda de homenagem, homenagem é pra gente morta!!”. E Dercy será eterna, enquanto for lembrada por todos aquele que riram ou ainda riem com ela!

Ignorada durante grande parte de sua carreira pela crítica, terminou sua vida endeusada pelos mesmos intelectuais que anteriormente a evitaram. Dercy não estava nem aí para isso e mandou à merda tudo o que poderia lhe ofuscar a vida (na peça, ela cita essa atitude como um dos remédios para sua saúde e longevidade).

No espetáculo, uma atriz participa de teste para a escolha de intérprete para o papel de Dercy em um filme. Grande fã de Dercy, a atriz contesta o roteiro que lhe pedem para fazer e aos poucos vai incorporando aquilo que ela acredita que Dercy diria. Essa cena inicial é bastante criativa e conta com a participação da voz de Miguel Falabella como o entrevistador. A partir daí, o autor Kiko Rieser costura muito bem falas e atitudes de Dercy aparecidas em entrevistas ou ditas pela atriz em programas de TV ou em suas apresentações.

Kiko Rieser vem se firmando no cenário teatral paulistano como autor, diretor e produtor e este, sem sombra de dúvida, é seu trabalho mais maduro e melhor realizado. Para tanto cercou-se de profissionais talentosíssimos como Kleber Montanheiro (cenário e figurinos), Aline Santini (desenho de luz), Mau Machado (trilha sonora), Eliseu Cabral (visagismo) e Bruna Longo (preparação corporal).

Grace Gianoukas realiza belíssimo trabalho tanto como a atriz Vera, como quando incorpora a voz e o gestual de Dercy (para tanto lhe basta colocar a peruca loira, tão característica de Dercy). Interpretação digna de ser lembrada quando se fizerem as listas dos melhores do ano. Interrompida várias vezes pelas exageradas e contínuas palmas da claque sempre presente em pré estreias, tenho certeza que em apresentações normais o rendimento de Grace crescerá bastante. Não que a atriz não mereça aplausos por seu magnífico trabalho, mas o excesso é sempre danoso para qualquer fato.

Ri-se muito durante todo o espetáculo, mas a emoção também aflora em vários momentos, pois Kiko e Grace conseguiram nos mostrar não só o lado histriônico, mas também o lado humano da grande vedete e mulher que foi Dercy Gonçalves.

A memória do teatro brasileiro agradece. 

NASCI PRA SER DERCY está em cartaz no Teatro Itália às sextas e sábados às 21h e aos domingos às 19h até 26/02.

NÃO PERCA!!


13/01/2023

 

sábado, 7 de janeiro de 2023

A DRAMATURGIA BRASILEIRA NOS PALCOS PAULISTANOS EM 2022

        

        No ano de 2022 ressurge com toda a força o teatro de verdade usando o pleonasmo “teatro presencial”.

O chamado teatro virtual, muito bem vindo durante o período pandêmico, do qual se esperava uma significativa sobrevida, praticamente desapareceu das telas dos celulares e dos notebooks. O Guia OFF, mesmo que apenas em edição on-line, foi o único sobrevivente dos guias de teatro da cidade de São Paulo e indicou pouquíssimos espetáculos virtuais de janeiro a agosto, sendo que, a partir de setembro eles desaparecem por completo de suas páginas.

        A análise da dramaturgia brasileira em nossos palcos que venho realizando e publicando há vários anos, tornou-se cada vez mais difícil, necessitando a impressão mensal do único guia existente e a consulta aos meus arquivos a partir de releases e programas de peças. Sendo assim, é bem provável, que este seja o último ano que publico este tipo de estudo.

        Com base nos dados disponíveis estiveram presentes nos palcos da cidade cerca de 360 espetáculos que tiveram um nome brasileiro na dramaturgia. Foi mantida a proporção de 25 espetáculos com dramaturgia estrangeira para cada 75 espetáculos de dramaturgos brasileiros, sendo assim podemos fazer uma aproximação escrevendo que estrearam (ou reestrearam) na cidade de São Paulo em 2022, 480 títulos sendo 360 de autores brasileiros e 120 de autores estrangeiros.

        O foco, na presente matéria, é a dramaturgia brasileira.

        Houve um número significativo de peças vindas de temporadas anteriores. Aquelas apresentadas em mostras ou festivais não aparecem nesta matéria.

        Mais uma vez houve pouca presença dos autores clássicos: com dois títulos comparecem Ariano Suassuna, Jorge Andrade e Plínio Marcos, seguidos de Nelson Rodrigues, Dias Gomes e Oduvaldo Vianna Filho com apenas uma peça. Até Ronaldo Ciambroni, muito apresentado em anos anteriores, teve poucas peças em cartaz.

