A adaptação que André Guerreiro Lopes
fez do original de Marguerite Duras (1914-1996) e sua transposição cênica
privilegiam dois dos nossos sentidos.
A beleza estética do espetáculo com
projeção de imagens, a presença muito bela de Djin Sganzerla, a manipulação da
água projetada numa tela e a iluminação mágica de Aline Santini são um colírio
para nossa visão.
Instrumentos de percussão e de objeto
metálico delicadamente manipulados por Djin, a trilha sonora de Gregory Slivar
e principalmente a voz ao mesmo tempo poderosa e delicada de Helena Ignez, somente
ouvida na maior parte do espetáculo estimulam prazerosamente a audição do
espectador.
O olfato e o tato (nos abraços e
cumprimentos) e o paladar (no pró seco e no salgadinho) não deixaram de ser
contemplados no coquetel ao final da apresentação.
A peça é uma poesia cênica realmente
mais para ser sentida do que analisada e entendida de maneira racional.
A jovem interpretada por Djin busca em
suas memórias e até em seus delírios (algo que remete à Alaíde de Nelson
Rodrigues) aquilo que resta de sua relação física ou emocional com a enigmática
Madeleine com quem ela dialoga durante os 60 minutos de duração da peça. Muito
é sugerido, mas propositalmente nada é esclarecido.
Savannah Bay que é nome de um lugar é também
na peça o nome da jovem. Coisas da Marguerite Duras; afinal é dela a famosa
frase final do filme “Hiroshima, Meu Amor” (1959) de Alain Resnais: “Tu es
Hiroshima”.
Reafirmo aqui que a solução achada
pelo encenador para manter apenas a voz de Helena Ignez ouvida em cena durante
a primeira meia hora da peça é um achado muito feliz, permitindo ao espectador
usufruir de um encanto poucas vezes encontrado em um teatro.
Pura poesia! Puro teatro!
SAVANNAH BAY É VOCÊ está em cartaz no
Itaú Cultural até 18/10 com sessões de quinta a sábado às 20h e domingo às 18h.
NÃO DEIXE DE VER!
02/10/2026