        Talvez o autor brasileiro mais montado tenha sido o jovem Luccas Papp com quatro peças apresentadas.

        A maioria dos dramaturgos é pouco conhecido e aparece com apenas um título e, infelizmente, tem pouca chance de voltar a comparecer nos próximos anos.

        Foram apresentados oito musicais biográficos e outro tanto de musicais gerais, a maioria deles sem grandes méritos dramatúrgicos.

        Daquilo que tive oportunidade de assistir (124 das 360) meus destaques vão para:

        - A Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong – Clarice Niskier

        - A Semente da Romã – Luís Alberto de Abreu

        - Brenda Lee e o Palácio das Princesas – Fernanda Maia

        - Cabaret dos Bichos – Zé Henrique de Paula

        - Comida nas Costas, Barriga Vazia – Alex Moletta

        - Festa dos Bárbaros – Georgette Fadel, Patrícia Gifford, Paula Klein

        - Jacksons do Pandeiro – Braulio Tavares e Eduardo Rios

        - Macacos – Clayton Nascimento

        - Museu Nacional – Todas as Vozes do Fogo – Vinicius Calderoni

        - Pérsia – Sandra Vargas

        - Renoir – A Beleza Permanece – Rogerio Correa

         Entendo o balanço do ano como positivo, tanto em qualidade como em quantidade, mesmo com todos percalços provocados pelo infame governo que terminou em 31/12/2022.

        Tudo leva a crer que, com os bons ares que o Brasil volta a respirar em 2023, a área cultural terá um novo impulso e muita coisa boa vai acontecer.


        06/01/2023

 

       

         

 



 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

ZESCAR TEATRO 2022

 

O melhor do teatro em São Paulo no ano de 2022 na visão de José Cetra Filho

         Devido á minha viagem ao Reino Unido no período de 24/11 a 26/12, estou meio atrasado na divulgação do ZESCAR 2022.

         Depois da grande quantidade de espetáculos virtuais apresentada nos anos 2020 e 2021 e da grande evolução da parte técnica dos mesmos, esperava-se que eles ainda teriam papel importante em paralelo aos espetáculos presenciais, no entanto isso não ocorreu em 2022 e foram poucos os exemplos desse tipo de trabalho, em geral gravações de espetáculos anteriores. No meu caso, de 204 espetáculos teatrais assistidos, apenas nove foram virtuais e as únicas novidades foram As Cadeiras (apresentado nos cinemas) e Aquilo Deu Nisso do grupo Os Fofos Encenam.

Os autores brasileiros dominaram a cena em 2022 respondendo por 124 espetáculos (117 presenciais e 7 virtuais) ficando os estrangeiros com 80 (78 presenciais e 2 virtuais). Total de 204 espetáculos teatrais.

Reforço que esses números resultam daquilo a que eu pude assistir e é desse universo que destaco aqueles que para mim foram os melhores do ano e que são merecedores do meu prêmio virtual, o ZESCAR! Ao fim desta matéria, faço uma relação de alguns espetáculos que julgo importantes aos quais  não tive a oportunidade de assistir.

O ZESCAR é minha lista pessoal. Ele leva em conta os espetáculos a que assisti no ano e nada tem a ver com a minha participação em comissões de premiação onde os premiados são eleitos por votação e nem sempre correspondem àqueles que a meu ver são os melhores.

Essa história do ZESCAR começou com uma brincadeira. Há muitos anos que faço minha lista particular do que considero os melhores do teatro e do cinema. Minha cunhada um dia brincou, perguntando quando eu ia distribuir o ZESCAR (amálgama de Zé com o Oscar do cinema norte americano). A partir daí esse se tornou o nome da minha lista e nos últimos anos eu a torno pública por meio deste blog.     

         Minha lista está dividida em categorias e não há um número certo para cada categoria (se listo só dois é porque foram só eles, assim como posso listar sete ou mais). Um dado importante é que neste 2022 a qualidade vem fortemente acompanhada da grande quantidade de títulos, em todas as categorias. Por categoria, a lista está em ordem alfabética.

         Como faço todo ano distingo inicialmente aqueles espetáculos/eventos/artistas que foram, para mim, os “melhores dos melhores” e são merecedores desse destaque especial:

- Marina Tenório e Ruy Cortez pelo projeto que apresentou as peças A Semente da Romã e As Três Irmãs em apresentação simultânea nas duas plateias do teatro do SESC Pompeia.


         - A incorporação do edifício do Teatro Brasileiro de Comédia ao SESC São Paulo. A notícia teatral mais alvissareira do ano, divulgada nos últimos dias de 2022.


         - Clayton Nascimento pela realização do espetáculo Macacos.


         - Inês Peixoto pela belíssima interpretação em Orfãs de Dinheiro.


         - A volta da realização presencial do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas.

         Em um ano excepcional tanto em quantidade como em qualidade foi difícil selecionar os ganhadores (virtuais) do ZESCAR:

         ESPETÁCULO:

         - 4004 A.C. – A Origem

         - A Esperança na Caixa de Chicletes Ping-Pong

         - A Semente da Romã

         - Anjo de Pedra

         - Brenda Lee e o Palácio das Princesas        

         - Cabaret dos Bichos

         - Delírio a Dois

         - Escola de Mulheres

         - Festa dos Bárbaros

         - Jacksons do Pandeiro

         - Língua Brasileira

         - Longa Jornada Noite Adentro

         - Macacos

         - Moscou Para Principiantes

         - Museu Nacional – Todas as Vozes do Fogo

         - O Bem Amado – Musicado

         - O Canto do Cisne

         - O Fazedor de Teatro

         - O Que Nos Mantém Vivos?

         - O Suicídio Mais Bonito do Mundo

         - Orfãs de Dinheiro

         - Outono Inverno

         - Pérsia

         - Play Beckett

         - Sem Palavras

         - Tatuagem

         - Tebas

         - Tudo

         - Um Inimigo do Povo

         - West Side Story

         DIREÇÃO:

- Aline Filócomo – Moscou Para Principiantes

- Clara Carvalho – Escola de Mulheres

- Clayton Nascimento – Macacos

- Denise Weinberg – Outono Inverno

- Duda Maia – Jacksons do Pandeiro

- Georgette Fadel, Patrícia Gifford e Paula Klein – Festa dos Bárbaros

- José Fernando Azevedo – Um Inimigo do Povo

- Kleber Montanheiro – Tatuagem

- Marcelo Lazzaratto – Tebas e Delírio a Dois

- Marcio Abreu – Sem Palavras

- Miguel Rocha - Cárcere ou Por Que as Mulheres Viram Búfalos

         - Thiago Ledier – 4004 A.C. – A Origem

- Vinicius Calderoni – Museu Nacional – Todas as Vozes do Fogo

- Zé Henrique de Paula – Cabaret dos Bichos e Brenda Lee e o Palácio das Princesas.

ATRIZ:

- Amanda Lyra – Língua Brasileira

- Ana Lucia Torre – Longa Jornada Noite Adentro

- Clarice Niskier – A Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong

- Claudia Abreu – Virginia

- Dalma Régia – Cárcere ou Por Que as Mulheres Viram Búfalos

- Dinah Feldman, Nicole Cordery e Noemi Marinho – Outono Inverno

- Inês Peixoto – Orfãs de Dinheiro

- Liliane Xavier - Pinóquio

- Nábia Villela – 4004 A.C. – A Origem

- Sara Antunes – Anjo de Pedra 

ATOR:

- Brian Penido Ross – Escola de Mulheres

- Cacá Carvalho – Leonardo Da Vinci – A Obra Oculta

- Celso Frateschi – O Canto do Cisne

- Clayton Nascimento – Macacos

- Donizete Mazonas – Com os Bolsos Cheios de Pão

- Dudu Galvão – Morte e Vida Severina

- Luciano Chirolli – O Náufrago

- Marcelo Lazzaratto – Tebas

- Marcos Damigo – O Pai

- Munir Kanaan – Horror Lavanda

- Odilon Wagner _ A Última Sessão de Freud

- Paulo Marcello – O Fazedor de Teatro

- Rogerio Brito – Um Inimigo do Povo

- Zé Carlos Machado – Papa Highirte

DRAMATURGIA:

- Alex Moletta – Comida nas Costas, Barriga Vazia

- Braulio Tavares e Eduardo Rios – Jacksons do Pandeiro

- Fernanda Maia – Brenda Lee e o Palácio das Princesas

- Luís Fernando Abreu – A Semente da Romã

- Rogerio Correa – Boy e Renoir – A Beleza Permanece

- Vinicius Calderoni – Museu Nacional – Todas as Vozes do Fogo

- Zé Henrique de Paula – Cabaret dos Bichos

ESPECIAL:

- A realização da 8ª edição da MITsp em formato menor, mas marcando necessárias presença e sobrevivência.

- O retorno das atividades presenciais no Centro de Pesquisa Teatral do SESC (CPT).

- Profissionais envolvidos com tradução, adaptação de textos, cenografia, coreografia, iluminação, som, figurino, visagismo, fotografia, contrarregragem e produção. Personagens invisíveis que mais sofreram durante a pandemia e sem as quais a magia do teatro não aconteceria. 

ESPETÁCULOS INTERNACIONAIS:

No Mirada:

- A Caminhada dos Elefantes – Portugal

- chãO – Brasil/Argentina

- Cuandp Pases Sobre Mi Tumba – Uruguai

- Discurso de Promoción – Peru

- Estreito  - Portugal/Chile

- Fuck Me – Argentina

- La Mujer Que Soy – Argentina

- Teatro Amazonas – Espanha 

Em Londres:

- As You Like It

- Hamilton

- Moulin Rouge

PERDIDOS:

- Águas Queimam na Encruzilhada

- Amefrica

- Cartas da Prisão

- Entre os Trilhos e a Baleia

- Gagarin Way

- Grease

- Hip Hop Blues

- Infância

- Ney Matagrosso

- O Doente Imaginário

- O Futuro Chegou Ontem

- Pagu

- Seu Neyla

- Sidney Magal

- Tarsila

- Três Mulheres Altas

- Xandu Quaresma

- Zoológico de Vidro 

SHOWS, CONCERTOS, ÓPERAS, DANÇA

- Grupo Corpo no Teatro Alfa

- Encantados – excepcional espetáculo de teatro dança, dirigido por Lia Rodrigues

RESUMO:

                                      PRESENCIAL       VIRTUAL    TOTAL

TEATRO                     195                    9             204  

SHOW                        -                    -               -

CONCERTO                1                   -                1

ÓPERA                       2                   -                2    

DANÇA                      5                    -                5    

TOTAL                      203                 9             212

 

RACSEZ para os piores do ano. Esta lista não é divulgada.

30/12/2022

 

                                

 

 

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

4004 A.C. – A ORIGEM

 

Apesar de sua vasta produção teatral, o escritor irlandês George Bernard Shaw (1856-1950) é mais conhecido por aqui por My Fair Lady, espetáculo musical que é uma adaptação de sua peça Pigmalião.

Graças ao Grupo Tapa, ao Núcleo Experimental e ao Circulo dos Atores, nos últimos anos os palcos paulistanos têm podido assistir a obras importantes de Shaw como Major Barbara, Cândida, A Profissão da Sra. Warren e A Milionária. E já se promete O Dilema de Um Médico para 2023.

Shaw tinha humor penetrante e sarcástico como se pode perceber em sua obra e no famoso diálogo entre ele e Isadora Duncan quando esta lhe propôs em tom de brincadeira a possibilidade de eles gerarem um filho com a beleza dela e a inteligência dele, ao que ele retrucou dizendo do perigo da criança nascer com a beleza dele e a inteligência dela.

4004 A.C. situa-se exatamente há mais de seis milênios! E lá no Jardim do Eden vamos encontrar Adão e Eva pesarosos com a possibilidade de viver para todo o sempre, quando encontram uma solução dada pela Serpente; um pouco mais tarde Adão e Eva mais velhos têm um embate com o filho Caim, que matou o irmão Abel.

A primeira parte é originalíssima e tem um toque de humor que a engrandece; a segunda parte é mais longa e mais dramática, sendo também um pouco repetitiva (desculpe, seu Bernard!!), mas tem discurso poderoso a favor da mulher e de seus direitos.

A encenação de Thiago Ledier, que já havia realizado uma competentíssima encenação de A Milionária, é primorosa e criativa valendo-se do espaço remodelado (e renovado!!) do Teatro Studio Heleny Guariba, do criativo cenário criado por Fernando Passetti e Nicolas Caratori, lindamente iluminado por este último.

Adão e Eva, quando jovens, são interpretados por Luana Frez e Nando Medeiros e mais velhos por Márcia de Oliveira (bastante jovem, quando comparada com o seu companheiro) e Luti Angelelli. Guilherme Gorski é vigoroso como Caim e Nábia Villela está absolutamente irresistível e muito engraçada como a Serpente.

4004 A.C. é espetáculo bastante digno, bem encenado, bem interpretado e dá ao espectador a oportunidade de conhecer esse insólito texto do grande dramaturgo George Bernard Shaw, além da oportunidade de visitar o espaço remodelado do Teatro Studio Heleny Guariba.

Após o espetáculo, há proveitoso bate-papo com o elenco, com a oportunidade de receber uma aulinha sobre Shaw dada por Sergio Mastropasqua.

Por especial delicadeza de Mastropasqua e Selene Marinho recebi uma versão impressa do belo e informativo programa da peça.      

        4004 A.C. está em cartaz até 13/12 às segundas, terças, sextas e sábados às 21h e aos domingos às 19h.

        NÃO PERCA!!

        23/11/2022